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E o Brasil, ainda tem jeito?

SEBASTIAO UCHÔA
Advogado do Escritório Uchoa, Nascimento e Soares Advocacia, delegado da Polícia Civil aposentado e ex-secretário de Justiça e Administração Penitenciária do Maranhão.

O Brasil vem passando por inúmeros testes de resistência à sua existência, enquanto Estado soberano e nação politicamente organizada, considerando os últimos fatos nacionais envolvendo, novamente e sem esperança de mudanças, os Poderes da República em situações deveras vexatórias nos aspectos éticos, morais e, até mesmo, legais que só o amanhã poderá bem assentar os piores resultados.

No fundo, há um evidente convite às lembranças dos escritos nas profecias já assentadas no conto “Os Bruzundangas”, do nosso saudoso Lima Barreto, escrito em 1898, onde consta toda a forma originária por que se organizaram as instituições republicanas nos seus mais diversos mecanismos de dribles à ética, à moral e à legalidade no emergente gigante republicano da América Latina, chamado Brasil.

Em tempos atuais, casos como “Petrolão”, “Mensalão”, furtos nas aposentadorias do INSS, “Banco Master”, são assuntos que dominaram e dominam as manchetes nacionais nesses últimos quinze anos, em tons que confirmam de que Barreto, realmente, fora um profético ao asseverar que no país das “pelotiquices é preciso manobras sutis para que tudo aparente como certo, correto, transparente etc.”.

Mas só nas aparências mesmo, pois, por trás dos bastidores dos Poderes republicanos, residem os vermes travestidos de humanos, mas que no fundo, tarde ou cedo, são e serão revelados ao país por consequência da lei natural que nada fica impune aos olhos da Justiça além-humana, sobretudo.

Interessante que as carnes dadas aos vermes serão objetos de cultos em funerais do por vir, quando se tornarão cadáveres no curso da vida densa porque em passagem rápida estão por estas paragens. É de se pensar como fica a mente de um ser humano que assim opta na senda da caminhada da vida, quando caminhos do estilo de vida deploráveis escolheram percorrer, enquanto estão e estiveram por aqui?…

Há uma sensação de miscelânia existencial no campo da socialidade do nosso povo, mais precisamente dos que deveriam ser referências diante da condução da coisa pública no país. E o mais grave, abre-se e se fecha noticiários nacionais, praticamente em estágios de reiterações tendo como motes centrais, reiteradas condutas delitivas, imorais e aéticas dentro dos poderes públicos nos âmbitos federal, estaduais e municipais, na forma recorrente como se uma cartilha em lugar comum existisse no formato de um manual para investidura nos cargos públicos em nosso país.

O mais grave é que praticamente no Brasil de 2026, não se vislumbra esperanças por dias melhores, uma vez que há vermes para todos os lados. E os que não sejam e rezem nas cartilhas, a marginalização deles, impõe-se em grau preocupante de um isolamento proposital.

Estamos num ano atípico na rotina do país, não somente por termos um “ópio do povo” ante à chamada Copa do Mundo que se avizinha, mas também pela já contaminada pré-campanha dos prováveis “algozes” representativos do por vir sejam pelos futuros chefes dos Executivos Nacional e estaduais, mas também com a renovação ou recondução dos parlamentos nos dois níveis de entes públicos que representam a organização política-administrativa-democrática do nosso, ainda, país.

No fundo, de uma sociedade adoentada em alienações diversas, pouco se pode esperar de mudanças reais da nau Brasil rumo a portos seguros da ética, moralidade e legalidade. Feliz e cirúrgico foi o filósofo alemão Theodor Adorno como crítico da cultura de massa e da sociedade moderna ao asseverar que “não há vida verdadeira da falsa”, ou seja, de fato não existe autenticidade em um sistema social distorcido, bem aplicável ao nosso combalido Brasil dos novos tempos.

O gravíssimo é que por onde se cogita ou cogitava saída ou saídas, não se ver esperança: o que seria uma, em estado de mortificação moral se encontra, justamente o sistema de justiça que anda de mal a pior, vide os últimos escândalos com ares de resolutividade diferida ou até mesmo natimorta; enquanto nas demais instituições republicanas, a patologia da ganância, omissões e maldades afins, perduram por falta de exemplos, auto-regulamentação à altura e sedes. Contudo, generalizar, ainda é permitir injustiça; no meio dos maus, há, sim, os bons, pena que encurralados ou calados por força das circunstâncias. Assim, do jeito que vai, resta a pergunta: e o Brasil, ainda tem jeito?

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