Fechar
Buscar no Site

Uma noite na Boate Gênesis

JOSÉ DE RIBAMAR MALHEIROS*

Há noites que terminam quando as luzes se apagam. Outras, porém, permanecem acesas na memória. A sexta-feira especial da AABB São Luís foi uma dessas noites.

Bastava atravessar a entrada para compreender que o tempo havia decidido fazer o caminho de volta. Não era apenas um salão cuidadosamente decorado; era um portal para as décadas de 1970 e 1980, quando a música tinha o poder de reunir gerações, a pista de dança era um território de liberdade e a alegria dispensava qualquer convite.

As luzes riscavam o ambiente em movimentos incessantes. Feixes brancos, azuis, amarelos e rosas cruzavam o salão como estrelas em uma constelação particular, desenhando um céu onde cada brilho parecia despertar uma lembrança adormecida. Não iluminavam apenas a pista; iluminavam histórias, reencontros e emoções guardadas no coração de cada participante.

Então vieram os primeiros acordes da banda Máquina do Tempo. O nome não poderia ser mais apropriado. A cada canção, os anos pareciam desfazer a distância entre o ontem e o hoje. Os corpos voltavam a dançar com a leveza da juventude, as vozes encontravam antigos refrãos e os sorrisos revelavam que algumas músicas jamais envelhecem. Elas apenas esperam o momento certo para renascer.

Quando o DJ assumiu o comando da festa, a nostalgia encontrou um novo ritmo. A pista rapidamente se transformou em um mosaico de brilho, cores e movimentos. Os paetês refletiam as luzes, os figurinos homenageavam uma época inesquecível e cada dança parecia contar uma história vivida ou sonhada. Por algumas horas, ninguém se preocupou com o relógio. Afinal, quando a felicidade ocupa o salão, o tempo apenas observa.

A Boate Gênesis foi muito mais do que um tema. Foi o reencontro com uma geração que aprendeu a celebrar a vida através da música, da amizade e da convivência. Foi a certeza de que certas lembranças nunca envelhecem, apenas aguardam uma nova oportunidade para voltar a dançar.

Ao final da noite, quando a última música silenciou e as luzes começaram a diminuir, cada pessoa levou consigo algo invisível, mas precioso: a sensação de ter vivido um tempo em que a felicidade parecia caber inteira em uma pista de dança.

Eventos assim não acontecem por acaso. São frutos do empenho de pessoas que acreditam no poder da convivência e da celebração.

Merecem, portanto, o reconhecimento Félix Pinto e João Alberto, gestores da AABB São Luís, que transformaram uma simples sexta-feira em uma viagem inesquecível pela trilha sonora da vida.

Porque existem noites que passam. E existem noites que permanecem dançando na memória.

*Membro efetivo e perpétuo da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares (Amclam), titular da cadeira nº 17, patroneada pelo Cel. PMMA Alberto Corrêa Maia. Graduado em Segurança Pública, tecnólogo em Informática, graduado em Direito, pós-graduado em Trânsito e Transporte, Aperfeiçoamento de Oficiais, Curso Superior de Polícia.

O conteúdo deste blog é livre e seus editores não têm ressalvas na reprodução do conteúdo em outros canais, desde que dados os devidos créditos.

mais / Postagens