CCN rumo aos 50 anos

Quando Mundinha Araújo fundou o Centro de Cultura Negra do Maranhão, no dia 19 de setembro de 1979, jamais ela e toda a equipe fundadora do CCN iriam imaginar a reviravolta que aconteceria nos anos seguintes no Maranhão.
Vale frisar que 1979 foi um ano muito simbólico. Eram ainda os tempos sombrios da ditadura militar. Lembro que, logo após a fundação do CCN, surgiu também em São Luís, de maneira quase simultânea, a Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos (SMDDH). E no ano seguinte (1980) foi fundada a Comissão de Justiça e Paz (CJP) da Arquidiocese de São Luís.
Ganhavam força, no país inteiro, inúmeros movimentos para restaurar a cidadania e emancipar a sociedade civil. Aumentavam a resistência e os enfrentamentos para pôr fim ao regime militar instaurado no ano de 1964.
Na época, eram muito evidentes a persistência do racismo e do preconceito e a grande marginalização social da população negra tanto em São Luís quanto em todas as demais regiões do Estado.
Diante de um quadro extremamente desfavorável, o CCN iniciou sua jornada para superar estas dificuldades, organizando-se como espaço de lutas, resistência e outros tipos de espaços voltados principalmente para a cultura. Nesse cenário, em março de 1984, o CCN pariu um gigante negro: o bravo Akomabu.
Não há como negar o quanto o CCN contribuiu para a melhoria da autoestima de negros e negras do Maranhão, e principalmente para a mobilização política oriunda da consciência coletiva da exclusão social a que nós estávamos e continuamos submetidos.
Sabe-se que ainda há imensos desafios pela frente. Mas não há como negar os avanços expressivos que obtivemos ao longo deste meio século que se aproxima. E estes avanços foram conquistados graças aos esforços, à dedicação, à persistência, à determinação e ao trabalho duro de inúmeros companheiros e companheiras.
Nesta quarta-feira (28 de outubro), aproveito a reflexão desta madrugada para fazer uma sugestão: Que se crie o quanto antes a comissão CCN 1979-2029 para resgatar os 50 anos da entidade e transformar essa data num expressivo evento comemorativo no Maranhão.
Com certeza, será uma data importante para celebrar a vida e a saúde da fundadora, Mundinha Araújo, e para celebrar também a memória de Magno Cruz, Professor Luizão, Nega Rosário, Nega Carmem, Sílvia Cantanhede, Benízio Santos Rodrigues, Ivan Costa, Wellington Nascimento Nogueira “Fio”, Escrete, Tadeu de Obatalá e de tantos outros e tantas outras bravos e bravas militantes.
Por fim, espero que Deus me dê vida, saúde e energia para realizar este projeto pessoal: escrever um livro que, por enquanto, tem este título provisório: “Simplesmente Mundinha – Um Perfil Biográfico”.
O conteúdo deste blog é livre e seus editores não têm ressalvas na reprodução do conteúdo em outros canais, desde que dados os devidos créditos.