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Sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem passar despercebidos até a adolescência

Gilbert, no momento com a fonoaudióloga

A necessidade de se adaptar socialmente, o esforço para acompanhar os colegas e o aumento das exigências emocionais podem tornar algumas características do Transtorno do Espectro Autista (TEA) mais perceptíveis somente na adolescência.

De acordo com a psicóloga da Hapvida, Elisângela Mourão, trata-se de uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por diferenças na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamentos, interesses ou atividades que podem ser restritos ou repetitivos. São características que se manifestam de maneiras diferentes em cada pessoa e podem exigir diferentes níveis de suporte.

“Em alguns casos, os sinais podem passar despercebidos durante a infância porque crianças e adolescentes desenvolvem estratégias para se adaptar socialmente. Esse processo é conhecido como mascaramento social e envolve esconder ou compensar determinadas dificuldades para corresponder às expectativas do ambiente”, explicou Elisângela.

O mascaramento social está mais relacionado ao TEA nível de suporte 1. “Algumas crianças e adolescentes aprendem a observar como os colegas falam, brincam, riem e interagem para tentar se comportar de maneira semelhante. Embora consigam participar de determinadas situações sociais, isso não significa necessariamente que estejam compreendendo todas as regras sociais de forma espontânea ou que essa interação aconteça sem esforço para conseguir se adaptar”, pontuou a psicóloga.

Mesmo quando algumas características passam despercebidas, determinadas dificuldades no dia a dia podem chamar a atenção das famílias. Entre elas estão dificuldades persistentes para fazer e manter amizades, maior irritabilidade, sofrimento diante de mudanças, sensibilidade a sons e texturas, queda no rendimento escolar e exaustão após situações de interação social.

A psicóloga ressaltou, porém, que esses sinais não significam necessariamente autismo. Pode ser uma ansiedade mais generalizada, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outras condições pelas quais o adolescente esteja passando. “Esses sinais, isoladamente, não confirmam o diagnóstico de autismo. Eles podem estar relacionados a diferentes condições emocionais, comportamentais ou do desenvolvimento. Por isso, a orientação é buscar avaliação profissional quando as mudanças persistem ou provocam sofrimento e prejuízos na rotina”, orientou Elisângela Moura.

A EXPERIÊNCIA DE UMA FAMÍLIA DO MARANHÃO 

No Maranhão, a experiência de uma família de Rosário, cidade a cerca de 67 quilômetros de São Luís, mostra como esse processo pode acontecer. Maria da Conceição Alves Martins é mãe de Neythan, de 19 anos; e Gilbert, de 12. O filho mais velho recebeu o diagnóstico de autismo aos 11 anos, depois de ter sido acompanhado inicialmente por TDAH. Segundo a mãe, com o avanço da adolescência, algumas mudanças de comportamento passaram a chamar mais atenção, como irritabilidade, ansiedade, sensibilidade a barulhos e tendência ao isolamento.

“Eu e o pai dele éramos leigos sobre o assunto. Até então, ele havia sido diagnosticado apenas como TDAH e nós não conhecíamos o autismo. Com Gilbert, a identificação aconteceu mais rapidamente, pois já tínhamos a primeira experiência com o TEA com o filho mais velho e procuramos avaliação especializada diante dos primeiros sinais”, explicou Conceição.

Os dois irmãos fazem acompanhamento especializado na clínica TEA da Hapvida, em São Luís. Para Conceição, o atendimento foi importante para que os filhos avançassem em aspectos que antes traziam dificuldades para a rotina, especialmente na comunicação. “A gente percebeu uma mudança muito grande depois que eles começaram os acompanhamentos. O Gilbert, por exemplo, tinha muita dificuldade para falar algumas palavras e ficava triste e com medo de ler na escola. Hoje, ele já fala muito melhor e consegue ler na frente das pessoas”, relatou.

A identificação do TEA na adolescência não significa que os sinais tenham surgido nessa fase. Em alguns casos, eles estavam presentes desde a infância, mas se tornam mais perceptíveis quando aumentam as exigências sociais e emocionais. A avaliação especializada pode ajudar a compreender esses sinais e indicar o suporte.

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