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Arquidiocese de São Luís celebra nesta quinta-feira missa em memória da visita de João Paulo II ao Maranhão

O Papa João Paulo II celebra missa campal para cerca de 300 mil fiéis no altar-monumento erguido no Aterro do Bacanga


A Arquidiocese de São Luís celebrará nesta quarta-feira (dia 14), às 19h30, no Parque São João Paulo II (Aterro do Bacanga), a missa em memória aos 30 anos da visita do Papa João Paulo II ao Maranhão.
“Com o coração repleto de alegria, convidamos a todos para celebrar conosco este momento, para rendermos graças ao Senhor pelas muitas bênçãos que Ele tem derramado sobre nós. Contamos com a valiosa presença dos fiéis neste momento especial para a nossa Arquidiocese”, afirmou ontem o padre Jadson Borba, coordenador da Ação Evangelizadora Missionária.
Segundo ele, a missa será celebrada pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Gilberto Pastana, com a presença dos padres, diáconos e integrantes de movimentos pastorais e do Terço dos Homens da Arquidiocese de São Luís.
O Papa João Paulo II desembarcou em São Luís no dia 13 de outubro de 1991, por volta de 21h10, no Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado (Tirirical). A chegada estava programada para as 20h30, mas um defeito na janela do co-piloto do Boeing presidencial, no aeroporto de Natal, local da escala anterior do Papa, atrasou a viagem em aproximadamente uma hora.
O Sumo Pontífice foi recebido por diversos religiosos, como o Arcebispo metropolitano, Dom Paulo Ponte, e por autoridades como o então governador Edison Lobão e o então prefeito de São Luís, Jackson Lago, que lhe deram as boas-vindas no momento do desembarque.
Um grande número de pessoas, entre convidados do Governo do Estado, jornalistas, funcionários da Infraero e pessoal de serviço, acompanhou o desembarque do Papa, que foi cercado de rigoroso esquema de segurança.
Depois de chegar a São Luís, o Papa João Paulo II aclamado publicamente pelos maranhenses, que ficaram horas esperando nas ruas e avenidas pela passagem do Sumo Pontífice.
Durante 50 minutos, o papamóvel, a uma velocidade de 25 km/h, percorreu as avenidas Guajajaras e Jerônimo de Albuquerque, os bairros do entorno do Tirirical, Cohab, a Avenida Castelo Branco, no São Francisco, Centro da cidade, até chegar à Igreja de Santo Antônio, onde ficou 10 minutos em oração.
Foi um momento inesquecível. Durante a passagem pelas principais avenidas de São Luís, João Paulo II foi aclamado por cânticos e bandeiraços. Refrões de hinos católicos como “A bênção, João de Deus, nosso povo te abraça”, eram entoados nas ruas da capital maranhense.
A emoção que tomou conta dos fiéis naquele momento foi tamanha que alguns chegaram a desmaiar e tiveram que ser socorridos por equipes da Polícia Militar do Estado.
O Papa João Paulo II chegou ao Seminário Santo Antônio por volta das 22h20, ocasião em que foi recepcionado por 250 seminaristas. Nos instantes em que o Sumo Pontífice ficou no templo, uma multidão aglomerou-se para vê-lo antes que ele se recolhesse aos aposentos especialmente preparados para sua estada em São Luís.
No dia seguinte – 14 de outubro de 1991 -, 300 mil fiéis assistiram à missa campal celebrada no altar-monumento erguido no Aterro do Bacanga, agora batizado de Parque João Paulo II.
Os 40 padioleiros do serviço de apoio atenderam a 320 pessoas durante as três horas de permanência do Papa no local. Segundo os coordenadores, eram em sua maioria pessoas que estavam com fome por terem saído de casa muito cedo sem fazer uma alimentação mais forte.
Na homilia, o Papa condenou o divórcio como solução para os problemas do casamento. E mencionou também os muitos problemas que afligem não só o Maranhão como outras regiões brasileiras. E citou os sem-terras, a despreocupação com o sofrimento dos pobres e a questão dos povos indígenas. Foi uma tomada de posição em favor dos mais necessitados – muitos deles à frente do altar.
Onze anos depois da sua primeira visita ao Brasil, João Paulo II voltou a empolgar as multidões. Inúmeras vezes, ao fim das homilias, o Papa ouviu acordes de uma canção que marcou a sua maratona no país, em 1980. Os fiéis não esqueceram os versos: “A bênção, João de Deus, nosso povo te abraça” e esta foi a trilha da emoção. Se o João Paulo II mudou (nesta ocasião reviu o Brasil pela segunda vez), é inegável que, pela palavra, ele também ajudou a mudar o mundo.
Em momentos como este, em São Luís, o Sumo Pontífice mostrou aos católicos brasileiros que as suas energias na época se voltavam para dois objetivos: a evangelização e a defesa da dignidade humana. A voz do pastor aliava-se à determinação do líder de milhões de pessoas.
Em São Luís, com um discurso altamente crítico, o Papa assistiu a uma exibição coreográfica. A cantora Alcione participou da cerimônia, que foi acompanhada pelo então governador Edison Lobão, pelos senadores José Sarney e Alexandre Costa, pelo então prefeito Jackson Lago, e pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Carlos Braide, dentre outras autoridades.
Aquela era a segunda viagem apostólica ao Brasil do Papa João Paulo II (1920-2005), o líder espiritual que desafiou os rumos liberalizantes da civilização ocidental. Foi uma visita histórica ao Maranhão daquele homem de sorriso cativante, voz firme e andar resoluto que, em 1978, cancelou instantaneamente o trauma da morte de João Paulo I, morto 33 dias depois de eleito.

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