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Luiz Rocha, o governador que resistiu à invasão da Assembleia Legislativa


Quando a Polícia Federal invadiu o prédio da Assembleia Legislativa do Maranhão, o então governador Luiz Rocha encaminhou um telegrama de protesto ao presidente da República, João Batista Figueiredo, e ao ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel.
A invasão do prédio da Assembleia Legislativa, localizada na Rua do Egito, aconteceu no dia 25 de outubro de 1984 na escolha dos delegados do Maranhão ao Colégio Eleitoral.
Além do telegrama, Luiz Rocha divulgou uma nota à nação, denunciando “a intervenção feita no Estado do Maranhão pelo Ministério da Justiça”, que colocou policiais federais armados até de metralhadoras no prédio da Assembleia Legislativa, para intimidar e pressionar os deputados a votar em delegados estaduais ao Colégio Eleitoral favoráveis ao candidato Paulo Maluf.
Luiz Rocha considerou o episódio “profundamente vergonhoso” e classificou a escolha encenada pelos malufistas como “suposta eleição dos delegados ao Colégio Eleitoral”.
Depois de protestar contra a ação indevida da Polícia Federal, o governador acrescentou: “Se querem fazer intervenção federal no Maranhão que o façam pela forma legal, pois saberei, como governador e com a bravura do meu povo, lutar ou cair de pé, mas jamais serei considerado, pelos meus filhos e pelos meus conterrâneos, como um covarde”. Esta é a íntegra do documento divulgado pelo governador Luiz Rocha:

“À Nação brasileira:
Como governador do Estado do Maranhão e como maranhense, lamento profundamente o vergonhoso episódio verificado hoje na Assembleia Legislativa do meu Estado, durante a suposta eleição dos delegados ao Colégio Eleitoral, quando se registrou a quebra das mais nobres tradições de cultura, bravura e altivez da gente maranhense.
Deputados estaduais, no intuito de servir a interesse que nada tem a ver com o Maranhão e seu desenvolvimento, não permitiram que companheiros seus exercessem o sagrado direito do voto, pois a Mesa Diretora não tinha cédulas para os que não integravam sua corrente política.
Mais vergonhoso ainda, e que recebe o meu mais veemente protesto, foi a intervenção feita no Estado do Maranhão pelo Ministério da Justiça, colocando inúmeros policiais federais, portando ostensivamente metralhadoras, tanto na porta principal do Poder Legislativo como no interior de suas dependências, num verdadeiro clima de coação física e moral irresistível.
Durante todo o período do meu governo, tenho garantido a segurança aos cidadãos e mantido a ordem pública em todas as circunstâncias, sem interferência da Polícia Federal.
O Estado do Maranhão é pobre financeiramente, mas rico em tradições. Seu povo se envergonha do lamentável, triste e reprovável comportamento da Polícia Federal, substituindo, em processo de frontal intervenção, a ação da brava Polícia Militar do Estado.
Enquanto eu for governador, não aceitarei calado, venham de onde vierem, atitudes como esta. Se querem fazer intervenção federal no Maranhão, que o façam pela forma legal, pois saberei, como governador e com a bravura do meu povo, lutar ou cair de pé, mas jamais serei considerado, pelos meus filhos e pelos meus conterrâneos, como um covarde”.

Luiz Rocha, governador do Estado do Maranhão

Tancredo, ‘estarrecido com esse mar de lama’

BRASÍLIA
AGÊNCIA ESTADO

“Todos nós estamos estarrecidos com esse mar de lama que cerca a candidatura do meu adversário e escandaliza a Nação” – lamentou nesta quinta-feira (25 de outubro) o candidato Tancredo Neves, ao comentar as tentativas de suborno dos malufistas para o aliciamento de votos no Colégio Eleitoral e as pressões desencadeadas por autoridades do governo federal, para influir na escolha dos delegados das Assembleias Legislativas comprometidas com o deputado Paulo Maluf.
O ex-governador Tancredo Neves lamentou também “os deploráveis acontecimentos do Maranhão”, observando que, a pretexto de proteger-se os deputados estaduais, o governo federal promoveu verdadeira intervenção no Estado, expondo seu povo a um grande vexame. “O que mostra que nosso adversário está fazendo o jogo da violência, depois de ter feito o jogo da corrupção” – acentuou.
Para Tancredo Neves, nem mesmo na República Velha se empregou tanta violência como agora, lembrando que as pressões estão saindo da área política para entrar na institucional. Acredita, porém, que sua candidatura não será afetada, “porque a consciência democrática do País é muito sólida”.
Caso se repitam episódios como o do Maranhão, onde a Polícia Federal invadiu literalmente a Assembleia Legislativa para assegurar a eleição dos delegados ao Colégio Eleitoral com prometidos com o malufismo, Tancredo Neves explicou que, numa reação “contra o direito da força, só temos a força do direito, que continuaremos a utilizar”.
Recordou que as pressões na Assembleia Legislativa maranhense foram exercidas pela Polícia Federal, que só age autorizada e comandada por altas autoridades do governo, mas não quis citar nomes nem atribuir a responsabilidade pelos acontecimentos ao general Figueiredo.
O candidato da Aliança Democrática manteve a cautela de sempre em relação ao presidente da República, reafirmando não acreditar que Figueiredo possa estar aliciando efetivamente em favor dos interesses de uma facção política, representada pela candidatura Maluf.
Acentuou, no entanto, já terem sido dois os atos de violência cometidos contra sua candidatura. O primeiro foi a decisão da Mesa do Senado, instituindo arbitrariamente votação secreta na escolha dos representantes das Assembleias Legislativas; o segundo foram os incidentes no Maranhão.
“Tudo isso nos deixa chocado” – frisou Tancredo, mas garantiu que nada impedirá sua candidatura no Colégio Eleitoral. Em sua opinião, deixar de comparecer ao Colégio Eleitoral representaria perder toda a luta de resistência política desenvolvida pelas oposições nos últimos 20 anos. “Este é o único meio que nos resta e estamos no dever de ir ao Colégio unidos, coesos e aguerridos”.
Tancredo Neves disse ainda que não considera definida a posição do ex-presidente Jânio Quadros diante do processo sucessório. “Ele ora está comigo, ora com o meu adversário. Neste momento o PTB está dividido meio a meio”.
Após a entrevista, o vice-presidente do PTB de São Paulo, deputado estadual Fernando Silveira, garantiu que Jânio Quadros ainda não se definiu e não deverá fazê-lo em favor de Maluf, porque isso contraria suas bases populares. Ele garantiu aos jornalistas que o partido vai realizar um trabalho junto a seus filiados para inverter a atual tendência malufista dos parlamentares, o que ele evitou expressamente reconhecer.

Sarney denuncia campanha movida por ódio

BRASÍLIA (AJB) – “Os acontecimentos desta quinta-feira na Assembleia Legislativa do Maranhão representam menos um fato político e mais uma manifestação de um ressentimento pessoal do presidente Figueiredo, que só faz diminuí-lo perante a História”. Essa é a opinião do senador José Sarney, candidato à Vice-Presidência pela Aliança Democrática, sobre a tumultuada eleição dos seis delegados do Maranhão ao Colégio Eleitoral.
Sarney declarou ainda que, para ele, não houve eleição de fato, pois as normas estabelecidas na Constituição para uma eleição não foram cumpridas no Maranhão – seu Estado – e adiantou que a Aliança Democrática, através da bancada maranhense, vai à Justiça para exigir a realização de “uma eleição verdadeira, sem pressões nem constrangimentos”.
Visivelmente abatido “por uma noite de sono interrompida por muitos telefonemas de amigos e correligionários”, o senador confessou: “Pessoalmente, estou triste com o presidente da República e comigo mesmo, porque eu achava que ele tinha uma dimensão maior”.
Sarney confirmou também a realização do comício de Tancredo Neves no Maranhão, no dia 16 ou 17 de novembro próximo, com a participação dos candidatos da Aliança Democrática, dirigentes do PMDB, da Frente Liberal e muitos artistas, inclusive a cantora Alcione, que é maranhense, e o escritor Jorge Amado.

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