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A língua como laço social e a missão da Academia Ludovicense de Letras

OSMAR GOMES DOS SANTOS
Juiz de Direito na Comarca da Ilha de São Luís (MA). Membro das Academias Ludovicense de Letras, Maranhense de Letras Jurídicas, da Academia Literária do Maranhão (Alma) e da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras (Amcal)

A língua e, por consequência, toda a gramática constituem a principal característica e o mais relevante fator de agrupamento social dos povos. Foi assim nos tempos pré-históricos e também nos períodos subsequentes, que marcaram a evolução da humanidade.

Avançamos socialmente porque aprendemos a nos comunicar, a codificar, decodificar e até recodificar mensagens. Construímos estruturas linguísticas cada vez mais complexas e, sobre elas, edificamos a nossa cultura.

Com o propósito de preservar e promover o uso da linguagem, bem como de debater suas transformações a partir dos usos sociais, surgiram as Academias de Letras. Nessa perspectiva, em 2013, foi criada a Academia Ludovicense de Letras – ALL, instituição que consagra a rica produção literária da chamada Atenas Brasileira.

Mais do que uma casa que reúne poetas e poetisas, para além da congregação de confrades e confreiras, a Academia Ludovicense de Letras vem se afirmando como uma instituição na qual o estímulo ao intelecto e o apreço pela escrita caminham em sintonia com a realidade social.

Trata-se de um espaço de produção literária que ocupa posição histórica relevante na sociedade, funcionando como uma espécie de película sobre a qual se registram impressões de um determinado contexto social, retratado em artigos, livros, poemas ou crônicas.

Nossa Casa Literária inicia o novo ano mais madura, empenhada em cumprir aquilo que legitimamente dela se espera. Sendo a língua fruto das trocas sociais, a instituição ultrapassa a simples função de guarda do idioma e das produções literárias.

Assumimos o compromisso de atualizar nossa proposta de atuação, democratizar o acesso à cultura e posicionar a Academia como um verdadeiro farol intelectual da sociedade.

Vivemos um tempo de transição, especialmente entre gerações, no qual surgem novas tecnologias e dispositivos que facilitam o acesso ao conhecimento.

Nesse cenário, a Academia de Letras exerce papel central na contemporaneidade, devendo marcar presença em múltiplos espaços e orientar, sobremaneira, as novas gerações.

Torna-se imprescindível promover o uso responsável dessas ferramentas, de modo que a juventude não se perca em meio às distrações. Por essa razão, é fundamental manter vínculos sólidos com as bibliotecas públicas e, acima de tudo, jamais se afastar do processo educacional desenvolvido pelas escolas.

Esse é um desafio próprio da era da informa(tiza)ção e da automação dos processos que, se por um lado democratizam o acesso às obras digitais, por outro podem dificultar o exercício da própria escrita, diante das inúmeras distrações e das tecnologias que se propõem a substituí-la.

Há, ainda, um compromisso inadiável com a consolidação da Academia como um espaço acessível, plural, tolerante e, sobretudo, democrático. Uma instituição chamada a oferecer participação efetiva nos grandes acontecimentos do Estado e, por que não dizer, do país.

Nesta semana, mais precisamente no dia 5 de fevereiro, ocorrerá a posse festiva e a apresentação dos membros da Diretoria e do Conselho Fiscal. Na ocasião, assumirei a presidência da Academia Ludovicense de Letras. Trata-se, indubitavelmente, de uma honra e de uma grande satisfação, acompanhadas de um elevado senso de responsabilidade, ou, para melhor dizer, de uma tripla responsabilidade.

Cabe-me o desafio de suceder dignamente o confrade Sanatiel Pereira e todos os que me antecederam; representar um seleto grupo de intelectuais, sobretudo, humanos e sensíveis aos clamores da sociedade; e colaborar ativamente para o resgate dos tempos áureos da produção literária ludovicense.

Ao longo da vida, assumi desafios em diferentes âmbitos, sempre buscando cumpri-los da melhor maneira possível. Confesso, contudo, estar tomado por uma “boa” ansiedade diante desta nova etapa.

Certamente, não estarei só. Confrades e confreiras seguirão comigo, unidos no propósito de cumprir o ideal maior da Academia Ludovicense de Letras, especialmente no que se refere ao estabelecimento das conexões necessárias com a sociedade contemporânea.

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