A responsabilidade de quem é gestor de um sodalício

CARLOS FURTADO*
Após 35 anos de efetivo serviço na Polícia Militar do Maranhão, sendo três décadas no Oficialato, desde cedo passei a entender e compreender que a gestão é um sacerdócio.
O gestor independente da denominação:
– Administrador: Focado na gestão geral e recursos.
– Gerente: Responsável por equipes, metas e processos.
– Diretor: Nível hierárquico superior, com visão estratégica.
– Líder: Focado na influência, motivação e desenvolvimento de pessoas.
– Supervisor/Coordenador: Focado no acompanhamento direto das tarefas operacionais.
– Dirigente/Comandante: Termos mais formais para quem dirige.
– CEO (Chief Executive Officer): O cargo máximo executivo, líder da estratégia.
Não importa a denominação, para a gestão de uma Academia o que se extrai é que administrar um sodalício não significa apenas ocupar um cargo honorífico ou conduzir reuniões protocolares. Trata-se de uma missão revestida de elevada responsabilidade moral, institucional e histórica.
O gestor de um sodalício torna-se guardião de princípios, valores, tradições e objetivos que transcendem interesses pessoais, exigindo equilíbrio, discernimento, espírito conciliador e, sobretudo, compromisso com a coletividade.
Cabe ao dirigente compreender que uma instituição cultural, literária, científica ou acadêmica se sustenta pela credibilidade de suas ações, pela seriedade de sua condução administrativa e pela capacidade de manter unidos os seus membros em torno de propósitos comuns.
O gestor precisa atuar como articulador, incentivador e exemplo permanente de ética, dedicação e respeito institucional.
A responsabilidade também alcança o campo financeiro e administrativo. A correta aplicação de recursos, a transparência nas prestações de contas, o zelo patrimonial e o planejamento estratégico constituem deveres inafastáveis de quem assume a condução de um sodalício. Não há espaço para improvisações irresponsáveis quando o nome e a história de uma instituição estão em jogo.
Além disso, o verdadeiro gestor compreende que liderar é servir. É ouvir críticas, acolher sugestões, estimular talentos e valorizar os confrades e confreiras que ajudam a construir diariamente a história da entidade. Muitas vezes, será necessário abdicar de interesses pessoais, sacrificar tempo familiar e suportar incompreensões em prol do fortalecimento institucional.
Outro aspecto relevante reside na preservação da memória e da identidade do sodalício. Cada documento, cada solenidade, cada obra produzida e cada ato administrativo passam a integrar o patrimônio histórico da instituição. Assim, o gestor precisa agir com responsabilidade histórica, consciente de que suas decisões repercutirão nas futuras gerações.
Por fim, quem assume a gestão de um sodalício deve ter plena consciência de que liderar uma instituição dessa natureza é exercer um sacerdócio cívico e cultural. É carregar o dever permanente de honrar o passado, fortalecer o presente e preparar o futuro, mantendo viva a chama dos ideais que deram origem à entidade.
*Cel. veterano da PMMA, presidente da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares (Amclam), presidente da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal (Almebras).
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