Chuvas de Cururupu

MARIZA GARCIA*
As chuvas de Cururupu têm gosto de ribeiro,
têm o sal do mar que banha essa cidade.
Descem do céu como as águas de abril,
lavando a alma, lavando a saudade.
Lá onde as palmeiras imperiais vigiam.
Onde os casarões guardam histórias antigas,
onde o encantamento é sedução, é magia.
Aprendi que chover também é rezar.
É o coração conversando com Deus em silêncio.
Levando a dor, para bem longe, caindo nas marés de Cururupu,
me trazendo de volta à força da minha terra,
me ensinando que até na chuva se renasce para a vida.
Cada gota que cai nesse chão abençoado,
vira raiz, vira verso, vira viver.
Porque minha terra se faz assim: infinita por dentro, mesmo quando sou molhada pela chuva.
Não me diminui, me faz inteira, me faz filha desta terra.
Me faz Cururupu!
Cururupu tem uma beleza que marca mesmo: as chuvas, as correntezas, os casarões, as palmeiras imperiais, o encantamento, a magia, o povo.
É assim que a gente guarda na gente, um pedacinho da alma de lá.
Bela, tu, CURURUPU!
*Escritora, autora do livro Fragmentos, membro fundador da Academia Cururupuense de Letras (ACL).
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