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Aumento de casos de Covid leva a capital do Amazonas à falta de oxigênio hospitalar

O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Vianna, alertou sobre os riscos na diminuição de oferta dos níveis de oxigênio para os pacientes como forma de racionamento.
“Se eu tenho paciente com comprometimento pulmonar de 70%, 80% e eu não der oxigênio a ele 100%, eu não estou ajudando-o, eu estou inclusive causando lesão cerebral porque ele não consegue oxigenar direito com 25%, com 30% de oxigênio, e aí vai ter sequela, vai ter uma parada respiratória, parada cardíaca e vai morrer. Estamos vendo cenário de guerra, é preciso que as pessoas acreditem”, apelou o médico.
Apesar dos casos de mortes pela falta do oxigênio, Vianna contou que alguns pacientes foram salvos por serem colocados em ventilação manual, para que pudessem receber pelo menos o ar ambiente, já que não havia mais oxigênio. “Porque tem alguns pacientes que estão intubados e não conseguem manter sua respiração sem a máquina. A máquina funciona com eletricidade e com pressão de oxigênio.”
Ele relatou que ontem pacientes precisaram ser ambuzados – receberam oxigenação de forma manual – pelos profissionais de saúde e pelos próprios familiares. “Ontem [foram ambuzados] e acredito que hoje continua a acontecer porque continua tendo deficiência de oxigênio em várias unidades”, disse. No entanto, a medida tem suas limitações, já que uma pessoa não consegue realizar a ventilação manual por muito tempo seguido.
“Em média, se a pessoa for forte e bem preparada, ela consegue ambuzar uma hora talvez duas horas sem parar, mas não consegue mais do que isso porque há um esgotamento da musculatura das mãos, são movimentos repetitivos e que a mão da pessoa entra em esgotamento. Pode ser um atleta de alta performance, mas ele não consegue ficar ambuzando durante horas seguidas”, explicou.
Vianna contou que o uso de um cilindro em esquema de revezamento entre dois a três pacientes está sendo feito de forma frequente, mas que a medida não está sendo suficiente. “Por mais cilindros que tenha, eles acabam rapidamente e você não consegue ter um quantitativo de cilindro para atender todos os doentes. Com certeza, nesse momento, vários pacientes estão com deficiência de oxigênio.”
A estudante Cibele Nogueira, 35, começou a corrida por um cilindro de oxigênio antes mesmo de a mãe precisar, por causa do medo de depender da oferta nos hospitais. “Eu encontrei hoje pela manhã, através de uma distribuidora, e fui muito rápida, tem que correr, é que nem ouro”, contou. A partir do momento em que a mãe testou positivo para covid-19, ela saiu à procura do insumo.
“As pessoas estão desesperadas atrás de oxigênio, oxímetro também, estão sentindo dificuldade de encontrar. Eu me antecipei para ter mais garantia porque ela já está sentindo cansaço, aquela dificuldade, ela não está em um período grave, mas ela já está naquele caminho. Para eu não correr o risco de perder a minha mãe, de chegar no pronto socorro e encontrar as portas fechadas, então já me precavi, estou cuidando dela em casa”, contou.
O tratamento está sendo feito em casa e, caso a mãe precise do oxigênio, ela contou que contará com o apoio de uma pessoa na família que é enfermeira. “Em nome de Jesus talvez a gente nem chegue [a usar]. Se sobrar, a gente manda para outra pessoa”, disse Cibele. Ela contou que o aluguel por dez dias custa em torno de R$ 1,5 mil. (Agência Brasil)

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