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Livro de Bento Moreira Lima resgata saga marítima do Maranhão

Bento Moreira Lima é autor de um dos livros mais procurados na Livraria Amei, em São Luís


Desde o final do mês de janeiro, o livro “Descobrimentos Marítimos & Histórias do Maranhão”, escrito pelo engenheiro Bento Moreira Lima Neto, é uma das obras mais procuradas em São Luís. Aos 83 anos, Bento Moreira Lima Neto, um maranhense que nasceu no ano de 1938, na cidade de Pedreiras, trata de inúmeros assuntos interessantesneste livro de 567 páginas.
Bento começa a narrativa relatando o que significava velejar em uma época que não havia mapas confiáveis, equipamentos para orientar os navegantes, conhecimento das marés, das profundidades, das correntes marítimas, da direção e intensidade dos ventos, e como acontecia a aventura de tentar desvendar os mistérios dos oceanos.
Primeiro se deslocar remando, sem bússola, sem rumo sem poder deixar de visualizar o litoral para não se perder. Depois a melhoria das embarcações e a utilização de velas para fazê-las deslizar sobre as ondas, e seu manejo, inclusive aprendendo a navegar bordejando contra a direção dos ventos.
Para Bento Moreira Lima, que em 2017 publicou o romance “Balaiada, rastros de amor e ódio”, estes foram séculos de aprendizado difícil, que aos poucos transformaram simples canoas em caravelas de grande porte. “Muita gente graúda pensava que a Terra era plana, mas conseguiram, 200 anos antes de Cristo, convencer os mais inteligentes, que era redonda, esférica, e, inclusive conseguiram calcular com uma ótima aproximação, o seu tamanho. Fantástico!”, exclama o escritor.
Ele assinala que a Geografia de Ptolomeu liderou os conhecimentos do homem neste setor por mais de um século e meio, e muito ajudou nos primeiros descobrimentos. No início da Renascença os cartógrafos, tomando conhecimento das informações dos audazes marinheiros com suas narrativas extravagantes, começaram a corrigir os mapas antigos e aperfeiçoar suas projeções.
O mundo, aos poucos, foi sendo desvendado, invadido, aprendido em seus mistérios que envolviam as terras mais distantes e impensáveis de existir. Descobriram as Américas e participando delas o Brasil. A viagem de Cabral já tinha rota conhecida, mas sua aventura, iniciada com 14 naus acabou, dois anos depois, somente com 3, e por muita sorte o comandante escapou ileso em uma delas, depois de passar um sufoco enlouquecedor visitando as Índias.
Aires da Cunha preparou, com seus dois sócios nas Capitanias Hereditárias do Maranhão, uma primorosa expedição com dez caravelas, 900 homens, 130 cavalos, e chegando a Baía de São Marcos, provavelmente, deu um giro em seu interior, e, na volta, toda a sua esquadra naufragou no terrível Boqueirão que nos tanto conhecemos.
Uma terrível tragédia, mas a gente que se salvou percorreu a Ponta da Espera e da Guia, o Bonfim, o Tamancão e como eram hábeis marinheiros, concluíram que atravessar o Rio Bacanga era mais saudável e importante. Na margem direita deste Rio as embarcações poderiam encostar com segurança, em função da direção dos ventos e, provavelmente, das profundidades devidas as correntezas dos dois rios que corriam para desembocar na baía.
Atravessaram e encontraram águas límpidas na Fonte das Pedras, no Ribeirão e em vários outros lugares. Certamente se encantaram com a paisagem, as tardes tropicais, sem o frio europeu, as florestas, o clima sempre ameno e a beleza das índias e, neste recanto sagrado, fundaram a Vila de Nossa Senhora de Nazaré, que depois os franceses transformaram em São Luís.
Estes assaltantes fizeram de tudo para esconder setenta e sete anos passados, que foram os portugueses que escolheram o lugar para construir a cidade, hoje a nossa formosa capital. Com os marujos lusitanos não trouxeram mulheres nem padres, resolveram acertadamente se valer das índias, porque não eram idiotas de ficar tanto tempo sem mulher. Deste arranjo romântico surgiu providencialmente uma tribo diferente de índios barbudos que tomaram conta do lugar.
O tempo passou, os franceses sonharam com uma França Equinocial em terras que não eram suas, mas do Maranhão, e Daniel de La Touche desembarcou em Jevire, Ponta de São Francisco, onde residia um pirata gaulês cheio de comodidades. Recebeu os patrícios com um lauto banquete no almoço, e a tarde levou os aventureiros europeus para conhecer Nazaré e tomar conta do lugar.
Dois anos depois Jerônimo de Albuquerque, filho de português com índia, chegou com sua gente heróica e determinada, que no interior da Baía de São José, em Guaxenduba, liquidou com as esperanças dos educados franceses, mas que não podiam dividir o nosso país, que nasceu inteiro e altaneiro para se transformar em um dos maiores e melhores países do mundo.
Jerônimo acabou nomeado nosso primeiro governador; depois veio seu filho, e mais outros tantos. Passados poucos anos, com Bento Maciel Parente dirigindo a província, desembarcaram na hoje Praia Grande, dois mil holandeses, perversos e arrogantes, para se apossarem e se tornarem donos de nossas terras e nossa cidade.
Anos difíceis, mas os arruaceiros não imaginavam que viviam neste lugar maravilhoso homens valentes e patriotas como Muniz Barreiros e Texeira de Melo, que souberam organizar a resistência local e, com muita luta, expulsaram os batavos de nossa terra.
A cidade foi tomando jeito, crescendo, tentando enriquecer, mas os portugueses imperiais acabavam ficando com todo o nosso dinheiro. Sustentamos Portugal com o que produzimos e ficamos pobres. Chegaram os africanos, escravizados em navios escabrosos, chamados navios negreiros, sangue bom e destemido, para trabalhar em nossa lavoura e inventar as formosas mulatas, marca registrada de nosso Brasil.
Com todas as dificuldades e explorações nos tornamos um povo bom, misturado com índios e negros, alegre, religioso, dançante e cantante. Tivemos no Maranhão figuras extraordinárias com a inteligência de Gomes de Souza, a poesia de Gonçalves Dias, a coragem de Manuel Beckman, o patriotismo de João Lisboa, a determinação do Padre Vieira (português apaixonado pelo Maranhão), a loucura de Ana Jansen, e a beleza incomparável das mulheres que aqui nasceram.
Soubemos lutar em revoltas como a Balaiada, que quase liquidou com os ricos das cidades, e Duque de Caxias teve que se deslocar do Rio de Janeiro para restabelecer a ordem em nosso Estado.
Também o Imperador foi obrigado a mandar um canalha chamado Lorde Cochrane, para ajudar a consolidar a nossa independência de Portugal.Todos esses assuntos atraentes e encantados, algumas vezes, Bento Moreira Lima aborda no livro para enriquecer um pouco maisos conhecimentos sobre a História do Maranhão.

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