Fechar
Buscar no Site

A lição de mártir do cão “Orelha”

SEBASTIÃO UCHOA
Advogado, delegado de Polícia Civil aposentado, ativista da causa animal e ex-delegado da Delegacia Especializada do Meio Ambiente, em São Luís do Maranhão.

Os noticiários nacionais dos últimos tempos não têm dado trégua à nação brasileira, sejam pelos epitetados gravíssimos escândalos do Banco Master e os furtos aos aposentados do INSS e, agora em grau de grande comoção com revoltas e abalos emocionais, em prol da fauna nas espécies caninas, envolvendo o biocídio cometido contra a vida do animal não humano comunitário conhecido carinhosamente por “Orelha. Esse acontecimento nefasto, ocorrido na cidade de Florianópolis, mais precisamente na localidade chamada de Praia Brava, despertou a atenção da coletividade devido ao periculoso comportamento de crueldade praticado por jovens de classe alta, mediante revelações de prováveis psicopatias que precisam bem ser investigadas além do conceito legal, mas criminológico na acepção biopsicossocial, sobretudo.

O psicanalista austríaco Sigmund Freud é o autor da frase “que em momento algum o lado mau, monstro e desumano deixará de existir dentro dos humanos, apenas espera o momento para se revelar”. Daí, todo cuidado é pouco, especialmente quando subestimamos, de qualquer forma, a nós mesmo e aos que nos acompanham na vida intrafamiliar. Assim, parafraseando o adágio religioso “orai e vigiai”, parece bem aplicável ao contexto.

O fato concreto é que, comportamentos do estilo, aqui e acolá, se repetem em todo o país, basta consultar os bancos de dados de registros de ocorrências policiais nas Delegacias do Meio Ambiente, pelo país afora.

Na capital maranhense, tivemos o primeiro caso de autuação em flagrante delito já na nova capitulação dado ao artigo 32 da Lei dos Crimes Ambientais, onde quaisquer violências cometidas contra animais domésticos nas espécies de cães e felinos, hoje sujeita o agente criminoso em prisão em flagrante, com pagamento de fiança somente em juízo.

Recordo-me que a citada ocorrência envolveu um funcionário de um condomínio que arrastara numa motocicleta um cão amarrado numa corda e, com as bençãos das energias do Alto, no momento do cometimento do crime, estava passando um policial militar à paisana que, logo seguindo o motociclista, além de interceptar a ação delitiva, deu ordem de prisão ao criminoso e o conduziu ao plantão do bairro Maiobão, localizado na Grande Ilha de São Luís-MA.

Coincidentemente, o delegado de plantão era o atual secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, que não titubeou, ou seja, lavrou o Auto de Prisão em Flagrante e encaminhou o criminoso para uma das unidades prisionais localizadas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Fato inédito e super educativo à população. Ou seja, pela primeira vez alguém estava sendo preso pela prática de maus tratos contra os animais na cidade, cuja repercussão foi de extrema educação social na prevenção genérica dessa tipologia criminal.

Na realidade, enquanto a humanidade não acordar para entender que o conceito de Ecologia não se limita a habitação apenas dos humanos, mas de todos os reinos que compõem os seres animados e inanimados do orbe terrestre, tais como animais humanos e não humanos, vegetais e mineral, onde “todos tem vida e santidade” nas palavras do saudoso ex-arcebispo de Olinda e Recife e expoente de espiritualidade além-religião, D. Hélder Câmera, teremos triste e horrendas notícias do estilo, mesmo tornando mais severas as penas em quaisquer violação em matéria de tutelas jurídicas afins.

No fundo, é preciso melhor estudar tais comportamentos daqueles supostos adolescentes infratores, pois na literatura da psicopatia, há uma evidência de insensibilidade para aqueles que encontram prazer no cometimento de agressões a seus semelhantes e ao reino animal não humano.

Assim, urge à família identificar tais distúrbios ainda quando, na fase de criança, estiver um ente querido em processo de crescimento e formação da personalidade, de forma que, identificando comportamentos frios, desumanos, calculista e ultra insensíveis, tomem-se providências para tratamentos corretivos ou do contrário, poderão colher péssimos frutos de surpresas desagradáveis no por vir, e até mesmo, ser vítima de atrocidades direta. Para tanto, é só rememorar os inúmeros casos acontecidos na literatura criminal do país, onde filhos, filhas, netos ou netas têm ceifado vidas de seus entes queridos, de forma mais monstruosa possível.

Sabe-se que o Orelha não volta mais, mas despertou e desperta um rastro na nação brasileira, na condição de mártir, acerca de como lidar com a questão da causa animal no país, independente da espécie, onde o respeito à vida de todos os seres vivos precisa urgentemente ser regra de convivência harmoniosa entre todos os habitantes do país e claro, em plano maior, no planeta Terra.

Para tanto, sob pena de não muito distante, comportamentos do acontecido, torna-se tão comum que aos humanos em grau de mesma amplitude, venha acontecer em clima de pseudo normalidade existencial. E aí o gravíssimo prenúncio de até mesmo estarmos diante do fim de todas as espécies, será o mote maior, é só não duvidar e orarmos a Oxalá para que tal profecia nunca aconteça seja em que qualquer parte do planeta que ainda se chama Terra, AMÉM!

O conteúdo deste blog é livre e seus editores não têm ressalvas na reprodução do conteúdo em outros canais, desde que dados os devidos créditos.

mais / Postagens