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Hertz Dias defende gestão democrática com Conselhos Populares em São Luís

Hertz Dias prega abertura de canais diretos para ouvir e dialogar com a população

O candidato do PSTU a prefeito de São Luís, Hertz Dias, lançou oficialmente seu nome às eleições de 15 de novembro logo na fase de abertura das convenções partidárias. Sua chapa foi oficializada na noite de 10 de setembro, tendo Jayro Mesquita como vice. A escolha foi aprovada pelos filiados ao partido em reunião virtual devido às restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus.
Professor de História das redes públicas estadual e municipal de ensino, em 2018, Hertz foi candidato a vice na chapa do PSTU que teve a sergipana Vera Lúcia como candidata à Presidência da República.
Agora, como candidato à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, Hertz Dias defende uma gestão democrática em São Luís através da constituição dos Conselhos Populares.
“Esta experiência já foi exitosa quando implementada pelo PSTU numa cidade mineira, na década de 1980, e atualmente ela se mostra ainda mais necessária e possível”. Nesta entrevista ao Jornal Pequeno, Hertz Dias fala do plano administrativo que pretende defender durante a campanha:

Jornal Pequeno – Quais as propostas mais importantes que pretende apresentar nesta campanha?
Hertz Dias – A proposta principal do PSTU é instituir uma gestão de fato democrática na cidade através da constituição dos Conselhos Populares. Esta experiência já foi exitosa quando implementada pelo PSTU numa cidade mineira, na década de 1980, e atualmente ela se mostra ainda mais necessária e possível.
Os problemas da cidade de São Luís nunca se resolvem pois quem define as diretrizes são os grandes empresários e o mesmo grupo político que está na administração municipal há 30 anos. A população precisa ser ouvida e os meios de comunicação disponíveis hoje são bem maiores e diversos para proporcionar isso.
JP – E qual sua impressão sobre as pesquisas divulgadas até agora?
Hertz Dias – Essas pesquisas são tentativas de decidir antecipadamente quem vai para o segundo turno, induzindo as pessoas a migrar para o tal “voto útil”, ou seja, “vou votar em fulano para beltrano não vencer”. Não sabemos nem se somos apresentados nessas pesquisas aos eleitores. Elas expressam o quanto o processo eleitoral é antidemocrático.
Na quinta-feira (dia 10) realizamos nossa convenção e só a Mirante apareceu e a TV Maranhense solicitou as imagens. Isso é uma política consciente de isolar o PSTU porque sabem que nosso lado é o dos trabalhadores. Imaginem, então, nessas tais pesquisas.
Somos um partido fortemente vinculado às lutas, sem mancha em nossa bandeira, mas se as pessoas não sabem se somos candidatos, como poderemos ser citados?
JP – Acredita que há de fato um favoritismo em torno do nome de Eduardo Braide?
Hertz Dias – Eleição não é partida de futebol, não entramos no processo com esse olhar. Os poderosos apresentam os seus possíveis vencedores para a população decidir quem segurar o chicote nos próximos quatro anos.
Nosso objetivo é apresentar nossas propostas e desmascarar cada um desse senhores e dizer aos trabalhadores, aos negros e aos favelados, que não se iludam com pesquisas e nem com as mentiras dessa gente, pois quem tem que governar é quem produz as riquezas e quem produz as riquezas são os trabalhadores. Assim, como as pesquisas, Braide é uma farsa bolsonarista e sarneysista e essa gente não pode governar uma cidade de maioria negra.
JP – No seu modo de ver, há um cenário indicando um provável segundo turno?
Hertz Dias – Nosso olhar é para nossa gente aqui e agora que tá desempregada e morrendo de Covid-19 por irresponsabilidade de Bolsonaro, dos governadores, prefeitos e da burguesia que para manter seus lucros está empurrando os trabalhadores para o matadouro. Não nos interessa fincar expectativas em pesquisas ou segundo turno, senão o processo vira bola de cristal e nós não somos Mãe Diná.
A única certeza que está colocada no horizonte para São Luís e para o planeta é que capitalismo de tanto irracional que é estar ameaçado nossa existência. São 820 milhões de famintos num planeta que produz tanto alimento que estraga. São Luís é quatro vezes mais poluída do que Cubatão. O capitalismo precisa ser superado! Vamos aproveitar cada minuto para explicar isso aos trabalhadores e convencê-los de que somente organizados através dos Conselhos Populares reverteremos esse processo catastrófico.
JP – Qual sua análise sobre a administração do prefeito Edivaldo, nestes dois mandatos à frente da Prefeitura de São Luís?
Hertz Dias – As duas gestões de Edivaldo Holanda foram marcadas pela omissão em relação aos problemas enfrentados no dia a dia pela população. Este “sumiço” do prefeito virou motivo de chacota na população e alvo de críticas de todos os atuais postulantes ao cargo, razão pela qual nenhum dos candidatos assumiu explicitamente que quer o apoio do prefeito.
Há uma tentativa no final do mandato de se mudar o perfil de Edvaldo com a inauguração de várias “obras”, contudo a população da capital do Estado em pleno século 21 ainda sofre com um transporte público de péssima qualidade, sem acesso à água e esgoto e morrendo de doenças comuns que já deveriam estar eliminadas.
JP – Que influência podem ter nestas eleições em São Luís figuras como Lula, Sarney, Bolsonaro, Flávio Dino e o prefeito Edivaldo?
Hertz Dias – Existem diferenças entre eles sobre o tipo de regime político que tem que prevalecer, Bolsonaro quer ditadura! Porém, todos estavam juntos no governo Lula, então qual a diferença de fundo entre eles? O hoje MDB era vice do PT, os generais que ocuparam e massacraram o povo Haitiano a mando de Bush e Lula, hoje são ministros do governo Bolsonaro. Essas tropas, sob o comando do General Heleno, assassinaram centenas de pessoas e estupraram mais de 2 mil mulheres negras, segundo relatório interno da própria ONU.
Aqueles que chamam de “principais candidatos” como Braide, Duarte Júnior e Neto Evangelista são todos da base do governo Flávio Dino, são também ligados a Sarney e Bolsonaro, como Braide e Duarte Júnior, e Flávio Dino foi o principal cabo eleitoral parta as eleições de Edvaldo Holanda. O PSTU alerta para essa farsa e faz um chamamento para a população pobre a apoiar nossas candidaturas.
JP – Como pretende levar avante sua campanha nestes tempos de pandemia do coronavírus?
Hertz Dias – É preciso dizer que todos eles são culpados pelos mais de 125 mil mortos por Covid-19, a começar pelo genocida presidente Bolsonaro. Se houvesse isolamento social pleno com garantia de renda para todos os trabalhadores, essas eleições não seriam anormais. Prevaleceu o lucro ante a vida.
Diante disso, utilizaremos muito as redes sociais, não só em razão da pandemia do novo coronavírus, mas da falta de democracia nos meios de comunicação. Não teremos programa nem na TV e nem nas rádios. Justamente o partido que não é citado em casos de corrupção, que não aceita dinheiro dos empresários e que estar sempre nas lutas.
A lógica é “quanto mais corruptos mais parlamentares, quanto mais parlamentares mais tempo de propaganda”.
Por outro lado, estamos muito felizes com as pessoas que estão se incorporando a nossa campanha, inclusive acreditando na possibilidade de eleger Saulo Arcangeli, Preta Lu etc. Esses apoiadores são nossas maiores apostas para vencer os obstáculos impostos pela pandemia e pela ditadura dos meios de comunicação.
JP – Que reflexos estas eleições em São Luís poderão ter na sucessão do governador Flávio Dino, em 2022?
Hertz Dias – Ela pode determinar muita coisa já para 2021. Se vencermos vamos impulsionar a organização dos Conselhos Populares para que a população pobre participe ativamente e permanentemente das principais decisões para cidade e não deixar isso nas mãos de 31 vereadores ligados aos grandes grupos econômicos.
Isso provocaria uma mudança espetacular na consciência dos trabalhadores não só para as eleições de 2022 na preparação da resistência contra os ataques que estão em andamento para que os ricos recuperem a taxa de lucro que perderam com a crise econômica e a pandemia.
Também temos que derrotar Bolsonaro ainda em 2020 e nas mobilizações, antes que ele entregue ao país a recolonização e os trabalhadores a semiescravidão, sem contar o genocídio com a COVID-19. Sem derrotá-lo é possível que nem eleições haja em 2022, já que seu projeto é de impor uma ditadura no país.
De qualquer modo, vencendo ou não esse processo, vamos intensificar a defesa de que os trabalhadores fortaleçam suas organizações para enfrentar esses ataques e não fiquem esperando 2022 chegar como fazem quase os demais partidos. É uma opinião sincera da nossa parte.

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