Mota, onde tudo começou

MARIZA GARCIA*
O Mota é uma comunidade formada numa pequena extensão de terra, à qual pertence ao município de Cururupu, no Maranhão. O acesso é feito pelo Rio Cururupu e por terra. Fica a uns quinze quilômetros da Vila-Cururupu. O transporte para chegar até esse “paraíso” é via canoa a remo, barcos movidos a motor, voadeiras, carro de boi ou andando pelos caminhos íngremes existentes.
Quando morava nessa comunidade, eu gostava de ir andando do Mota para a Vila ou vice-versa, era uma viagem gostosa, demorada, apreciando toda beleza aérea e terrestre das árvores com suas copas reprodutivas e belos troncos, fincados pelas suas raízes, era só alegria! Corríamos eu e meus irmãos quase todo o caminho, éramos crianças, e nessa fase tudo é festa, tudo é belo! Casas nem se via, (década de 1960), existiam poucos habitantes, isso tornava a viagem mais misteriosa e fantasmagórica criada pela ilusão de nossa ótica, principalmente quando chegávamos tarde da noite.
Naquele pedacinho do céu, paradisíaco, por mais que descrevamos, nunca chegaremos ao “pé” da sua beleza e encantamentos! Pense caro leitor, numa casinha de barro (taipa) coberta de palha, chão batido, muito humilde, para lá que íamos com tanto regozijo! Era a casa mais bonita para mim naquele lugar, ficava à beira do Rio Cururupu.
O Mota nos oferecia coisas ímpares, que nunca tive a possibilidade de ver tão belas em nenhum outro lugar: Pássaros revoando de todas as espécies bem pertinho das pessoas, gorjeios de todas as formas, sons rápidos e perfeitos. As borboletas, de cores variadas também revoavam. Imaginem este cenário! Árvores frutíferas em grandes variedades, farfalhavam num som de uma música em perfeita harmonia, como se fosse mágica.
As águas tão cristalinas dos rios, refletiam nossa imagem como de príncipes e princesas! As águas salgadas do Rio Cururupu batiam nas pedras à beira-mar, rejubilando-se com seu movimento e jogando gotículas de água nos observadores. Os barqueiros passavam cantando, disfarçando a noite intensa de pescaria, sem nenhum cochilo, para não perderem o peixe e a direção da canoinha a remo.
Esse é o lugar que nasci com mais cinco irmãos, o sétimo nasceu na Vila de Cururupu. Minha mãe era a professorinha do lugar. Meu pai naquela época era pescador e agricultor. Crescemos fortes e abastecidos por tudo que a “mãe natureza” nos dava. Nunca reclamamos da “sorte”, porque ela viveu e vive conosco o tempo todo. Viva o Mota!
*Escritora, autora do livro Fragmentos, membro fundador da Academia Cururupuense de Letras (ACL).
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