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O repórter e o fotógrafo que ficaram bem pertinho do Papa

O repórter Manoel Santos Neto e o fotógrafo A. Baeta reencontram-se no mesmo local onde fizeram a cobertura da missa do Papa


Era uma manhã de sol quente em São Luís. Segunda-feira, 14 de outubro de 1991. Dois profissionais do jornalismo impresso, o repórter Manoel Santos Neto e o fotógrafo A. Baeta, estavam estrategicamente posicionados para o registro de uma cena memorável: a missa campal celebrada pelo Papa João Paulo II no altar-monumento erguido no Aterro do Bacanga.
Havia no local cerca de 300 mil fiéis para assistir à histórica celebração. Estava em São Luís, bem pertinho, um homem nascido como Karol Wojtyla, o padre polonês de hábitos singelos e uma trajetória de resistência a dois flagelos do século 20: o nazismo e o comunismo.
Foi emocionante estar ali, assim tão pertinho de uma das maiores personalidades da História recente. O repórter Manoel Santos Neto e o fotógrafo A. Baeta tiveram o privilégio de fazer ampla cobertura da visita do Papa ao Maranhão e guardaram para sempre aquela cena inesquecível: a presença física de um homem carismático e determinado. Um personagem histórico.
Na homilia, o Papa condenou o divórcio como solução para os problemas do casamento. E mencionou também os muitos problemas que afligem não só o Maranhão como outras regiões brasileiras. E citou os sem-terras, a despreocupação com o sofrimento dos pobres e a questão dos povos indígenas. Foi uma tomada de posição em favor dos mais necessitados – muitos deles à frente do altar.
Onze anos depois da sua primeira visita ao Brasil, João Paulo II voltou a empolgar as multidões. Inúmeras vezes, ao fim das homilias, o Papa ouviu acordes de uma canção que marcou a sua maratona no país, em 1980. Os fiéis não esqueceram os versos: “A bênção, João de Deus, nosso povo te abraça” e esta foi a trilha da emoção.
Em momentos como este, em São Luís, o Sumo Pontífice mostrou aos católicos brasileiros que as suas energias na época se voltavam para dois objetivos: a evangelização e a defesa da dignidade humana. A voz do pastor aliava-se à determinação do líder de milhões de pessoas.
O Papa João Paulo II desembarcou em São Luís na noite de 13 de outubro de 1991, por volta de 21h10, no Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado (Tirirical). A chegada estava programada para as 20h30, mas um defeito na janela do co-piloto do Boeing presidencial, no aeroporto de Natal, local da escala anterior do Papa, atrasou a viagem em aproximadamente uma hora.
O Sumo Pontífice foi recebido por diversos religiosos, como o Arcebispo metropolitano, Dom Paulo Ponte, e por autoridades como o governador Edison Lobão e o prefeito de São Luís, Jackson Lago, que lhe deram as boas-vindas no momento do desembarque.
Um grande número de pessoas, entre convidados do Governo do Estado, jornalistas, funcionários da Infraero e pessoal de serviço, acompanhou o desembarque do Papa, que foi cercado de rigoroso esquema de segurança.
Depois de chegar a São Luís, o Papa João Paulo II aclamado publicamente pelos maranhenses, que ficaram horas esperando nas ruas e avenidas pela passagem do Sumo Pontífice.
Durante 50 minutos, o papamóvel, a uma velocidade de 25 km/h, percorreu as avenidas Guajajaras e Jerônimo de Albuquerque, os bairros do entorno do Tirirical, Cohab, a Avenida Castelo Branco, no São Francisco, Centro da cidade, até chegar à Igreja de Santo Antônio, onde ficou 10 minutos em oração.
Foi um momento inesquecível. Durante a passagem pelas principais avenidas de São Luís, João Paulo II foi aclamado por cânticos e bandeiraços. Refrões de hinos católicos como “A bênção, João de Deus, nosso povo te abraça”, eram entoados nas ruas da capital maranhense.
A emoção que tomou conta dos fiéis naquele momento foi tamanha que alguns chegaram a desmaiar e tiveram que ser socorridos por equipes da Polícia Militar do Estado.
O Papa João Paulo II chegou ao Seminário Santo Antônio por volta das 22h20, ocasião em que foi recepcionado por 250 seminaristas. Nos instantes em que o Sumo Pontífice ficou no templo, uma multidão aglomerou-se para vê-lo antes que ele se recolhesse aos aposentos especialmente preparados para sua estada em São Luís.
No dia seguinte – 14 de outubro de 1991 -, 300 mil fiéis assistiram à missa campal celebrada no altar-monumento erguido no Aterro do Bacanga, agora batizado de Parque João Paulo II.
Os 40 padioleiros do serviço de apoio atenderam a 320 pessoas durante as três horas de permanência do Papa no local. Segundo os coordenadores, eram em sua maioria pessoas que estavam com fome por terem saído de casa muito cedo sem fazer uma alimentação mais forte.

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