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Lealdade?

OSMAR GOMES DOS SANTOS
Juiz de Direito na Comarca da Ilha de São Luís, Maranhão. É presidente da Academia Ludovicense de Letras (ALL) e membro das Academias Maranhense de Letras Jurídicas (AMLJ), da Academia Literária do Maranhão (ALMA) e da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras (AMCAL).

A gente vive correndo atrás de grandes conquistas, de prazos que apertam e de telas que piscam sem parar. No meio desse turbilhão, é fácil esquecer o que realmente sustenta o mundo lá fora: as pequenas pontes invisíveis que construímos uns com os outros. Entre elas, a lealdade talvez seja a mais silenciosa — e a mais rara.

Não estamos falando de lealdades grandiosas de livros épicos, mas daquelas do cotidiano. É a colega que cobre o seu turno quando você precisa cuidar de um imprevisto, o amigo que escuta seu desabafo pela décima vez sem olhar para o relógio, ou aquele que guarda um segredo não por obrigação, mas por respeito à sua confiança.

A lealdade não faz barulho. Ela não precisa de holofotes, curtidas ou discursos ensaiados. Ela se revela nos detalhes miúdos: Na discrição diante da vulnerabilidade alheia. Na presença constante quando todo mundo decide ir embora. Na defesa de alguém que nem está na sala para se defender.

Essa mesma lealdade silenciosa é aquela que se estende para além das paredes de casa, ecoando na arena pública onde poucos escolhem o caminho mais difícil. Há quem dispute o espaço apostando no suor de cada dia, quem plante tijolo por tijolo durante quatro longos anos, enfrentando madrugadas de escassez e o peso de promessas reais. São aqueles que constroem estradas invisíveis de trabalho constante, fiéis a um projeto coletivo e à esperança de quem os olha nos olhos.

Contudo, a praça pública às vezes se esquece dos passos firmes. Não é raro ver o esforço de anos inteiros desmoronar na véspera, superado pela pressa dos que aparecem apenas no apagar das luzes, brandindo facilidades efêmeras e trocando a dignidade de um voto por migalhas passageiras. O artífice da obra longa perde para o mercador da ilusão instantânea, e a lealdade ao futuro coletivo parece, por um instante, uma causa vencida.

Ainda assim, mesmo quando a pressa e a distração vencem as urnas da superfície, quem permaneceu fiel ao trabalho não perde o que construiu por dentro. A lealdade verdadeira não se mede pelo placar de uma noite, mas pela consistência de quem sabe que o valor real das coisas não se compra nem se vende na esquina.

No fim das contas, a lealdade é uma promessa mútua de que ninguém precisa carregar o mundo sozinho, resistindo mesmo quando o tempo parece desfavorável.

Uma pergunta que faço ao leitor: Como você enxerga a importância de mantermos nossa fidelidade aos valores coletivos em tempos de escolhas tão passageiras?

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