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1ª Feira de Livros das Academias de Letras do Maranhão – Felicam

LUIZ GONZAGA MARTINS COELHO*

A cultura maranhense, por meio da Amclam, escreve sua história. Entre os dias 17 e 19 de junho, o Maranhão viveu um daqueles momentos que merecem ser guardados na memória coletiva. A realização da 1ª Feira do Livro das Academias de Letras do Maranhão (Felicam) representou muito mais do que um evento literário, foi uma verdadeira celebração da cultura, da identidade maranhense e da permanência da palavra escrita como instrumento de transformação e de aproximação entre as pessoas.

Idealizada e realizada pela Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares (Amclam), a Felicam nasceu grande. Desde a solenidade de abertura até o encerramento, o que se viu foi uma demonstração inequívoca de que a literatura continua viva, pulsante e capaz de mobilizar escritores, leitores, acadêmicos, estudantes e amantes da cultura.

Registro, com justiça, o empenho hercúleo do presidente Carlos Augusto Furtado Moreira e de uma comissão organizadora, que propiciou o suporte para a ocorrência do evento. Organizar um evento dessa dimensão exige coragem, planejamento, dedicação e, sobretudo, amor às letras. O resultado foi um sucesso que ultrapassou as melhores expectativas.

Academias de Letras de diversas regiões do Maranhão, escritores consagrados, autoridades culturais e representantes de importantes instituições prestigiaram a iniciativa, enriquecendo uma programação marcada pela diversidade e pela qualidade.

Tive a honra de participar dos três dias do evento e, particularmente, de presidir a mesa-redonda que debateu o tema “A Crônica e a Poesia como Espelhos do Cotidiano Maranhense”, oportunidade em que refletimos sobre a capacidade dessas duas expressões literárias de registrar a alma do nosso povo, seus costumes, alegrias, desafios e esperanças.

Outras mesas-redondas também contribuíram decisivamente para o brilho da programação. Merece destaque o debate sobre “O Papel dos Sodalícios Culturais na Modernidade”, presidido pela acadêmica Veraluce Lima, reunindo os escritores Fernando Reis, Alexandre Maia Lago e Fernanda Carvalho Brito. Foi um momento de profunda reflexão sobre a missão das academias em tempos de transformações tecnológicas e culturais.

Igualmente relevante foi a mesa “A Interiorização das Academias de Letras: Tecendo a Rede Literária do Maranhão”, conduzida pelo presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão, escritor César Brito, contando com as valiosas contribuições dos acadêmicos Joaquim Oliveira e José Carlos Sanches. O debate evidenciou a importância de fortalecer os movimentos literários para além da capital, valorizando talentos e tradições espalhados por todas as regiões maranhenses.

Os painéis também merecem registro especial. O primeiro, intitulado “De Gonçalves Dias a Ferreira Gullar: a Permanência da Atenas Maranhense no Século XXI”, teve mediação do professor Iran Passos e participação dos professores José Dino Costa Cavalcante e Dilercy Aragão Adler. O encontro reafirmou a vocação literária de São Luís, cidade que orgulhosamente ostenta o título de Atenas Brasileira.

O segundo painel, “O Desafio das Antologias Institucionais: Unindo Vozes e Preservando Legados”, mediado pelo professor Jáder Cavalcante, reuniu Carlos Augusto Furtado Moreira, Sanatiel Pereira e Nilson Araújo Júnior, proporcionando reflexões importantes sobre a preservação da memória literária e a construção coletiva do patrimônio cultural.

A conferência magna de abertura foi um espetáculo à parte. O extraordinário poeta, professor e membro da Academia Maranhense de Letras, Sebastião Moreira Duarte, brindou o público com uma instigante exposição sobre “O Canto do Titã: Sousândrade, Byron e o Titanismo Romântico”, demonstrando erudição, sensibilidade e profundo domínio do tema.

Mas a Felicam não se limitou aos debates acadêmicos. Houve lançamentos de livros, saraus, encontros entre autores e leitores, momentos de confraternização e manifestações artísticas que traduzem a riqueza da cultura maranhense. O brilho da tradição popular esteve presente nas apresentações dos Bumba Meu Boi Brilho da Terra e Boi do Tamarineiro, enquanto os cantores Tutuca e Josias Sobrinho emocionaram o público com suas interpretações da música produzida em nossa terra.

Ao final dos três dias, ficou a certeza de que a Felicam já nasceu como um marco na história cultural do Maranhão. Mais do que uma feira de livros, foi um encontro de ideias, de afetos e de pertencimento. Um espaço onde o passado dialogou com o presente e lançou pontes para o futuro.

Em uma terra que respira poesia, produz escritores de excelência e tem na palavra uma de suas maiores riquezas, iniciativas como esta renovam a esperança de que os livros continuarão iluminando caminhos e formando gerações.

A Felicam terminou, mas deixou uma mensagem clara: as letras maranhenses seguem vivas, fortes e unidas. E isso, por si só, já é motivo de celebração. Que venham outras oportunidades.

*Membro efetivo e titular da cadeira nº 11, da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares (Amclam), promotor de Justiça, titular da 45ª Promotoria de Justiça Especializada da Infância e da Juventude do Termo Judiciário de São Luís-MA; ex-presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão (Ampem); ex-procurador-geral de Justiça.

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