Por que me identifico com a direita

CARLOS FURTADO*
Minha identificação com a direita não nasce do extremismo, do ódio ou da negação do outro, mas da formação de valores, da experiência de vida e da observação concreta da realidade social e institucional brasileira.
Trata-se de uma escolha consciente, pautada na responsabilidade, na ordem, na liberdade e no respeito às instituições.
Ao longo de minha trajetória pessoal e profissional, especialmente após 35 anos dedicados ao serviço público na Polícia Militar, aprendi que não há justiça social possível sem ordem, nem liberdade verdadeira sem responsabilidade individual. A defesa da autoridade legítima do Estado, quando exercida dentro da legalidade e do respeito aos direitos fundamentais, é condição essencial para a proteção dos mais vulneráveis e para a preservação do tecido social.
Identifico-me com a direita por compreender que o Estado deve ser forte onde é essencial, como na segurança, na Justiça e na garantia de direitos fundamentais, mas contido onde sufoca a iniciativa, a liberdade e o mérito.
Acredito que o trabalho honesto, o esforço individual e a disciplina devem ser reconhecidos e valorizados, sem que isso signifique indiferença social ou desprezo pelos que mais precisam.
Também me identifico com a direita por defender a família, a tradição, a fé e os valores morais, como pilares civilizatórios que não se opõem ao progresso, mas o sustentam.
A história demonstra que sociedades que rompem abruptamente com seus fundamentos éticos e culturais tendem à instabilidade e à perda de referências.
No campo institucional, minha posição se ancora na defesa do Estado Democrático de Direito, da legalidade, da segurança jurídica e do respeito às normas.
Rejeito o relativismo jurídico, a seletividade moral e o uso ideológico das instituições. Entendo que a lei deve valer para todos, sem privilégios ou exceções convenientes.
Ser de direita, para mim, não é negar políticas sociais, mas defendê-las com responsabilidade fiscal, eficiência e foco em resultados concretos, evitando o assistencialismo permanente que aprisiona em vez de emancipar.
A verdadeira justiça social não se constrói apenas pela redistribuição, mas pela criação de oportunidades reais de autonomia e dignidade.
Minha identificação com a direita é fruto de convicção, experiência e coerência com os princípios que sempre nortearam minha vida: honradez, disciplina, respeito, fé, trabalho e compromisso com o bem comum.
Não se trata de rótulo, mas de uma visão de mundo que busca equilíbrio entre liberdade, ordem e justiça.
*Historiador e bacharel em Direito.
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