Fechar
Buscar no Site

O saudoso Edgar Morin e a ausência de complexidade da leitura dos novos tempos: Brasil não fica de fora…

SEBASTIAO UCHÔA
Advogado do Escritório Uchoa, Nascimento e Soares Advocacia, delegado da Polícia Civil aposentado e ex-secretário de Justiça e Administração Penitenciária do Maranhão.

Longe de biografar o hoje saudoso pensador Edgar Morin, pela sua recente passagem, digamos do mundo material ao espiritual para uma das moradas do Senhor, mas por absoluta adequação aos tempos sombrios de tantas superficialidades no pensamento humano contemporâneo.

Assim, não poderia deixar de registrar algo sobre a influência de Edgar para àqueles que ousam ser fiéis às profundezas do pensamento complexo que tanto se ressente nos tempos hodiernos de deturpação da existência humana, aí inclusa, a crise ético-moral-legal por que passa o Brasil com ênfase no presente ano das eleições gerais que se avizinham e da “opiácea” Copa do Mundo em curso, obviamente

Podemos até ousar em dizer que Edgar enfrentou e tentou desideologizar as ideologias nas mais diversas matizes de doutrinações ou alienações do pensamento humano na História da Humanidade, e até dizermos que, sem exceção em linhas epistemológicas, ou seja, navegou em todas as Ciências, Artes e Espiritualidades, no que tange a denunciar tanto o que fizeram e ainda fazem, com a razão humana com congelamento da capacidade de raciocinar os diversos mundos reais postos à prova. Isto é, reduziram a pensamentos voláteis de grande superficialidade existencial. Basta observar a sintetização da forma de pensar e agir dos novos tempos.

Não precisa ir tão longe na linha do tempo ante as guerras bélicas e pelos mercados mundiais, na luta pelo domínio geopolítico entre as grandes nações mediante influências profundas nos domínios político-econômicos internos das demais nações que continuam com suas dependências de alguma forma e, em especial, com a grande revolução da tecnologia da informação como marco dos novos e duvidosos promissores tempos para toda a humanidade em estados de domínios dos povos sobre povos, decorrentemente.

Edgar combatia a fragmentação do conhecimento que tanto distancia o ser humano da grande unidade que é em matéria de integração individual-social de sua existência humana dentro do universo além-terráqueo, levando-o ao grande vazio existencial, já que o saber integral pressupõe compreensão de um todo na mais transversal busca dos saberes que o integra, encontrando-se por meio de uma humildade intelectiva, liberta-se e ajuda a redirecionar a humanidade para novas jornadas em prol de todas as espécies de seres vivos do orbe de habitação planetária.

É até possível ver e sentir nalgumas reflexões de Edgar, a presença com riqueza de pensamentos do também saudoso Zygmunt Baumann na chamada Modernidade Liquida. Há uma simbiose entre tais pensadores, que até nos preocupa onde vamos parar, caso a forma superficial de interpretar o mundo, continue como orientação determinante nas relações interpessoais e interinstitucionais, sobretudo.

No fundo, enfrentou e denunciou, acredito, a tão forma superficial do pensamento contemporâneo, notadamente alimentado pelo mundo das grandes virtualidades diretivas, propositais e massificadoras para interesses que à primeira vista encantam, mas no fundo alienam, escravizam e reduzem o ser a uma estado de coisificação a serviço do mundo alegórico externo como mera forma de se sentir na fantasiosa inclusão social a qualquer custo que, ao final, “o ideal e a fantasia se desfazem no final” na frase do grande compositor baiano Vital Farias em Veja Margarida, que bem se pode aplicar aos citados  contextos por que passa a humanidade e, claro, a nação brasileira do já um terço do novo século.

Trazendo para o nosso país que passa por graves crises éticas, morais e de legitimidade em suas instituições republicanas (especialmente nos três Poderes nacionais por serem espectros de um todo) em graves exposições de imoralidades com reiteradas denúncias de integrantes envolvidos em possíveis comportamentos duvidosos, circunstâncias em que outra crença não se impõe à população, senão em que se está vivendo em nosso país uma possível anomia jurídica nas palavras do também saudoso pensado francês Durkheim, tristemente. Isto é, as leis existem, mas não possuem efetividades prática, salvo de forma seletiva e casual, politicamente registrando.

E o mais grave, sem perspectivas de mudanças à primeira vista, já que o próprio processo eleitoral em curso, já aponta suas fragilidades ante abutres humanos em pré-concorrência aos cargos eletivos na largada dada, salvo exceções, comendo abutres na ganância e ânsia para se chegar ou se manter a frente das relações dos poderes existentes na rotina institucional do país.

Nessa senda, pode-se concluir que o Brasil não fica de fora da linha do raciocínio de Edgar e demais pensadores, já que sem uma humildade intelectual para entender os problemas nacionais e ignorarmos como somos agentes de mudanças necessárias  para a construção de um espaço voltado para o bem-estar de todos que venha a dialogar com a ideia permanente que somos eternos aprendizes na escola da vida, sem o rompimento com superficialidade na forma de ver e sentir os problemas nacionais e humanos, sonhar com mudanças não se passará de mera utopia na trilha da  contínua caminhada que temos a trilhar, triste e infelizmente, pode-se assim vaticinar.

O conteúdo deste blog é livre e seus editores não têm ressalvas na reprodução do conteúdo em outros canais, desde que dados os devidos créditos.

mais / Postagens