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Frederico Brandão prepara-se para lançar livro autobiográfico no começo de 2022

O ex-deputado Frederico Brandão, aos 85 anos de idade, acaba de concluir seu ensaio autobiográfico


Um dos intelectuais mais ilustres de Caxias, o advogado e ex-deputado Frederico Brandão está concluindo os originais de seu mais novo livro, intitulado “As quatro estações de JR”. Trata-se de um brilhante ensaio autobiográfico, que pretende ser o memorial de um personagem real: o caxiense JR, apresentando por um narrador. Inclui suas lembranças desde os primeiros anos da infância e, daí, em sequência, vencendo a adolescência e a vida adulta até os nossos dias.
Este livro de memórias trata ainda de uma geração de caxienses que nos legou realizações e exemplos; e de uma cidade que teima em permanecer a mesma na memória de um de seus sobreviventes.
Só para lembrar: Frederico Brandão, filiado ao MDB, exerceu o mandato de deputado federal por São Paulo na legislatura de 1975 a 1979.
Na gestão do governador João Castelo, seu amigo e conterrâneo, Frederico Brandão foi diretor-presidente da Companhia de Colonização e Terras do Maranhão (Coterma), órgão vinculado à Secretaria do Interior, cujo secretário era Fernando José Machado Castro.
Frederico JR Brandão, como ele gosta de ser chamado, nasceuno dia 2 de maio de 1936 em Caxias, onde passou a maior parte da infância, a adolescência e o início da vida adulta.
Enquanto completava os estudos primários e ginasiais, viveu intensamente as circunstâncias próprias desse período de transição, quando pôde formar um círculo de amizades bastante amplo, além de estabelecer referências definitivas com a cidade, às quais se ligou sentimentalmente em definitivo.
No início da década de 1950, veio para São Luís, onde completou o Curso Cientifico e prestou o Serviço Militar no 24º BC. Em 1959, entrou para a Faculdade de Direito. Ali, no ano de 1960, começaria sua acidentada jornada na política, iniciada com a eleição à presidência da UME (União Maranhense dos Estudantes), representativa dos estudantes universitários de então. No ano seguinte, foi eleito secretário geral da UNE (União Nacional dos Estudantes), representando o Maranhão.
Logo no início do mandato, a diretoria enfrentou a primeira tentativa de golpe militar para impedir a posse do vice-presidente João Goulart: o presidente eleito, Jânio Quadros, havia renunciado. A intentona foi frustrada, entretanto, diante da resistência de setores militares e civis sob a liderança de Leonel Brizola, tendo a UNE participado intensamente na mobilização dos estudantes brasileiros contra o golpe.
Concluiu o curso de Direito na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1964, para onde já havia se transferido em 1962. Exatamente em 1964, o golpe, antes frustrado, afinal venceu, iniciando um período de violência física contra os inconformados e contra as instituições, como o Parlamento e o Judiciário. Em consequência, não pôde retornar ao Maranhão, onde o esperavam os militares, certamente para submetê-lo aos mesmos constrangimentos que dedicaram a muitos companheiros de militância política que estavam por aqui. Foram muitos, também, os que migraram para outros estados.
Chegou a São Paulo no início de 1965, onde somente conhecia a família de uma namorada caxiense, que, recentemente, havia se transferido de Caxias. Entrou, por concurso público, para o Banco do Estado de São Paulo no mesmo ano. Em 1967, foi eleito para presidir o Sindicato dos Bancários; em 1969, eleito para a diretoria da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso e para o Conselho de Representantes da Confederação Nacional dos Bancários.
Em 1970, apesar do Ato Institucional nº5 dos militares, e de todas as provocações policiais do período, foi candidato a deputado federal pelo MDB, ficando numa das primeiras suplências. Em 1971, foi sumariamente destituído dos mandatos sindicais que exercia pelo Ministério do Trabalho, sem processo e contraditório, como costumeiro do regime e do período.
Mudou da capital para Guarulhos, por onde, em 1974, foi eleito deputado federal. Exerceu o mandato em Brasília até o ano de 1979. No final daquele ano, a convite do amigo João Castelo, que havia assumido o governo, retornou ao Maranhão.
Aos 85 anos de idade, diz Frederico: “Nos últimos anos, depois de permanecer por algum tempo na atividade político-partidária, me recolhi e venho me dedicando àquilo que é próprio da idade: cuidar da saúde, ler e escrever, além de manter maior proximidade com a família etc. Consegui editar três livros e tenho pronto um ensaio autobiográfico que recolheu o que pude guardar na memória durante essa caminhada pessoal que já se faz longa”. Eis aqui boa parte de sua produção literária:

“As quatro estações de JR”

Entende o autor que a vida humana se desenvolve e se completa na sucessão de fases distintas. É como se repetisse as “estações da natureza”. Primavera: a infância, a adolescência; Verão: a vida adulta, realizações, vitórias, derrotas; Outono, a aproximação do declínio físico, ilusões perdidas, sonhos inalcançados; Inverno – o tempo derradeiro.
Este livro pretende ser o memorial de um personagem real: o caxiense JR, apresentando por um narrador. Inclui suas lembranças desde os primeiros anos da infância e, daí, em sequência, vencendo a adolescência e a vida adulta até os nossos dias.
Trata ainda de uma geração de caxienses que nos legou realizações e exemplos; e de uma cidade que teima em permanecer a mesma na memória de um de seus sobreviventes.

“Os construtores de pontes” (duas edições)

Um dia, numa reunião no Sindicato dos Bancários de São Paulo, especulávamos sobre como a posteridade receberia os esforços daquela geração para sair da atmosfera sufocante, violenta, que o regime militar impunha aos brasileiros.
Quem sabe, apenas seríamos vistos com simples “construtores de pontes”, que, lançadas sobre os abismos institucionais de então, permitiriam aos brasileiros atravessá-las para a redemocratização.
O livro cobre um período de 20 anos de militância política do autor, desde o movimento estudantil, passando pela atividade sindical e chegando ao Parlamento nacional. E pretende, acima de tudo, homenagear a luta, o sacrifício com sangue de muitos brasileiros; principalmente, os que não conseguiram alcançar o outro lado. Termina com a volta ao Maranhão do autor no final dos anos 1970.

“1930: Uma revolução brasileira” (duas edições)

Trata da primeira e única revolução nacional feita no Brasil. Cobre um período que vai da Proclamação da República até o final do “Estado Novo” de Vargas, em 1945.
O livro inclui toda a agitação desse período: Canudos; rebeliões populares, Revolta da Armada; o surgimento do movimento sindical, as greves; a fundação do Partido Comunista no Brasil; os levantes militares da década de 1920, a Coluna Prestes; a vitória da Aliança Liberal de Vargas em 1930; o período Vargas, 1930-1945: a “revolução constitucionalista” de São Paulo, em 1932; a Constituinte de 1934; o ‘Estado Novo’ de Vargas em 1937; o levante integralista de 1938; a queda de Vargas em 1945.
Trata também da revolução no nosso Maranhão, logo frustrada em seus objetivos. O livro está alicerçado em documentos importantes de época, para melhor vislumbrar e compreender fatos e personagens.

“Doutor Osano”

Ensaio biográfico sobre um farmacêutico, filho de Colinas, que, uma vez formado, dedicou-se, por toda a vida, a servir seus conterrâneos, numa cidade ainda carente de estrutura médico-hospitalar capaz de um atendimento seguro.
Doutor Osano tornou-se figura imprescindível em sua comunidade, sendo, por vezes, em situações de extremo risco, levado a efetuar procedimentos além de seu alcance profissional, ou o paciente perderia a vida.
Estudioso, competente e ético, soube manter-se prestigiado e amado pelo povo de Colinas e daquela parte do sertão maranhense. Ao falecer, tornou-se uma lenda e ainda é invocado pelos que sofrem. Doutor Osano era tio de Frederico Brandão e muito o ajudou na infância.

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