Experiências no Velho Mundo

LUIZ THADEU NUNES E SILVA
Engenheiro Agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.
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Estou em Portugal, terra de Fernando Pessoa, Luís Vaz de Camões e tantos outros escritores que deixaram sua marca na arte da escrita. Desembarquei em Lisboa para merecidas férias, após tempos corridos e por diversas vezes adiadas. Atravessei o Atlântico no voo inaugural da TAP, encurtando a distância para o velho continente.

Planejei essas férias com antecedência, com a intenção de fazer uma breve parada na Europa antes de seguir para a África, o continente que menos explorei em minhas andanças pelo mundo. Viajar pela África sozinho, com muletas, não é tarefa fácil; exige determinação e coragem. Não estou falando dos países africanos mais visitados, que já conheço bem. Meu objetivo era explorar a África Subsaariana, que demanda uma logística mais complexa.
Na Europa, revisitarei lugares que guardo com carinho. Acredito que a vida cotidiana não seja apenas o espaço entre grandes acontecimentos; é onde aprendemos a desejar, preparar, lembrar e interpretar o extraordinário. A cultura, por meio de suas inúmeras narrativas e arranjos estéticos e éticos, nos oferece maneiras de retornar a esse lugar, reconhecer-nos ne le e encontrar razões satisfatórias para continuar, mesmo quando a vida, em sua dureza, deixa suas marcas.
Entendo que viajar é uma experiência existencial, uma oportunidade de encontrar tempo, mesmo após toda a correria, para vivenciar momentos pelos quais realmente merecem serem vividos.
«Não sou nada. / Nunca serei nada. / Não posso querer ser nada. / À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.» Esses versos são do famoso poema “Tabacaria, escrito por Álvaro de Campos, um dos heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, meu poeta favorito.
Enquanto caminho por Lisboa, uma cidade coalhada de turistas, não posso deixar de notar a crescente quantidade de turistas em Portugal. Com preços mais acessíveis em comparação com outros países europeus e um clima agradável, Portugal atrai cada vez mais visitantes.
Subir e descer ladeiras, sentar em um café e observar o ritmo frenético dos transeuntes me dá a sensação de que não estou sozinho em meu desejo de explorar o mundo. Gosto desse frenesi. Vejo senhores e senhoras no adiantado da idade a caminharem como enxame de abelhas, conduzidos por guias, observando monumentos pela cidade.
Sou Giramundo e, enquanto puder, e Papai do Céu permitir, quero atravessar oceanos, cruzar os céus desse mundão e desembarcar nos lugares mais distantes, para viver e vivências experiências que não teria se não tivesse a coragem de cruzar a soleira de casa.
A vida é aquilo que acontece todos os dias.
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