Fraternidade e ecologia integral: Um chamado à responsabilidade e à esperança

LUIZ GONZAGA MARTINS COELHO
Acadêmico da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares (Amclam), titular da cadeira nº 11, patroneada pelo escritor Josué Montello. Promotor de Justiça, titular da 45ª Promotoria de Justiça Especializada da Infância e Juventude do Termo Judiciário de São Luís/MA.
Longe do agito do axé e da animação contagiante do carnaval, aproveitei o feriado momesco deste ano de forma mais tranquila, ao lado da família, mergulhado em boas leituras. Já vivi intensamente a alegria das festas carnavalescas, mas, como bem dizem, tudo tem seu tempo – e hoje encontro prazer na serenidade desses momentos de descanso e reflexão.
Sei que, neste momento, os olhos do Brasil estão voltados para as festividades do carnaval e para a comemoração da histórica conquista do primeiro Oscar de um filme brasileiro na categoria internacional. Ambos, sem dúvida, são acontecimentos relevantes e dignos de celebração.
No entanto, optei por me afastar desse entusiasmo coletivo para refletir sobre um tema de profunda importância: a Campanha da Fraternidade, que este ano nos convida a meditar sobre nossa responsabilidade como guardiões da criação. Esse chamado nos lembra da necessidade de construirmos uma relação harmoniosa entre o ser humano e a natureza.
Em um tempo marcado por desastres climáticos e crises ambientais cada vez mais graves, somos chamados a repensar nossos hábitos e atitudes, promovendo o respeito, a preservação e o cuidado com a casa comum que Deus nos confiou.
Este ano, a urgência do cuidado com o meio ambiente se impõe, diante das constantes tragédias que testemunhamos – como as recentes enchentes no Rio Grande do Sul e os incêndios devastadores em Los Angeles, que deixaram milhares de desabrigados e ceifaram vidas.
Esses eventos extremos são alertas claros sobre os impactos da ação humana negligente e irresponsável. Desmatamentos, queimadas, poluição dos rios e mares, e a exploração desmedida dos recursos naturais colocam em risco o maior patrimônio da humanidade: a Terra, nossa casa comum. A crise ambiental não é apenas uma questão ecológica, mas também social, espiritual e de sobrevivência da natureza e dos seres vivos.
A ecologia integral, como prega a Igreja Católica neste período quaresmal, vai além da preservação ambiental – trata-se de um convite à comunhão, respeito e colaboração entre as pessoas e o mundo. É uma visão que reconhece a interdependência entre o ser humano e a natureza, recordando que a destruição do meio ambiente reflete uma crise moral e ética.
Diante desse cenário, a conscientização e a educação são caminhos indispensáveis para a transformação. Precisamos restaurar os ecossistemas, proteger as fontes de vida e promover a sustentabilidade. Esse compromisso começa com pequenas atitudes diárias e se estende às políticas públicas, exigindo decisões responsáveis por parte dos governantes e a participação ativa da sociedade civil.
Que a Campanha da Fraternidade de 2025 nos inspire a sermos verdadeiros guardiões da criação, cultivando o respeito pela vida em todas as suas formas. Afinal, cuidar da Terra é também cuidar uns dos outros, em um gesto de amor, justiça e solidariedade para construção de um mundo mais justo, sustentável e fraterno.
Por fim, nesta Quarta-feira de Cinzas, marco inicial do período quaresmal, elevemos nossas preces a Deus, rogando pela saúde do nosso Santo Padre, o Papa Francisco. Que o Senhor o fortaleça e o guie em sua missão de paz, amor e fraternidade, inspirando-nos a viver este tempo de reflexão e conversão com fé e esperança renovadas.
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