Guns N’Roses na Ilha do Amor; histórico, apoteótico e orgástico

LUIZ THADEU NUNES E SILVA
Engenheiro Agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.
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21 de abril, feriado nacional, em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746–1792): militar, dentista e ativista político brasileiro, líder da Inconfidência Mineira, que defendia a independência da Capitania de Minas Gerais e o fim da dominação portuguesa. Condenado à morte, enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792, em protesto contra a Coroa que cobrava tributos de 20%; hoje o Fisco confisca quase o dobro, 37%. Ninguém mais se lembra do martírio de Tiradentes, a não ser pelo feriado.
Terça-feira, chuva forte na Ilha do Amor. “É tempo de chuva”, dizia meu saudoso avô paterno, Joaquim Cavalcanti Silva, homem do campo.
Gosto de rock, cresci ouvindo bandas inglesas – as melhores, e as americanas. Com o avanço da idade, migrei para algo suave: bossa nova, jazz, new wave, um rock mais calmo e meloso.

Sair de casa, no final da tarde chuvosa, para assistir ao vivo, a apresentação da banda americana Guns N’Roses, foi fenomenal. Entrou para a coleção de boas memórias.
Ouvir a voz potente de Axl Rose, com seus 64 anos; sua presença eletrizante e voz potente, encher o Estádio Castelão, juntamente com Slash, 60 anos, guitarrista; Duff McKagan, 62 anos, baixista; Richard Fortus, 62 anos, guitarrista; Dizzy Reed, 63 anos (teclados); Frank Ferrer, 62 anos, baterista; e Melissa Reese, 62 anos, nos teclados, foi algo que entrou para a história. Todos sessentões e NOLTs, ainda têm capacidade de hipnotizar enormes plateias, com um show frenético e orgástico. Durante quase três horas, o show acabou às 23h11, estavam exaustos e entregaram o melhor da banda. Foram 17 músicas do repertório, dessa que é uma das melhores bandas de rock do mundo. O público cantou, dançou e se esbaldou ao som de Paradise City, Since I Don’t Have You, You Could Be Mine, Yesterdays, Used To Love Her, November Rain e muitas outras.
Fundada em 1985, em Los Angeles, Califórnia, resultado da fusão entre as bandas locais L.A. Guns e Hollywood Rose, Guns N’Roses é atemporal. A formação original do grupo era composta pelo vocalista Axl Rose, o baixista Ole Beich, o baterista Rob Gardner e os guitarristas Tracii Guns e Izzy Stradlin. Meses depois, após assinarem com a Geffen Records, a formação “clássica” do grupo contava com Rose, Stradlin, o guitarrista Slash, o baixista Duff McKagan e o baterista Steven Adler. A formação atual inclui Rose, Slash, McKagan, o guitarrista Richard Fortus, os tecladistas Dizzy Reed e Melissa Reese e o baterista Isaac Carpenter.
Ouvir e assistir ao melhor do rock mundial na minha Ilha do Amor, terra do Bumba meu boi, na Jamaica brasileira, foi uma oportunidade única e inesquecível.
Após os últimos acordes das guitarras, um fato inusitado para os americanos, aconteceu. Uma calcinha preta, sim, a vestimenta de debaixo da indumentária feminina, voou ao palco. O guitarrista Slash a pegou, passou para Axl Rose, que, em sorrisos, rodopiou no dedo e colocou no suporte do microfone. Os Guns N’Roses, que já tocaram, cantaram e encantaram os cinco continentes da Terra, certamente vão se lembrar da Ilha do Amor pela acolhida de seu povo e pela irreverência de uma lingerie voadora.
Pelas redes sociais, fiquei sabendo que a calcinha foi ideia de uma jovem, dona de Sex Shop, que colocou o nome da banda na peça íntima e arremessou ao palco. Puro marketing.
Parabéns, aos organizadores do evento, tudo saiu melhor que o planejado.
Viva o rock, viva os Guns N’Roses, viva a Ilha do Amor, viva a irreverência de nossas meninas.
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