Médico e escritor maranhense transforma memória e história em legado literário
Entrevista para Luiz Thadeu Nunes e Silva, feita no Palácio Gustavo Capanema, na cidade do Rio de Janeiro

Radicado há décadas no Rio de Janeiro, o médico e escritor maranhense Pedro Henrique Fonseca construiu uma trajetória marcada pela pesquisa histórica, pela escrita e por uma profunda conexão com suas origens. Natural de Cururupu, no Litoral Ocidental Maranhense, ele reúne em sua produção literária reflexões sobre identidade, memória e o passado — especialmente o século XIX, período que mais o fascina.
Ao falar sobre suas raízes, Pedro Henrique destacou a importância dos lugares por onde passou na formação de sua identidade. “Cururupu foi o palco da minha infância. Foi lá que tudo começou. São Luís do Maranhão foi onde me formei médico, um verdadeiro rito de passagem. Já o Rio de Janeiro é onde me estabeleci profissionalmente e onde vivo até hoje”, afirmou.
Apaixonado pela história, ele explicou que seu interesse surgiu ainda cedo. “A história sempre me fascinou. Eu acredito que ela é uma verdadeira mestra da vida. Como já disse um historiador britânico, quem não conhece a história está condenado a repeti-la.”
Seu foco principal de pesquisa é o século XIX, período que coincide com o auge do Rio de Janeiro. Para isso, ele se dedica especialmente a fontes primárias, como os relatos de viajantes estrangeiros que visitaram o Brasil após a abertura dos portos. “Esses viajantes eram curiosos por um país que até então estava fechado ao mundo. Eles deixaram registros riquíssimos, que uso como base para reconstruir o que era a cidade naquele período”.
Ao longo de mais de 40 anos, Pedro Henrique formou uma biblioteca com mais de três mil volumes. Cerca de 20% desse acervo é dedicado exclusivamente ao Rio de Janeiro. “Minha biblioteca é minha principal fonte de pesquisa. Nela estão tanto relatos de viajantes quanto obras de outros historiadores que estudaram a cidade”.
Apesar de viver em uma era dominada pela tecnologia, ele mantém um processo de escrita que mescla o tradicional e o moderno. “Eu ainda faço anotações manuscritas. Depois, passo tudo para o computador, organizo o texto e envio para publicação. É uma mistura entre o antigo e o atual”.
Seus artigos são publicados no Jornal Pequeno, em São Luís, e têm como objetivo não apenas registrar o passado, mas também deixar um legado para as novas gerações. “Quero contribuir para que as pessoas conheçam melhor a história, especialmente do Rio de Janeiro, que continua sendo um grande tema”.
Sua ligação com Cururupu também aparece em suas pesquisas. Ele estudou a formação histórica da cidade, desde quando se tornou freguesia, em 1835, desmembrada de Guimarães, até sua elevação à categoria de vila, em 1841, e posteriormente à condição de cidade, em 1920.
A trajetória que o levou ao Rio de Janeiro começou por motivos profissionais. “Vim inicialmente para complementar minha formação médica. Fiz o internato, depois um estágio na Tijuca, e fui conseguindo trabalho. Passei em um concurso público e acabei ficando. Com o tempo, me apaixonei pela cidade e pelas suas possibilidades culturais”.
Hoje, Pedro Henrique Fonseca segue dividindo seu tempo entre a medicina e a literatura, mantendo viva sua missão de preservar e compartilhar a história por meio da escrita.
Luiz Thadeu Nunes e Silva
Engenheiro agrônomo, jornalista e globetrotter
Autor do livro “Das muletas fiz asas”
Instagram: @luiz.thadeu
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