Como funciona a modelagem, em pesquisas eleitorais, fora de uma democracia

CARLOS ALBERTO DA SILVA SANTOS BRAGA*
Como é uma abordagem muito simples, a primeira manifestação é a de que eu sou inteligente demais para não perceber, e é justamente por isso que funciona: você se anula intelectualmente e permite ser enganado, na verdade, você funciona como a parte útil da Teoria da Conspiração.
Basicamente é o resultado da engenharia social, nada é por acaso, tudo já foi previamente pensado e definido através de um algoritmo.
Na questão eleitoral é muito simples. Primeiramente são feitas as ligações telefônicas, para um número indefinido de telefones, e questionado os seus proprietários sobre as tendências eleitorais. Cria-se um arquivo com números e tendências.
Durante o período eleitoral, quando se vai construir uma pesquisa, primeiramente devemos saber a quem interessa a pesquisa e quem está pagando por ela, depois é que vamos definir como a pesquisa vai ser montada.
Se o candidato “A” é quem financia a pesquisa e os interesses são do partido desse candidato e todo o dinheiro será com origem numa fonte desse candidato “A”; então, tudo é conduzido para que o candidato “A” tenha a melhor projeção, em relação aos demais candidatos.
Temos uma base de dados – números telefônicos de pessoas que votam no candidato que representa esse partido – e queremos trabalhar com a vitória do candidato “A”. Como o registro da pesquisa atende ao caráter aleatório da pesquisa, o algoritmo já constrói a listagem dos números entre aspas “aleatórios”, que serão acionados para fins da pesquisa.
Se quisermos repetir a pesquisa e atingirmos os mesmos resultados, como o banco de dados de números telefônicos é muito grande, podemos mudar o algoritmo, descartando aqueles números já acionados anteriormente, e refazendo a pesquisa, onde os números que serão conectados, serão exatamente aqueles outros, que nos interessam. Não podemos nos esquecermos de que a base de dados é enorme e o controle é muito bem ajustado.
Essa questão da engenharia social, com base em estatística quantitativa e não qualitativa, é uma coisa muito simples de se fazer, pois, é algo que ninguém confere. Tem- se a crença de que o jogo é justo e correto.
Tudo são opções e tudo são questões de mercado, quem paga mais leva mais, quem paga mais tem mais votos, independente da vontade do povo. É o que eu sempre digo: “o Poder existe, para defender o PODER, contra o poder o povo pensa ter.”
Não se iluda, o povo vota é em que está em primeiro, infelizmente, não tem discernimento, vai votar pela propaganda e não pelos seus princípios, principalmente, em comunidades com perda de valores e que subsiste graças aos subsídios sociais.
É semelhante a um produto de muito boa qualidade, que não tem capital pra fazer propaganda no mercado, as pessoas não vão comprá-lo, elas vão comprar o produto que tem dinheiro para fazer propaganda. É assim, foi sempre assim. O que se vende é imagem e não produto.
Então, quando recordamos sobre o resultado de uma determinada eleição, em que se pensava que o candidato “A” seria eleito e nada aconteceu, é justamente isso.
Quem estava pagando para que ele figurasse em primeiro lugar, era o partido dele e como a vantagem percentual, em relação aos demais candidatos, era muito grande, as pessoas não votaram nele, porque pensavam que ele já estava eleito.
Só que dá errado, por um motivo simples: simetria. Por isso, há margens de erros, onde as pesquisas não podem perder a simetria entre a realidade – o voto – e a intenção – alinhamento com as ideias daquele candidato. O que corrói a simetria é a vaidade do candidato ou do partido, ou mesmo de ambos, que ao discordarem dela, acabam por levar à derrota.
*Membro correspondente da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares (Amclam), ocupando a cadeira nº 41, patroneada pelo Cel. PMMA Geovane Bezerra da Silva. Major Veterano da Polícia Militar de Minas Gerais. Graduado em Formação de Oficiais. Pós-graduado Lato Sensu em Trânsito. Especialização em Segurança Pública. Reside em Portugal, onde é membro da Associação Portuguesa de Poetas.
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