São Luís, Ilha do Amor: cultura, afeto e histórias que inspiram

Luiz Thadeu Nunes e Silva e a escritora Denise Sabino Villanova
Em entrevista, a escritora gaúcha, Denise Sabino Villanova, falou sobre suas impressões da capital maranhense, o poder transformador das viagens, projetos culturais; em especial, o de transformar a história do globetrotter maranhense Luiz Thadeu Nunes e Silva em um documentário.
Denise é escritora, pesquisadora e viajante, com projetos reconhecidos internacionalmente na área audiovisual e literatura. Doutora pela UFRS, é autora do livro “Psicopata familiar”.
Em sua primeira visita a São Luís do Maranhão, conhecida como “Ilha do Amor”, a escritora e pesquisadora Denise se encantou não apenas com a beleza histórica da cidade, mas, sobretudo, com o calor humano de seu povo.
“Todas as pessoas que encontrei até agora, sem exceção, foram maravilhosas comigo. Isso é muito amor. É algo que se oferece ao outro mesmo sem conhecê-lo”, afirmou.
A autora destacou que o título simbólico da capital maranhense faz jus à experiência vivida. “O nome ‘Ilha do Amor’ está totalmente condizente com o que as pessoas transmitem”.
Entre os pontos visitados, o Palácio dos Leões foi um dos que mais a impressionou. “Fiquei maravilhada com a fachada, os leões, os lustres, a história e a iluminação. É um lugar mágico”.
A visita ao Maranhão também tem um propósito profissional. Denise veio ao estado para fortalecer uma parceria com o escritor Luiz Tadeu, iniciada há cinco anos.
“Fiz um depoimento para o livro dele em 2022, ‘Das muletas fiz asas’, e ele escreveu o prefácio do meu livro em 2024. Agora temos dois projetos juntos: um novo livro, no qual ele participa com uma crônica, e um documentário baseado na história dele”.
Segundo ela, a ideia do documentário surgiu ao analisar registros audiovisuais das viagens do autor. “Percebi imediatamente que aquele material tinha potencial narrativo. Um documentário amplia a experiência, traz imagem, voz e emoção”.
DIFERENÇAS CULTURAIS E SEMELHANÇAS HUMANAS
Natural do Rio Grande do Sul, Denise relativiza as diferenças entre as regiões do Brasil. “Existem contrastes em todo o país, mas não vejo diferenças tão gritantes. Há excelentes escritores tanto no Sul quanto no Nordeste”.
No entanto, ela observa uma característica marcante no Nordeste: “Sinto que as pessoas aqui são mais abertas, calorosas e acolhedoras”.
Apesar disso, a escritora reforça que, em essência, as pessoas são semelhantes em qualquer lugar do mundo. “Todos têm desejos parecidos: buscam felicidade, relações afetivas, realização pessoal. Isso é universal”.
VIAJAR COMO TRANSFORMAÇÃO
Citando a famosa frase de Mário Quintana — “viajar é mudar a roupa da alma” —, Denise concorda plenamente com a ideia.
“Viajar transforma a visão que temos do mundo e de nós mesmos. É um enriquecimento da alma, da mente e da forma como enxergamos a vida”.
Ela também defende a viagem como ferramenta de crescimento pessoal. “Mesmo que pareça clichê, viajar abre horizontes. Não é preciso estar em crise para isso. Basta querer ver além do próprio cotidiano”.
REDES SOCIAIS E A CULTURA DA COMPARAÇÃO
Ao analisar o comportamento contemporâneo, Denise apontou as redes sociais como um fator determinante no aumento das reclamações.
“As pessoas sempre reclamaram, mas hoje existe uma amplificação. As redes mostram uma vida editada, idealizada. Isso gera comparação — e, quando começa a comparação, a personalidade se perde”.
Ela mencionou, ainda, o fenômeno conhecido como “rage bait”, conteúdos criados para provocar reações negativas. “Isso contribui para frustrações e insatisfações”.
UMA MENSAGEM FINAL
Ao refletir sobre a história de superação de Luiz Tadeu — marcada por desafios físicos e conquistas pessoais —, Denise acredita que o projeto conjunto pode inspirar muitas pessoas.
“É uma história de superação, de ir além dos limites. Em vez de reclamar, é preciso agir, buscar caminhos, o viajante Luiz Thadeu optou por conhecer o mundo. Como diz a música: há tanta vida lá fora”.
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