Sigo contando histórias pelo mundo

LUIZ THADEU NUNES E SILVA
Engenheiro Agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.
Instagram: @Luiz.Thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva
E-mail: [email protected]
Como viajante, vivo com um olho no calendário e outro nas promoções de passagens aéreas. A diferença entre um viajante e o turista é que o viajante viaja sempre, independente da temporada, especialmente na baixa estação. Mesmo com cheia, encontrei tempo para mais uma caminhada pelo mundo.

Luiz Thadeu com a jornalista Maripilli, do jornal ABC Color
Ao pesquisar os sites de passagens, encontrei uma passagem para Assunção, Paraguai, mais em conta que uma viagem para Fortaleza, aqui ao lado. Comprei de imediato. As pessoas sempre perguntam por que repito destinos já visitados. A resposta é clara: “coube no bolso, lá vamos nós”.
Passagens compradas, lá fui para Assunção, pela terceira vez. Agora para passar três dias. Na ida, São Luís-Rio-Assunção. Escala de algumas horas no aeroporto do Galeão; depois voo direto para a capital paraguaia. Volta: Assunção-São Paulo-São Luís. Com escala em Guarulhos, SP.

Com a jornalista Paty Benidez, no jornal Última Hora
O voo do Rio para Assunção, assim como de Assunção para SP é mais curto do que os voos de São Luís para o Rio, ou Guarulhos para São Luís.
Desembarquei em Assunção em um final de tarde com temperatura amena. Tentei pegar um carro de aplicativo que me levasse ao hotel no centro da cidade. Várias tentativas e nada. Ainda no Rio, no lounge, conversei rapidamente com um senhor que vinha da Europa com destino final Assunção. Nascido na Áustria e residente há trinta e cinco anos no Paraguai, Thomas, casou com uma paraguaia, tem duas filhas, e uma estância nos arredores da capital. Vendo que não conseguia pegar um táxi, ofereceu-me carona até o hotel. Assim vou encontrando os anjos que facilitam minhas andanças pelo mundo.
Instalado no hotel, após o desayuno, mostrei ao recepcionista os endereços dos três maiores jornais impressos de grande circulação no país.
Chama atenção a quantidade de jornais impressos e número de bancas de jornais espalhadas pela cidade. Tenho saudade das bancas de jornais aqui na Ilha do Amor.
Como as redações dos jornais ficavam próximas do hotel, fui caminhando e admirando a cidade, com seu casario preservado e colorido. Uma coisa chama atenção, especialmente para nós brasileiros, devastados pela violência urbana, é a calmaria de uma grande cidade como Assunção. Quase não há grades nas portas e nas janelas das casas.
Passear pelo centro de Assunção, é uma volta ao passado. É como retroceder cinquenta anos. Não vi pichação nas paredes; casas sem grades, e pessoas sentadas nas portas a palavrar. Quanta saudade de uma época que ficou para trás.
Sou dessa época, em que minha casa tinha muro baixo, as crianças brincavam na rua, e podia-se refastelar em cadeiras de macarrão colorido, a conversar sem se preocupar em ser assaltado.
O primeiro jornal que visitei foi o ABC Color, localizado na rua Yégros nº 745, a cinco quadras do hotel. Em circulação desde agosto de 1967, é o de maior vendagem. Fui entrevistado pela periodista, Maria Pillar, que fez uma matéria com o título “Luiz Thadeu, el brasileño que convirtió sus muletas em alas para recorrer e l mundo”.
Em seguida visitei o jornal Última Hora, localizado na Calle Benjamín Constant, nº 658. Também próximo ao hotel. Em circulação desde outubro de 1973, concorre com ABC Color em tiragem.
Fui à sede do Última Hora, onde a periodista Patrícia Benidez me entrevistou e a matéria foi publicada com o título “Luiz Thadeu: el hombre que recorre el mundo con muletas”.
A terceira entrevista foi para o jornal Hoy. Como a redação do jornal ficava longe, Av. Mariscal Media, 2948, tive ajuda do jovem Francisco.
Francisco, 27 anos, me abordou enquanto comia na lanchonete de sua família. Conversamos por alguns instantes; curioso, ele ficou interessado na minha história. Após longa conversa, pedir-lhe para entrar em contato com um periodista do jornal Hoy. Francisco contactou com a redação via celular. A entrevista foi feita pelo periodista Robert Bourgoing, via W hatsApp. Ele enviou as perguntas, respondi e lhe reenviei. A matéria foi publicada com o título “Con muletas y sin frinteras: Luiz Thadeu, um trotamundos contra lá adversidad”.
Todas as matérias ocuparam página inteira dos maiores periódicos paraguaios, ilustradas com fotografias minhas em diferentes partes do globo. Além de andar por esse mundão, no outono da vida sigo como um Forest Gump: andarilho e contador de histórias.
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