E a política nacional continua se evaporando diante de tantas imorais revelações, Brecht continua tendo razão…

SEBASTIAO UCHÔA
Advogado do Escritório Uchoa, Nascimento & Soares Advocacia, delegado da Polícia Civil aposentado e ex-secretário de Justiça e Administração Penitenciária do Maranhão.
Até um dia antes das eleições gerais que se avizinham, ter-se-ão tantas revelações de imoralidades dos principais protagonistas da disputa pela cadeira nacional, que simplesmente se torna um convite visceral para o aumento dos números de abstenções, mediante votos nulos e brancos, na contagem final. Não se pode duvidar dessa previsão. A incredulidade no modelo de democracia, em vigência no Brasil, vem tomando conta maciçamente nesses últimos tempos.
Percebe-se ou se assiste, ou se ouve tantas narrativas falaciosas que chegam a agredir o mínimo do senso comum, no que se refere ao tentarem subestimar os mais simples dos cidadãos brasileiros, em matéria de conhecimentos básicos dos assuntos da política partidária nacional.
No fundo, ante ao quadro acima, presume-se que, por terem a certeza de que a nação brasileira é e continua formada por massas humanas despolitizadas, confiantes e cientes são os candidatos aos cargos eletivos, na frase atribuída ao dramaturgo alemão Bertolt Brecht acerca de que “O pior analfabeto é o analfabeto político”, por constituir o espectro maior da sociedade brasileira, infelizmente.
Na realidade, tal frase, infelizmente tão repetida na história da humanidade nos mais diversos Estados Nacionais, critica a apatia e a falta de participação da população nas decisões sociais, destacando que a ignorância política afeta diretamente o custo de vida, como preços de alimentos, remédios e habitação, no cotidiano de qualquer país, considerando o altíssimo nível de despolitização de seu povo.
E o mais grave, nosso povo, adormecido pelas narrativas infundidas nos chamados arquétipos do inconsciente coletivo da sociedade, denominação essa dada pelo grande teórico da psicologia Carl Jung, continua sendo vítima de sua própria ignorância ante uma democracia frágil em valores, porque domina ainda o curso do destino político do Brasil.
Essa apatia por assuntos da condução política de um país gera consequências perigosas, uma vez que alimenta a corrupção, a exploração e a criminalidade em todas as vertentes de manifestações criminológicas dos inúmeros oportunistas de plantão e os que estão também querendo ter acesso ao bolo das benesses convidativas para a satisfação dos seus mundos ególatras que tanto os atraem com tais contextos de dominação do homem pelo homem, ou de grupos sobre grupos afins na história da política partidária brasileira, especialmente.
Com as últimas matérias jornalísticas, inerentes aos diálogos entre o candidato da direita com a pessoa do ex-banqueiro, no chamado caso do “Banco Master”, tão quanto ocorrência de reuniões deste em ambientes públicos fora da agenda do Palácio do Planalto, por parte do atual chefe da nação, nada mais se reflete senão no empurrar a população a uma total descrença no destino do país para os próximos quatro anos, caso qualquer desses candidatos seja eleito. E o mais grave, sem até mesmo outras opções, considerando os discursos afinados dos demais pretendentes.
Embora os avanços das redes sociais, para com o processo paulatino da tomada de consciência política do povo brasileiro, nesses últimos dez anos, ainda se vê e se sente a eficaz manipulação virtual de grande parte do povo brasileiro que, sob influências de paixões que cegam, alienam e destroem o caráter reflexivo do seu ser, termina se tornando objeto de manipulação dos interesses polarizados em disputas.
No fundo, o fenômeno social supra ocorre em face de boa parte da sociedade brasileira ser composta de uma massa de alienados políticos, dos novos tempos. Nesse sentido, a frase acima bem se aplica ao contexto brasileiro desses quase seis meses do ano em curso.
Oportuno é recitar integralmente o poema do “Analfabeto Político”, atribuído, como alhures já pontuado, ao mencionado dramaturgo alemão: “O pior analfabeto é o analfabeto político”. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”. Que digam o império das facções criminosas no Brasil do novo século com tantas afrontas ao Estado Nacional.
Assim, a política nacional brasileira continua se evaporando diante de tantas imorais, contínuas e desastrosas revelações relacionadas a pretensos candidatos ao Palácio do Planalto, mais precisamente nos apontados acima. Logo, Brecht continua, infeliz e tristemente, tendo razão e suas reflexões perfeitamente aplicáveis ao espectro político partidário brasileiro dos novos tempos. Só não sabemos onde isso pode um dia parar.
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