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Etimologia, reflexão e pipoca

GUSTAVO MACHADO – Delegado de Polícia Civil do Maranhão | SEBASTIAO UCHOA – Advogado e delegado de Polícia Civil aposentado.

Corte do rei Arthur, Corte de Dom Afonso, corte real… Corte, palavra esta de etimologia possivelmente romana, cohors, um grupo de indivíduos reunidos em torno de uma figura de autoridade.

Apesar da palavra de etimologia romana, um fenômeno presente em todas as culturas civilizacionais, caem reinos, mudam-se os assentos, trocam-se monarcas e aristocratas, transmutam-se regimes, mas o cenário se rearranja tal qual se esperaria de um arquétipo… Seria a corte um arranjo arquetípico coletivo?

Em toda corte, são esperados certos arquétipos, o rei, a rainha, o sábio conselheiro, o cavaleiro leal… O bobo da corte… O bobo!!!

Permitindo-se navegar por este tema, logo somos despertados com a fala de um comentarista, narrando escândalos ocorrendo no âmbito da “suprema” corte… Corte! Uma sincronicidade tão carregada de atualidade quanto de curiosidade e então logo nos perguntamos: quanta propriedade haveria no termo suprema corte?

Não é ali um ambiente, um cenário, onde convivem indivíduos em torno de uma figura de autoridade? Haveria ali a figura de um rei? O cavaleiro leal, o sábio conselheiro? Tal qual os contos de cavalaria, por ali não haveria pompa e intriga? Olhando-se mais detidamente por vezes não se identifica a pitoresca figura que de modo atabalhoado, beirando a insanidade, desnuda as verdadeiras vergonhas aristocráticas, dedilhando em versos as silhuetas das amantes e os traços caricatos dos nobres infiéis, ou seja, o bobo da corte com suas indiscretas verdades? Será uma patologia escancarada, resistente ou protegida por pares afins em pensamentos e/ou interesses?

Mais e mais cremos que sim, tudo se parece amoldar de modo justo e perfeito a um arranjo arquetípico. Até mesmo o campesinato, estando nos arredores do além muro ora observa, ora escuta, a trama que por ali se encena, um drama, uma comédia, uma tragédia, um espetáculo de marionetes.

Estamos aqui como plateia de um teatro, acompanhando o desenrolar de mais um ato, quando uma pergunta nos assola: seria também o teatro outro fenômeno arquetípico?

Pensamos que Carl Jung não teria até dificuldade de aplicar sua teoria nas paragens chamadas de brasis, dentro de um país que ainda se chama Brasil.

O tragicômico é o debate público deixar passar despercebido que, enquanto o ódio polarizado se alastra pela sociedade, um e outro indivíduo, de sanidade discutível e personalidade duvidosa, faz gato e sapato de todo o cenário político e jurídico nacional.

O pior, referidos indivíduos, num grau de confiança que se quer hoje podemos atribuir a um apoio sistemático por excelência para que tantas ousadias ou afrontas sejam externadas. Assim, numa plena convicção que mais do que bobo, como rei absolutista se apresenta, onde tudo pode e todos se calam, sobretudo. É o que se extrai dos contextos.

Apesar de ironicamente estarmos sendo feitos de bobos, não temos os benefícios daquele que é da corte, pois qualquer bobo da corte teria mais liberdade de falar sobre as discretas verdades, quanto mais as mais patentes. Então não, não queremos aceitar a possibilidade de ser o teatro uma espécie de arquétipo, ou, se o for, não queremos ser ainda mais forçados a deglutir a ideia de fazer parte deste teatro, onde a opinião e debate públicos testemunham de modo paciente, indiferente, complacente e cúmplice!

Contudo, tamanha palhaçada se encena e que se vive neste país, por estes tristes tempos de fortes dilúvios que se avizinham a ponto de mesmo querendo nos convencer não ser teatro, não ser circo, somos nós que estamos pagando a pipoca! É só não duvidar. Oxalá que não nos diga contrário, AMÉM!

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