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Idoso, eu? Sou é Nolt

LUIZ THADEU NUNES E SILVA
Engenheiro Agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.           
Instagram: @Luiz.Thadeu                   
Facebook: Luiz Thadeu Silva
E-mail: [email protected]

No início da semana, fui matéria da TV Mirante, para falar sobre estar ativo e produtivo após os primeiros 60 anos de vida.

Há uma nova nomenclatura para as pessoas 60+, que continuam ativas e produtivas.

Agora não é mais idoso, é Nolt. Essa nova forma de se dirigir às pessoas 60+ ativas nasce de uma realidade que já está diante de nós. Esse público não se reconhece mais no rótulo de “idoso”, carregado de ideias ultrapassadas sobre limitações e fim de ciclos. Surge então o Nolt — New Older Living Trend — pessoas que seguem vivendo com propósito, curiosidade e vontade de evoluir. Acima de tudo, amando viver, com fome e sede conhecimentos.

Os Nolts voltam a estudar, aprendem novas tecnologias, fazem cursos, iniciam uma segunda ou até terceira graduação. Muitos abrem novos negócios, empreendem, mudam de carreira ou transformam antigos sonhos em projetos reais. Não esperam mais “o tempo passar”; fazem o tempo acontecer. Muitos, após anos de casamentos, estão se separando, indo atrás de novos voos, novas conquistas. Foi criado até um nome para o esse fenômeno, “Divórcio cinza”. O casamento após os 60 anos deixou de ser bônus. A geração anterior achava que, ao chegar aos 30, 40 anos juntos, o amor se consolidava por osmose, ou já tinha direito adquirido. Mas a longevidade mudou essa equação. Como estamos vivendo cada vez mais, os divorciados têm mais 20 ou trintas anos pela frente. E, nesta nova equação cabem muitos sonhos.

60+ são pessoas que cuidam da saúde, da mente e das emoções. São viajantes, leitores, voluntários, criadores, líderes de grupos, mentores e aprendizes ao mesmo tempo. Encaram desafios com maturidade, mas também com coragem — aquela coragem que só quem viveu bastante desenvolve.

Os anos não são vistos como peso, mas como bagagem. Experiência não é limite, é diferencial. Eles erram menos por medo e tentam mais por consciência. Sabem que recomeçar não é voltar ao início, é avançar com mais sabedoria.

Chamá-los de Nolt é reconhecer que envelhecer mudou. É afirmar que essa fase da vida não é sobre encerrar capítulos, mas sobre escrever os mais autênticos. Porque viver bem depois dos 60 não é exceção — é tendência.

Graças à medicina, aos novos medicamentos e terapias estamos vivendo mais; vivendo com qualidade.

Quando algum tempo atrás, pessoas de 60 anos, estavam em casa, sem propósito, projeto e/ou plano de vida, hoje muitos sessentões e sessentonas estão descasando, ávidos para gozar o melhor de seu tempo. São pessoas que jogaram tudo para o alto, em busca de novas emoções, percorrerem novos caminhos.

O Brasil passa por um processo de envelhecimento populacional acelerado, com mais 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos, o que representa 16% da população. E, a tendência é aumentar esses números. Segundo projeções dos estatísticos, em 2070 serem 38% da população, ou seja, dobraremos o número de sessentões.

Basta olhar ao nosso redor para ver tanta gente ativa, mesmo tendo ultrapassado a casa dos 60. Com filhos criados, casa própria, aposentados, tenho amigos que iniciaram atividades novas, sempre adiadas, e agora, no outono da vida, continuam produtivos.

Na matéria da TV Mirante, falei da graduação em Jornalismo, aos 67 anos, dos MBAs recém concluídos, do livro que lançarei em breve, das crônicas que publico em jornais do Brasil e do exterior; do trabalho que desenvolvo na Setur. Hoje, tenho mais projetos de futuro do que quando tinha 30 anos. E, o mais importante, com a idade adquirir sabedoria e segurança para priorizar o que faz bem, o que edifica, o que constrói. O fator tempo é meu maior ativo; não tenho mais tempo para gasta-lo com questiúnculas.

Portanto, amigo leitor, querida leitora, quando alguém ousar lhe chamar de idoso, encha o peito e diga: “Idoso, eu? Se atualize, sou é Nolt”. Não é chique?

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