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A força do dinheiro

JOSÉ LUIZ OLIVEIRA DE ALMEIDA
Membro do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão
E-mail: [email protected]

Diante de tudo o que testemunhamos, desde sempre, creio que ninguém tem dúvidas da força do dinheiro e do que ele é capaz de fazer com a honra dos que têm ambição material desmedida; e se alguém ainda tinha dúvidas do que as pessoas, mesmo as mais improváveis, são capazes de fazer para sua obtenção, os fatos recentes se encarregaram de afastá-las, incutindo nas pessoas a grave sensação de que é verdadeira a máxima cínica segundo a qual “todo homem tem seu preço”, o que, sabemos, não é verdade.

Ante a óbvia e elementar constatação da força do dinheiro, não é demais lembrar, não obstante, que, quando a busca pelo dinheiro se torna desmedida, ela pode, dependendo das circunstâncias, destruir reputações e expor o lado mais nefasto da natureza humana. Nesse sentido, a ambição cega, aliada às facilidades do poder, é capaz de levar até o homem público de biografia mais ilustrada ao cadafalso, levando consigo sua história e até sua família, submetida aos reflexos negativos de sua falta de limites e de escrúpulos.

Quem me conhece sabe que minha ambição material sempre foi contida. Nunca tive uma relação de apego ao vil metal — até porque, tendo sido criado em um ambiente onde o dinheiro era mais valorizado do que o ser humano, sempre tive dificuldade em aceitar o “vale-tudo por dinheiro”.

Foi assim que construí minha vida e minha história: de forma modesta, consciente e regrada. Impus a mim e à minha família limites morais e materiais que nos impedem de colocar o dinheiro acima de outros valores, ainda que eu reconheça sua importância para suprir nossas necessidades básicas.

Entendo, desde muito jovem, que o dinheiro é bom e pode, de fato, proporcionar momentos de felicidade. Contudo, essa mesma felicidade momentânea, se fruto de um desvio de conduta, será destruída, mais cedo ou mais tarde, pelas consequências da ambição sem freios de quem não se impõe limites éticos, sobretudo quando exerce o poder.

Nada se compara à paz de espírito. Por isso, na minha compreensão, os que elegem o dinheiro e o conforto material como valores supremos serão, inevitavelmente, tragados pelas consequências da falta de decoro e de contenção na busca por esses “valores”.

Os exemplos estão aí para reafirmar que as consequências das atitudes de quem julga que tudo é possível em face do dinheiro, de quem, enfim, ultrapassa o umbral da moralidade para sua obtenção, irromperão mais cedo ou mais tarde, impondo um duro revés ao ambicioso: primeiro com a punição moral, que precede a formal; depois, com o impacto devastador que as revelações dos desvios trarão à sua família e à sua biografia.

A grande constatação é que o dinheiro não apenas corrompe, mas revela o caráter. Quem tem valores bem sedimentados os mantém intactos, qualquer que seja a tentação do poder. Já quem mantém uma postura correta apenas por falta de oportunidade abandona os princípios na primeira esquina.

É uma ilusão pensar que as consequências do enriquecimento ilícito são proporcionais aos valores amealhados. Não são. O preço cobrado na moeda da desonra e da punição moral é infinitamente mais relevante do que os bens materiais acumulados com os desvios de conduta.

Há pessoas que passam a vida toda construindo uma biografia respeitável. Nesse sentido, trabalham, vencem dificuldades, conquistam posições, fazem amigos, recebem homenagens e acumulam o que deveria ser o seu patrimônio mais valioso: o respeito dos concidadãos. Em determinado dia, descobre-se que alguém, em face do dinheiro, ultrapassou fronteiras, destruindo a sua biografia pelos excessos, ante a compreensão de que prestígio é poder e de que poder é licença para tudo. Mas não é. Para tudo há limites. E quem não se impõe limites paga um preço alto.

A vida ensina aos desavisados: basta uma má escolha, um negócio equivocado, um favor inconveniente, uma concessão moral ou uma decisão na crença de que os limites só existem para os outros para que sua biografia seja tisnada. Dessa mácula, por mais que tentem, jamais se libertarão.

É isso.

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