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Carta para um novo ano

OSMAR GOMES DOS SANTOS
Juiz de Direito na Comarca da Ilha de São Luís (MA). Membro das Academias Ludovicense de Letras, Maranhense de Letras Jurídicas, da Academia Literária do Maranhão (Alma) e da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras (Amcal)

Quantas vidas você tem ou imagina que tem? Acredita que é uma encarnação, que já esteve neste plano em outros corpos e que regressará numa outra oportunidade? Crê na ressurreição ou simplesmente no fim de tudo? Mas se não existir outra vida? Sim, porque, ainda que acreditemos, não há uma certeza concreta de que exista vida noutra dimensão, após este plano em que estamos.

Daí então a pergunta que entendo ser crucial que qualquer pessoa faça a si mesmo: como estou vivendo a minha vida hoje?

Se olhar apenas para o ano que passou, certamente lembrará de algum sonho que abandonou com medo, por achar que não daria certo, por não crer ser capaz ou mesmo por falta de apoio de quem o cerca. Talvez você tenha os sonhos certos, mas cercado de pessoas erradas.

E as risadas reprimidas, que foram sufocadas pelo medo do ridículo que possa parecer a mais pura e doce gargalhada em um momento entre pessoas queridas. Assim são os comportamentos espontâneos e autênticos, reprimidos pelas tendências moderninhas das redes sociais.

Não! Não se prenda a etiquetas. Ou melhor, não deixa que as etiquetas prendem você e que levam a anulação do seu próprio “eu” enquanto pessoa autêntica. Padrões que te colocam em um círculo vicioso do que se estabeleceu como “aceitável”.

Do contrário, livre-se dos rótulos e permita-se viver a vida onde você é o protagonista: a sua. Exatamente. Não seja figurante em sua própria história.

Não pretendo estimular o viver como se não houvesse o amanhã. No entanto, o amanhã nada mais é do que o hoje ontem. Constitui-se de agora, de vida que pulsa em nossos corpos e pedem para ser vividas.

Dessa forma, não se trata de viver sem se importar com o futuro, naturalmente. Mas fazer valer a pena cada momento do agora.

Sem esperar por outra vida, diga nesta “eu te amo”, sem medo de sofrer, pois o amor em nós já basta e é um sentimento que nasce sem esperar reciprocidade. Apenas ame.

Quem ama sem nada esperar alcançou um nível supremo nesta vida. Quem está desprovido da necessidade de reconhecimento ou retorno agradece por acordar a cada novo dia, abrir os olhos e enxergar, respirar, colocar os pés no chão e ouvir o canto dos pássaros.

Ah, se lê esta carta é porque ainda há tempo de fazer algo diferente, de sentir com a alma, de tratar com mais amor e atenção, de viver diferente sem ser indiferente, com os outros, mas também com você.

Por tudo que já foi dito, lembre-se que a vida não é ensaio e nem treino. A todo instante contracenamos ao vivo e jogamos para fazer valer a existência, valorizando todo o processo.

Assim, essa peça em tempo real remonta o roteiro da vida que é só sua. Aproveite o palco ao máximo: corra, pule, cante, dance, grite, chore, sorria, ame, viva.

A eternidade de cada um é o agora que se tem para viver. Faça valer seu próprio espetáculo, porque a única certeza que realmente podemos ter é que em algum momento as cortinas vão fechar e o seu espetáculo já não estará em cartaz.

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