Capacitação como indutor de desenvolvimento econômico e protagonismo feminino
Programas sociais do Porto São Luís desenvolvidos para mulheres alavancam capacitação e geração de renda e qualidade de vida

Time do Porto São Luís, à frente dos programas sociais: a analista Social Débora Rodrigues, a gerente Lívia Cândice e a analista socioambiental, Quilana Viégas
Investir na formação produtiva de mulheres — especialmente aquelas que são chefes de família — gera efeito positivo multiplicador na economia doméstica e nas comunidades. Segundo dados do Banco Mundial e da ONU Mulheres, cerca de 70% das decisões de consumo familiar em países em desenvolvimento são tomadas por mulheres, e grande parte da renda gerada por elas é direcionada para alimentação, educação e saúde dos filhos; criando um ciclo virtuoso de melhoria das condições de vida de famílias e comunidades.

A exitosa artesã Flor de Lys Pereira de Araújo
No Brasil, ao se permitir que mulheres historicamente afastadas do mercado de trabalho formal — muitas vezes por baixa ou nenhuma escolaridade, e pela ausência de oportunidades no mercado — desenvolvam novas competências e iniciem atividades geradoras de trabalho e renda, tem impactos positivos imediatos e de profunda transformação social.

A talentosa crocheteira Maria Antônia Ferreira Reis Conceição, à frente da grife M A Artes e Crochê
PORTO SÃO LUÍS APOSTA NO DESENVOLVIMENTO FEMININO E DE BASE COMUNITÁRIA
Um exemplo exitoso é a estratégia de gestão social do Porto São Luís, empreendimento portuário localizado na capital maranhense, que tem priorizado programas estruturantes voltados à capacitação profissionalizante, em especial de mulheres, residentes nas comunidades do Cajueiro, Mãe Chica e seu entorno.

Maria de Jesus Sales de Lacerda (Dona Dijé) posa orgulhosa em frente ao seu restaurante, na Praia do Cajueiro
O programa social do Porto São Luís tem investido na oferta de cursos – tais como empreendedorismo básico, manipulação de alimentos, produção de doces e salgados, bolos caseiros; corte e costura, beleza, entre outros – que despertam novas habilidades produtivas, criando alternativas reais de capacitação, trabalho e geração de renda para moradoras da região.

A boleira Raylane Dias que sonha em levar suas delícias a toda São Luís
A proposta segue uma lógica de desenvolvimento territorial: ao qualificar mulheres da própria comunidade, os programas contribuem para ampliar a autonomia econômica das famílias e estimular pequenos empreendimentos locais, estimulando e fortalecendo a rede da economia comunitária. E muitas dessas mulheres — antes afastadas de qualquer atividade remunerada — passam a se reconhecer como agentes econômicos ativos, tornando-se contribuintes diretas da renda familiar, ou até mesmo únicas provedoras destas famílias.

Jacilene Abreu e integrantes do grupo Mãos Virtuosas, entregando a encomenda de 800 ecobags feitas por elas, na Mãe Chica, ao time da Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária
“O impacto dessas iniciativas vai muito além da renda. Muitas mulheres recuperam a confiança em si mesmas, passam a se sentir produtivas e protagonistas de suas próprias trajetórias. Essa é a melhor forma de nos relacionarmos com a comunidade – ajudando a desenvolver pessoas e a potencializar talentos”, afirmou a gerente do Porto São Luís, Lívia Cândice.
IMPACTO SOCIAL MULTIPLICADOR E HISTÓRIAS INSPIRADORAS
Para muitas das mulheres beneficiadas, as diversas capacitações gratuitas ofertadas pelo Porto São Luís – através de parcerias com entidades como Senai, Senar, Sebrae e instituições privadas – representaram a oportunidade que faltava e os primeiros passos para saírem da invisibilidade produtiva e ingressarem em uma trajetória ascendente de independência financeira, orgulho, protagonismo e pertencimento. E mais que isso, de novos sonhos e renovação de vidas.
Foi o que aconteceu com a ex-dona de casa Flor de Lys Pereira de Araújo, que aos sessenta anos comemora o sucesso como artesã, e confessa que nunca esteve tão feliz. Ela produz bolsas e mochilas no ateliê que montou em sua casa, após fazer um curso de corte e costura ofertado pelo Porto São Luís:
“Antes eu vivia entediada, só cuidando da casa; sem formação e sem trabalho. Devo ao Porto São Luís tudo o que sou agora. Parece que eu renasci, quando aprendi a costurar. E saí do curso muito motivada e decidida a mudar de vida. Comprei minha máquina, que é minha grande companheira hoje. Faço bolsas, mochilas e meus produtos já começaram a ser levados para outros estados, sempre elogiados pela qualidade. Quero inspirar mais mulheres a buscarem trabalho e renda. Não devemos nos acomodar só porque não temos muito estudo ou já estamos mais maduras. Não tem limite de idade para sonhar, trabalhar e melhorar de vida. Estou com sessenta anos e nunca me senti mais produtiva em toda a minha vida”, disse sorrindo a artesã, moradora do Cajueiro.
Outra “jovem” artesã e crocheteira de sucesso é a dona Maria Antônia Ferreira Reis Conceição, moradora da Mãe Chica. Ela também tem sessenta anos e coleciona conhecimento: Já fez quatro cursos diferentes – empreendedorismo básico; doces e salgados, corte e costura e curso de bolos caseiros – todos ofertados gratuitamente pela empresa na própria comunidade. Com cada curso foi aprendendo um pouco mais, e despertando a confiança na qualidade de seu trabalho, e na viabilidade da sua grife M A Artes e Crochê.
“Eu já trabalhava há algum tempo fazendo crochê mas foi no curso de empreendedorismo básico que aprendi sobre qualidade, como controlar as finanças, como cobrar pelos meus produtos e a valorizar meu trabalho; e foi assim que comecei a lucrar mais. Com esse maior impulso nas vendas, consegui juntar dinheiro e comprei uma máquina industrial e já comecei a trabalhar também na área de roupas. E agora que o crochê tá na moda, a procura cresceu, e com ela a minha renda. Com o meu trabalho, estou tendo dinheiro para realizar o antigo sonho de reformar a minha casa. Tudo isso aconteceu devido às oportunidades que o Porto São Luís trouxe para a comunidade; e valorizo muito todo o conhecimento que adquiri nesses cursos. Quero seguir trabalhando, lucrando e aprendendo sempre mais. E também, ajudar outras mulheres a aprenderem o que que puder ensinar”.
Quem também despertou para o empreendedorismo foi Maria de Jesus Sales de Lacerda, conhecida como dona Dijé, de 57 anos. Ela fez o curso de Alimentação Alternativa oferecido pelo Porto e essa experiência mudou sua vida. “Decidi empreender e abri o restaurante Praia do Cajueiro / Quintal Gastronômico, que comando com meu esposo. O sucesso veio e com a renda do negócio já estamos finalizando a reforma da nossa casa que era um sonho nosso; e em breve vamos reformar também o restaurante. Quando perguntam qual a minha formação, respondo que tenho o Dom de Cozinha. Amo o que faço e me orgulho da renda que ganho com esse trabalho. Mas foi graças ao curso oferecido pelo Porto que despertei para o meu talento. Às mulheres eu recomendo – acreditem que são capazes. Faça o que sabe, estude para crescer, vá à luta e trabalhe muito que as conquistas virão”, ensinou dona Dijé.
Foi também no ramo de alimentos, que Raylane Gomes Dias de 33 anos, conquistou sua independência financeira após fazer o curso de bolos caseiros. Hoje ela vende seus bolos na comunidade; conquistou um contrato fixo para o fornecimento de lanches para os projetos sociais do Porto, e teve sua vida transformada com seu trabalho: “Sou muito grata ao Porto São Luís pelas oportunidades que me deu. Nossa comunidade é muito isolada, só temos um ônibus aqui e poder fazer o curso de bolos perto de casa foi um presente. Foi nesse curso que pude me capacitar para ter segurança e virar uma profissional. Hoje, sustento minha família com esse trabalho. Sonho em crescer, ser mais conhecida e ter meus bolos em mais pontos de venda. O contrato fixo com o Porto me mostrou que sou capaz. Aprendi acima de tudo, a não ter medo e a acreditar em mim; saber que sou capaz mudou a minha vida”, refletiu Raylane.
MÃOS VIRTUOSAS: UMA MULHER CRESCE, SONHA E PUXA OUTRAS
Jacilene Pereira Correia de Abreu tem 37 anos, criou e comanda o grupo de economia criativa e solidária Mãos Virtuosas, formado por mulheres da comunidade Mãe Chica. Ela quer dar a chance para outras mulheres de crescerem como ela própria, e realizarem sonhos com seu trabalho.
“Eu fiz o curso Mulheres Empreendedoras ofertado pelo Porto quando estava iniciando como costureira. Depois fiz outros cursos deles e todos me ajudaram a perder o medo de investir e gerir o meu negócio. Me especializei na fabricação de bolsas e comecei com apenas uma máquina de costura caseira. Hoje tenho três máquinas industriais, uma prensa plana para sublimar camisetas e bolsas e outra para canecas e garrafas, e vou investir mais no ramo de personalizados. Este ano, também consegui comprar a primeira máquina de costura da minha mãe, realizando um sonho dela, que adiou isso quando investiu em mim, e ajudou a comprar a minha primeira máquina. Com o meu trabalho, hoje a minha família vive com mais dignidade”, contou Jaci.
Essa transformação de vidas através do trabalho também se estende a outras mulheres do Mãos Virtuosas. Em novembro de 2025 o grupo criado por Jaci foi aprovado em um edital público para fornecer mais de 800 ecobags para a Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária (Setres). E Jaci sonha em ir muito além…
“Quero aumentar meu negócio para poder atender também mais mulheres com o Mãos Virtuosas. Teve uma integrante do nosso grupo que estava morando com o marido e o filho em uma casa sem portas. E foi com o trabalho dela em nosso grupo, que conseguiu comprar a porta de casa” lembrou emocionada. E completou: “Também sonho um dia, em criar um projeto social voltado para a educação musical de crianças e jovens na Mãe Chica”, revelou a empreendedora de sucesso e de muitos sonhos. Afinal, são os sonhos – juntamente com a oferta de oportunidades – que mudam vidas.
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