Adeus às divas: Laura Cardoso e Glória Menezes

LUIZ THADEU NUNES E SILVA
Engenheiro Agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.
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No curto espaço de quinze horas, duas estrelas de primeira grandeza da dramaturgia brasileira partiram.
Acordei com a notícia da morte de Laura Cardoso, ocorrida no final da noite do dia 17/08. No final da tarde de 18/08, foi noticiada a morte de Glória Menezes. Ambas nonagenárias: Glória, 91; Laura, 98. Longevas e produtivas. Partiram; ficaram seus legados nos palcos, nas telas de TV e cinema.
Laura Cardoso (1927–2026), nascida Laurinda de Jesus Cardoso, em São Paulo, foi uma das maiores atrizes da história da dramaturgia brasileira. Pioneira do rádio, do teatro e da televisão, atuou em mais de 60 novelas ao longo de uma carreira brilhante de oito décadas.
Laura começou a atuar na adolescência no rádio (Rádio Cosmos) aos 15 anos, em SP, enfrentando os preconceitos da época contra mulheres na profissão.
Adotou o nome artístico Laura Cardoso e passou por emissoras como a Rádio Tupi.
Estreou na televisão em 1952 na TV Tupi, participando do programa “Tribunal do Coração”. A partir daí, passou por diferentes emissoras, como Tupi, Record, Excelsior, Bandeirantes e Cultura. Também participou de teleteatros e novelas durante as primeiras décadas da televisão brasileira.
Entre os trabalhos desse período estão “Um Lugar ao Sol” (1959) e “Ídolo de Pano” (1975).
Convidada pelo diretor Daniel Filho, estreou na TV Globo em 1981, onde trabalhou em Brilhante, novela de Gilberto Braga.
Destacou-se em papéis marcantes na televisão, como em “Mulheres de Areia” (1993), “Pão-Pão, Beijo-Beijo” (1983) e “A Dona do Pedaço” (2019).
Glória Menezes nasceu em 19 de outubro de 1934 em Pelotas, no Rio Grande do Sul, com o nome de Nilcedes Soares Guimarães. Filha de José Nilo e Mercedes, imigrantes portugueses no Brasil. O seu nome de batismo é resultado da junção dos nomes de seus pais. Quando tinha apenas seis anos de idade, em 1940, mudou-se para São Paulo, onde passou a maior parte de sua juventude.
Na capital paulista, cursou a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo e fundou o grupo teatral Jovens Independentes, onde deu seus primeiros passos no teatro profissional ao lado de nomes como Juca de Oliveira. Em uma entrevista, ela contou que teve que trocar o nome profissional por seu nome incomum de batismo. “Eu tive que trocar. Resolvemos botar Glória, porque Glória é Glória em qualquer idioma. E Menezes, por causa das minhas raízes portuguesas e porque completa treze letras. Dá sorte”, contou Glória em uma entrevista.
Glória Menezes foi atriz de primeira grandeza. De grande beleza e expressividade, transmitia um magnetismo excepcional, impossível de passar despercebido. Na tela pequena da televisão dos anos 1960, em preto e branco, até os anos 1990, essa qualidade que Glória e outros tantos talentos, femininos e masculinos, exibiam se tornou um bem de grande valor. Sua estreia na televisão logo em seguida na TV Tupi ao interpretar Eloá na telenovela Um Lugar ao Sol, também em 1959, onde foi dirigida por Dionísio Azevedo.
Contratada pela TV Excelsior em 1963 para protagonizar a novela 2-5499 Ocupado, um romance escrito por Dulce Santucci. A produção marcou o início da longa parceria com Tarcísio Meira, com quem formou pares românticos de sucesso inúmeras vezes, e transformou o modo de produzir novelas no Brasil. Com Tarcísio Meira, morto em agosto de 2021, formou o par romântico de maior destaque da TV brasileira.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira na televisão, Glória Menezes participou de mais de 40 novelas, além de atuar em séries, minisséries, teleteatros e dezenas de peças de teatro e filmes.
Muito da dramaturgia brasileira se deve a essas duas estrelas.
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