Fechar
Buscar no Site

As Bodas da Ludovicense

OSMAR GOMES DOS SANTOS
Juiz de Direito na Comarca da Ilha de São Luís, Maranhão. É presidente da Academia Ludovicense de Letras (ALL) e membro das Academias Maranhense de Letras Jurídicas (AMLJ), da Academia Literária do Maranhão (ALMA) e da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras (AMCAL).

Dizem que São Luís não se lê apenas nos livros; respira-se na maresia, escuta-se no entrechocar dos azulejos e na cadência suave com que o tempo caminha pelas ladeiras do Centro Histórico. No último dia 10 de agosto a celebração ganhou contornos de festa perene: a Academia Ludovicense de Letras (ALL) soprou velas, reafirmando seu papel como guardiã e fôlego da literatura da Ilha do Amor. E, como toda boa casa de letras não se contenta com um único brinde, a festa transbordou para os dias que cercaram a data oficial.

Tudo começou no dia 6, em um prenúncio do que estaria por vir. A literatura contemporânea em língua portuguesa pediu passagem quando o escritor Valter Hugo Mãe ocupou o centro dos debates para o lançamento de sua obra, O Século dos Imbecis. Foi um diálogo denso, daqueles que provocam o pensamento e atiçam a alma leitora, provando que a tradição ludovicense sabe se conectar com as grandes inquietações do mundo presente sem perder a doçura do acolhimento.

Mas o ápice do encanto guardou suas luzes para o dia 12, no Teatro da Cidade, no III Sarau Vozes da Ilha.

Quem chegava para a noite de gala era recebido por notas aveludadas: as cordas e o sopro do saxofone envolviam os membros da Academia e convidados ainda no saguão, preparando o espírito para o que viria no palco. Lá dentro, a arte maranhense mostrou toda a sua força vital. Atores locais deram corpo e voz a um espetáculo teatral vibrante, enquanto acadêmicos e poetas convidados subiram ao palco para rasgar o silêncio com declamações de poesia. Cada verso pronunciado parecia ecoar a herança dos grandes mestres que já caminharam por esta terra, mas com a vivacidade do presente.

Entre os tons de sax, as luzes do teatro e as páginas abertas de novos livros, a ALL não apenas comemorou mais um ano de fundação — renovou seu pacto com a beleza. Afinal, enquanto houver vozes nesta ilha dispostas a declamar, atuar e escrever, a literatura maranhense continuará infinitamente viva.

O conteúdo deste blog é livre e seus editores não têm ressalvas na reprodução do conteúdo em outros canais, desde que dados os devidos créditos.

mais / Postagens