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Encontro em um domingo chuvoso

LUIZ THADEU NUNES E SILVA
Engenheiro Agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.           
Instagram: @Luiz.Thadeu                   
Facebook: Luiz Thadeu Silva
E-mail: [email protected]

Há um equívoco persistente — e profundamente limitador — na forma como a maioria das pessoas enxerga os mais velhos; especialmente, quando se trata de sexualidade.

Em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, a sexualidade está associada à juventude. Como se somente os jovens pudessem aproveitar os prazeres da carne. Ledo engano. Se isso existiu, faz tempo que mudou.

Se antes a vovó fazia crochê e o vovô vivia de ceroulas no sofá; hoje, não mais. Vovô e vovó estão na academia, na praia, em bares… Na pista.

Hoje, em qualquer faixa etária, mulheres e homens procuram se manter firmes, fortes, ativos, saudáveis e atraentes; e, com seus corpos, buscarem prazer. Não mais o prazer da luxúria, mas do bem estar, da sedução, do aconchego, do afeto.

Bem aventurados os que fizeram da passagem do tempo um aliado, adquirindo sabedoria, confiança, conhecimento, para usufruir, como cantou Rita Lee, a eterna roqueira: “Eu quero mais é saúde para gozar no final”. Mesmo corpos gastos pela passagem inexorável do tempo, sabem usufruir das boas coisas da vida.

Domingo, tempo nublado, intercalado por sol tímido e orvalhos espaços, eles se encontraram. No outono da vida, classificados segundo o IBGE, como idosos: “todos mamíferos e bíceps, que ultrapassaram 60 anos”. Sem ligarem para rótulos, seguem com tesão pela vida, achando-se “seminovos”, prontos para apreciar o que o que há de melhor: boas conversas, bons vinhos, boas comidas e, principalmente, muito aconchego e prazeres que seus corpos e suas comorbidades lhes permitem.

Maduros, chegaram na fase da vida que sabem distinguir “o que serve e o que não serve”. Sabem que não têm tempo para questiúnculas.

Certa vez, conversando com o tempo, ouvi dele: “Faz tuas escolhas, que te direi as minhas respostas”.

Estamos no tempo da colheita. Tempo em que não se fala mais em idade, mas em mentalidade. Não são os números que nos definem; mas metas, planos e projetos de vida.

Educar o olhar para o belo, para as boas e excitantes coisas da vida é qualidade de vida. Saber que o sexo, não é apenas desnudar-se de roupas, mas despir-se de títulos, preocupações, cargos, conta bancária ou outros penduricalhos desnecessários. Aprender que o desejo nasce de uma boa conversa, de um leve toque, de um olhar penetrante. Que intimidade é construída em encontros sinceros, únicos e especiais. Não precisar esperar o momento certo para realizar desejos. O momento certo pode ser um domingo nublado, longe de tudo. Uma taça de vinho, um afago, um toque, um cheiro, que resulta no elance. Quando corpos se desejam, o cérebro, mais que o coração, já indicou o caminho.

A criatividade fica por conta do desejo. Corpos ardentes se conectam, e como canta o mestre Roberto Carlos, que aos 85 anos, continua falando de paixão, desejo, cumplicidade. Um encontro de domingo, sem script, a melodia e a harmonia dos corpos falam por si.

“Nosso amor é demais, E quando a gente faz. Tudo é bem mais bonito, nele a gente se dá.  Muito mais do que está, e o que não está escrito. Quando a gente se abraça.

Tanta coisa se passa, que não dá pra falar. Nesse encontro perfeito, entre o seu e o meu peito, nossa roupa não dá. Nosso amor é assim, pra você e pra mim, como manda a receita. Nossas curvas se acham, nossas formas se encaixam, na medida perfeita. Esse amor é pra nós, a loucura que traz, esse sonho de paz, e é bonito demais, quando a gente se beija, se ama e se esquece da vida lá fora.

Cada parte de nós, tem a forma ideal, quando juntas estão, coincidência total do côncavo e convexo. Assim é o nosso amor no sexo…

Esse amor é pra nós, a loucura que traz, esse sonho de paz, e é bonito demais.

Quando a gente se beija, se ama e se esquece da vida lá fora.

Cada parte de nós tem a forma ideal, quando juntas estão, coincidência total

Do côncavo e convexo, assim é o nosso amor no sexo…”

Na cama, corpo exaustos de prazer, observam que chove lá fora.

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