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414 anos de São Luís

OSMAR GOMES DOS SANTOS
Juiz de Direito na Comarca da Ilha de São Luís, Maranhão. É presidente da Academia Ludovicense de Letras (ALL) e membro das Academias Maranhense de Letras Jurídicas (AMLJ), da Academia Literária do Maranhão (ALMA) e da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras (AMCAL).

Há quem diga que São Luís não se lê com os olhos, mas com a pele. Sente-se no calor úmido que sopra do atlântico, no sal que repousa sobre a fachada dos casarões e no eco dos passos que cortam as ladeiras de pedra de cantaria.

Chegar aos 414 anos não é apenas acumular datas no calendário; para a capital maranhense, é renovar um pacto diário entre o passado que resiste e o futuro que pede passagem.

O Patrimônio Histórico do nosso Centro não é feito de pedra morta. Cada azulejo português encerra uma conversa antiga com o mar, um reflexo do sol que já iluminou poetas, abolicionistas e visionários. No entanto, a beleza cobra responsabilidade: a preservação não é um luxo contemplativo, mas uma urgência viva. Salvar um casarão do tempo é garantir que a memória ludovicense não desmorone em silêncio. Proteger o patrimônio é manter aceso o espelho em que nos reconhecemos.

E como desassociar essa pedra da água que a envolve? Nossas praias oferecem o contraponto perfeito à severidade da arquitetura colonial. É na linha do horizonte, onde o mar encontra a areia batida, que a cidade respira fundo. Das marés altas que mudam a paisagem em poucas horas ao vento constante que alivia a tarde, a natureza de São Luís dita o ritmo da vida.

É dessa fusão entre a arquitetura e o oceano que brota nossa cultura singular. São Luís é berço de uma ancestralidade que se manifesta no misticismo do Tambor de Crioula, na imponência dos sotaques do Bumba Meu Boi e na cadência suave do reggae que dominou nossas ladeiras e nos fez únicos no mundo. Somos uma ilha de encantos, de lendas subterrâneas e de uma literatura que sempre soube traduzir a alma humana com rigor e sensibilidade.

Neste 8 de setembro que se aproxima, em meu nome e em nome da Academia Ludovicense de Letras, convido cada cidadão a olhar para a cidade não apenas como o lugar onde se mora, mas como uma obra de arte viva da qual somos todos guardiões. Que os 414 anos de São Luís nos tragam o orgulho do que fomos, a alegria do que vivemos hoje e a firmeza necessária para preservar o que seremos amanhã.

Parabéns, Atenas Brasileira. Que a tua história continue a ser escrita com a força do teu povo e o encanto do teu mar.

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