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Mulher, mesmo sendo tudo, ainda sangra

MARIZA GARCIA*

Mulher é a base da casa, o alicerce do mundo; é a mãe, é ciência, é a força que pariu o homem e a mulher.

A cada dia, quatro mulheres são mortas no Brasil; a cada minuto, uma mulher é violentada.

Essa estatística não é fria; é a vizinha, a irmã, a filha que não voltou para casa.

É a que denunciou infinitas vezes e morreu logo em seguida.

É a que trabalhou dobrado e apanhou triplicado do seu parceiro e quando o socorro chega, ela já morreu…

Criam Lei Maria da Penha, medidas protetivas, Delegacia da Mulher, Botão do Pânico, sinais de socorro com as mãos, promessas… e tudo resulta em fracassos, que talvez não define o futuro.

O “agressor”,

O “insatisfeito” ri de todos e os ironiza, porque sabe que papel não segura monstro.

Esse “malfeitor” sabe que “não” de mulher ainda é tratado como convite, como desafio, como nada sem valor.

A mulher, na maioria das vezes, sustenta a família.

A mulher educa quem governa e no futuro, governante. Ela vale por muitas. E mesmo assim nas mãos do “celerado”, vira alvo, vira corpo, vira silêncio: a morte.

Como mulher eu pergunto: que país é esse, que precisa de “leis” para lembrar que mulher é gente? Que mulher é mãe, filha, avó, bisavó, professora, médica, doméstica, governante…

É preciso ver o sangue no chão, ver filhos órfãos, famílias inteiras com profundas marcas incuráveis!

Adianta flores em março, comemorações, discursos?

Enquanto uma mulher for morta por ser mulher, estamos todos falhando.

Ela não quer ser heroína.

Quer viver, quer voltar para casa.

Quer criar os filhos sem medo…

Quer existir sem ser “coragem” o tempo todo.

Quer ser gente como a gente.

Passear livre sem ser atacada na próxima esquina pelo “lobo mau” e que lobo devorador, pronto a atacar a próxima vítima, a próxima e a próxima… Quanta insegurança!

Autoridades, vamos fazer valer às leis criadas em nosso país em favor da defesa das mulheres, implementar se for preciso, e que sejam rápidas nas decisões, para execução e validade das mesmas além do papel oficial e da imprensa que divulga!

*Escritora, autora do livro Fragmentos, membro fundador da Academia Cururupuense de Letras-ACL.

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