Fim do metaverso?

OSMAR GOMES DOS SANTOS
Juiz de Direito na Comarca da Ilha de São Luís (MA). Membro das Academias Ludovicense de Letras, Maranhense de Letras Jurídicas, da Academia Literária do Maranhão (Alma) e da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras (Amcal).
Cada vez mais estamos imersos em sistemas que nos abstraem da realidade cotidiana, é verdade! O paralelismo com o mundo virtual, inclusive, foi intensificado a partir da pandemia, momento que voltou a ganhar força uma certa vivência em um mundo totalmente digital, denominado metaverso.
A proposta resgata uma ideia que teve ensaio na primeira década deste século, com certa plataforma chamada “Second Life”, mas que não avançou naquele contexto, só voltando à pauta em razão do isolamento forçado que precisamos enfrentar.
Naquela conjuntura, da pandemia, o dono do então Facebook cravou que o futuro da rede social seria o metaverso, o que acarretou a reformulação de projetos internos e impactou até na mudança do nome da plataforma para Meta.
O assunto ganhou força, inclusive, com vendas de terrenos e publicidade em ambientes virtuais, tudo negociado em ativos intangíveis com os chamados NFTs, tokens não fungíveis, na tradução literal.
Seríamos “transportados” a uma outra dimensão, na qual estaríamos imersos em nossas corriqueiras atividades: trabalho, escola, jogos, praia, paqueras, amizades.
Mas tudo parece não ter passado de um mundo imaginário, fantasiado na cabeça de alguns visionários de algo que só a imaginação fértil de alguns poderia acreditar. Que bom!
Uma ideia que contraria a essência humana, que é baseada na sociabilidade e solidariedade, não poderia vingar. Não somos avatares, mas seres de carne e osso, com emoções e sentimentos, que nenhuma outra experiência será capaz de substituir.
Depois de 80 bilhões de dólares em investimentos – o que daria para promover o bem-estar social e matar a fome de muita gente no mundo real – o projeto entrou em derrocada. Vieram as demissões, prioridades foram invertidas e o anúncio de que a aventura, a Steven Spielberg, parece estar terminando.
Zuckerberg anunciou oficialmente que seu “mundo virtual” deixaria de ter foco prioritário em realidade virtual. A experiência nos óculos de VR (realidade virtual) até será mantida, mas não receberá upgrades, um sinal de que será descontinuado ou, pelo menos, perdeu protagonismo.
O foco da companhia, agora, é a inteligência artificial como novo futuro. Mas é importante que não se perca o foco no que é mais importante: o ser e o sentir humano.
A tal realidade virtual experiência aumentada não se concretizou e passou longe do cotidiano daquelas pessoas que andam com os pés fincados no mundo real e não no mundo da lua.
É importante que tenhamos nossas abstrações e gastemos tempo navegando nas redes sociais ou em alguma plataforma virtual. Mas a vida acontece aqui e agora. É preciso trabalhar, produzir, colocar o pão na mesa. Isso só se faz na vida real.
O mundo tangível jamais será substituído por experiências aleatórias. O aperto de mão, o olho no olho. Sentir o cheiro, o sabor, as sensações.
Não precisa que tudo seja positivo, que seja bom, que as experiências sejam fantásticas. Na vida real há altos e baixos, dissabores, desventuras. Mas é a vida que vale viver.
Rimos, cantamos, choramos, abraçamos, confraternizamos, brindamos, perdemos, caímos, levantamos, vencemos. Esse sim é o mundo perfeito, construído sobre imperfeições que nos tornam humanos.
O conteúdo deste blog é livre e seus editores não têm ressalvas na reprodução do conteúdo em outros canais, desde que dados os devidos créditos.