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Chico Viana divulga propostas de campanha à Câmara de São Luís

Aos 73 anos, Chico Viana luta com o sonho de se eleger vereador nestas eleições


Chico Viana é um jornalista que deu certo como médico. De Timon, onde começou em 1962 no jornal “Folha da Manhã” foi para Teresina, mas interrompeu a carreira quando a família cismou que deveria fazer medicina em São Luís.
Formou-se médico, especializou-se em cardiologia e foi ensinar na UFMA até quando se aposentou precocemente. Aí retornou ao seu antigo ofício. Foi diretor de Redação de O Debate, Jornal de Hoje, foi colunista do Jornal Pequeno, do “Atos e Fatos”, e fez história com os programas na TV Cidade (Cidade Aberta) e São Luís (São Luís Debate) doze anos no ar. Chegou a concorreu com a Globo no horário.
Entre uma atividade e outra foi diretor do Socorrão, que recebeu fechado e em 40 dias estava pronto para atender no Carnaval; foi diretor do Hospital Geral, que pegou em colapso com metade dos leitos sem colchões, estado físico deplorável e do Hospital Presidente Dutra, hoje HU.
Atualmente, aos 73 anos, Chico Viana resolveu sair candidato a vereador em São Luís pelo PSDB. Sobre esta empreitada, ele fala nesta entrevista:
Jornal Pequeno – O que o motivou a disputar uma das vagas na Câmara de São Luís?
Chico Viana – Curiosidade. Eu queria saber porquê a Câmara Municipal é tão acomodada e infensa aos grandes problemas da cidade e porquê o vereador é tão execrado pela população, tido como um aproveitador, o que nem sempre é verdade, plenamente destacável e sem a menor repercussão em sua representatividade.
Me impressionou, por exemplo, que na eleição de 2016, só nos votos para vereador, houve 92.804 eleitores que sequer foram votar; 23.559 anularam os votos; 23.559 deixaram o voto em branco. Um total de 135. 431 eleitores disseram não à eleição de vereadores. E, pasmem, dos 31 eleitos, 27 deles em ordem crescente, tiveram exatamente, os 27.135. 534 votos.
Ou seja, parece que o eleitor realmente estava desencantado e não achava motivos ou nomes, que o levassem a participar da escolha. Então eu estou me oferecendo.
JP – E como foi a experiência do suplente que pôde assumir?
Chico Viana – No pouco tempo em que assumi, era suplente, pude me inteirar de alguns pontos e começar a fazer um diagnóstico, mas foi muito pouco, mas percebi que um dos grandes entraves é submissão voluntária vereador ao prefeito, uma questão de sobrevivência política num sistema que eles próprios deformam: como prometem obras e quem faz obras é o executivo, dele depende e a ele se submete para poder cumprir o que prometeu sem poder e garantir a próxima eleição.
JP – Que avaliação se pode fazer desse seu desempenho exercendo o mandato de vereador?
Chico Viana – Pois é, como era suplente, podia ser defenestrado a qualquer hora e isso limitou muito minha atuação. Mesmo assim fiz o que o que o legislador tem que fazer: leis. Foram 28 sancionadas, 35 aprovadas e 5 vetadas, um total de 65. Na história da Câmara nenhum vereador somando todos os mandatos que exerceu fez igual.
Algumas foram derrubadas na justiça como a da cobrança de estacionamento em hospitais, shoppings, e até em locais onde existe serviço público, um absurdo.
Outras os gestores não aplicam como o tráfego de carroças em vias urbanas e o tratamento dos animais que as tracionam; a que disciplina os mototaxis; a que estabelece normas para implantação de postos de gasolina (muitos ficam ao lado de escolas); a do recolhimento lixo eletrônicoe outras tantas.
JP – Que propostas agora pretende levar à Câmara de São Luís?
Chico Viana – Além do dia a dia do vereador que eu considero o síndico da cidade, aquele que recebe a queixa e leva ao dono do prédio (o prefeito) para resolver, tenho duas cruzadas: a poluição das praias. Esta é cruel e a Prefeitura é a grande responsável: como continuar dando autorização para construção e habite-se para prédios em áreas em que não há esgoto tratado, sequer rede de esgoto?
Uma lei municipal acabava com isso e quem construía tinha que tratar o esgoto dos prédios. Outro é no nosso patrimônio arquitetônico. Estou com a lei municipal que disciplina o assunto em Salvador, um primor. Não precisa mais nada é aprovar e cumprir. Quem não cuidar é punido e se abandonar é desapropriado. Aqui não, o cidadão abandona, deixa o imóvel cair, depois manda limpar e vai faturar como estacionamento privativo. Claro tem a situação da Saúde, nesta eu estou por dentro, nem precisar estudar para resolver.
JP – Como tem sido essa nova experiência, nestes tempos de pandemia, de sair de casa em casa pedindo o voto do eleitor?
Chico Viana – Esse é o problema, a vida em primeiro lugar. Conto com a família e poucos amigos de fé. No mais é a rede social, mas até essa é limitante. Só posso mandar 30 mensagens por dia, mensagens individuais aos meus amigos do Face que faço questão de redigir uma por uma. Telefono, mando recado, enfim, dançando conforme as regras.
JP – Qual sua impressão sobre o cenário global dessa fase final da campanha para vereador e prefeito em São Luís?
Chico Viana – Uma mixórdia. São 938 candidatos, alguns suicidas, saindo pelas ruas sem a menor preocupação com a pandemia. A limitação da divulgação, a falta de recursos, e a grande abstenção que vai haver pela pandemia, vai favorecer quem tem seus votos cultivados, o curralzinho cuidado, que é voto certo, levado e trazido das urnas.
Pelo jeito vai haver muito pouca renovação, algumas substituições de pais para filhos ou parentes, e os mesmos de sempre deverão permanecer. Eu sei que entro, aposto no eleitor que pensa, que não é “encurralado” e que gosta desta cidade.

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