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Encontro de escritores que gostam de palavrar

LUIZ THADEU NUNES E SILVA
Engenheiro Agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.           
Instagram: @Luiz.Thadeu                   
Facebook: Luiz Thadeu Silva
E-mail: [email protected]

Sábado, 21 de março, dia nublado. A Ilha do Amor se preparava para mais uma chuva. “É tempo dela”, dizia meu saudoso avô, Agripino Nunes, meteorologista por noção e observação.

Início da tarde, me encaminhei para o Aeroporto Marechal Cunha Machado, para buscar uma amiga querida, que mantenho contato há cinco anos, sem nunca a ter visto pessoalmente. Nos conhecemos por meio das páginas do jornal O Dia, de Teresina. O maior jornal impresso no vizinho Piauí.

Denise Sabino Villanova, gaúcha de Porto Alegre, escreve às sextas-feiras; eu nos finais de semana.

Doutora em Literatura Moderna pela UFRG, mestre em Cultura Britânica, mestre em cultura francesa, ambos pela Leibniz Universität Hannover, Alemanha, com sua escrita simples e envolvente, faz com que o leitor viaje com seus textos semanais.

Denise entrou em contato comigo através do WhatsApp, e passamos a nos falar dia sim e outro também, desde então. O acaso, esse artesão invisível, molda nossa existência com mãos sutis e imprevisíveis. Ele escapa às lógicas lineares e às previsões calculadas, subvertendo os mapas que desenhamos com tanto z elo. O acaso não se curva às nossas vontades; ele é o encontro fortuito entre o que planejamos e o que jamais imaginaríamos. Um passo nele é um ato de poesia: um verso que se escreve sem saber o fim da estrofe, confiando que o sentido virá depois, como um eco que responde ao vazio. Como não existe acaso, estávamos conectados.

Estava finalizando o livro “Das muletas fiz asas”, em 2022 e pedi-lhe para escrever um texto que consta da orelha do livro. Depois foi sua vez em pedir-me para escrever o prefácio de seu livro “Psicopata familiar”, lançado na feira do livro de Porto Alegre em 2024.

Cidadã do mundo, Denise passa quatro meses por ano na Europa, estudando e ensinando. Seu olhar cosmopolita, a fez olhar o mundo com olhos de aprendizado. Ao desembarcar em São Luís, estava ávida para uma imersão em nossa rica cultura, gastronomia, costumes.

Ao lado do poeta Rinaldo, a levamos para passear pelo Centro histórico, em noite iluminada pelos lampiões centenários que embelezam nossa fascinante Ilha do Amor. Abstêmia, se encantou pelo nosso Guaraná Jesus.

Denise ficou fascinada com as pessoas com quem teve contato. Falou do calor humano que sentiu por onde andou, marca registrada dos maranhenses.

Além de conhecer pela primeira vez a Ilha do Amor, Denise tem o projeto de rodar um documentário sobre a vida deste escritor, ideia nascida em longas conversas. Segundo ela, que já produziu alguns documentários, inclusive no exterior, minhas andanças pelo mundo, a quebra de paradigmas, especialmente pelas particularidades, – andar com muletas, não falar inglês – pode motivar muitas pessoas irem de encontro a seus objetivos e realização de sonhos.

Como gostamos de palavrar, como disse Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, meu poeta preferido, confabulamos bastante. Foi “conversa pra mais de metro”, como se fala no Nordeste.

Temos muito em comum, a literatura nos une. Falamos de nossas origens, do presente, do futuro, de viagens. Viajamos juntos na nave da imaginação. O projeto do documentário foi pauta para o programa “História em Debate”, na rádio Timbiras, comandando pelo jornalista e confrade Marcus Saldanha. Durante uma hora e meia, falamos dos nossos livros, de nossas experiências. Respondemos perguntas dos teleouvintes. Curiosidades que enriqueceram a entrevista.

Andar pela Ilha do Amor, por rua e praças com pedras de cantaria, orvalhadas pela chuva fina que banha a cidade, tendo como companhia uma escritora como Denise é garantia de momentos que já se eternizaram em minha memória.

Após cinco anos que só a conhecia pelo smartphone, vê-la de perto, sentir sua encantadora presença, ouvir sua voz, suas observações e considerações, com olhar inquieto e astuto, que só as mulheres têm foi um bálsamo.

Denise partiu, foi para Salvador, mas como todos que partem, levou um pouco de nós e deixou muito de si.

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