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Viver é renovação continua

LUIZ THADEU NUNES E SILVA
Engenheiro agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”.           
Instagram: @Luiz.Thadeu                   
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E-mail: [email protected]

Recentemente, ocupei o nobre espaço deste periódico para falar da nova nomenclatura para idoso, uma palavra que não gosto. Prefiro velho a idoso.

“Agora, não é mais idoso, é Nolt. Essa nova forma de se dirigir às pessoas 60+ ativas nasce de uma realidade que já está diante de nós. Esse público não se reconhece mais no rótulo de ‘idoso’, carregado de ideias ultrapassadas sobre limitações e fim de ciclos. Surge então o NOLT – New Older Living Trend — pessoas que seguem vivendo com propósito, curiosidade e vontade de evoluir. Acima de tudo, amando viver, com fome e sede conhecimentos”, escrevi na crônica anterior.

Retomo o assunto. Na semana passada, a convite dos queridos tios Ana Maria e Miguel Aragão, assisti ao seu casamento no religioso. Ao completarem 50 anos de vida em comum, e por serem casados apenas no Civil, resolveram celebrar diante do altar, em cerimônia simples, carregada de simbolismo. Os três filhos do casal, os seis netos, familiares e amigos, testemunharam na quela manhã que o amor se transmutou, deixou de ser Eros para ser fraterno. Enquanto grande parte dos casais estão se abandonando, Ana e Miguel provam que podem, sim, seguir na caminhada construída a dois. Descobriram que envelhecer um ao lado do outro não é perda, pois no outono da vida um precisa do outro. Seguem juntos, pois têm uma história construída por eles. Com o passar do tempo, aprenderam a ser mais gentil um com o outro. Estão juntos há 50 anos, pois decidiram assim.

Chegar na maturidade com boa cabeça, saúde mental é ganhar liberdade. Ganhar silêncio interior. Ganhar o direito de escolher quem fica, o que importa e o que já não pesa.

NOLD, a sigla em inglês, em versão livre, seria “nunca velho”. O termo ganhou força por descrever um novo perfil de pessoas, que embora com mais 60, 70 anos, continuam ativas, produtivas, criativas.

São gerações que desafiam os estereótipos tradicionais sobre envelhecimento, e se reinventam. Pessoas que continuam empreendendo, mudando de profissão, trocando de parceiro(a), praticando esportes, viajando. Enfim, são pessoas que têm projeto de vida, planos de futuro. Não se vestem de acordo com sua idade, e, sim, de acordo com o gosto pessoal e tendência da moda.

São digitalmente ativas, se adaptaram às novas tecnologias, usam redes sociais, aplicativos e gadgets com facilidade. Focam em longevidade com qualidade: academia, alimentação saudável, bem estar e principalmente, saúde mental.

Estamos vivendo uma transformação histórica, da forma como enxergamos a velhice.

Se antes a velhice era pré morte, com as pessoas se despedindo da vida; hoje, tudo mudou. Com uma população de 1,2 bilhão de pessoas 60+ no mundo, esse número tende a crescer nos próximos anos, um fenômeno demográfico sem precedente.

Essa mudança nos é só demográfica; é cultural e social. A sociedade está deixando de ver o envelhecimento como sinônimo de declínio, passando a reconhecer as pessoas mais velhas com vida ativa, que consomem e movimentam a engrenagem da economia.

Em países com alta concentração de idosos, como Japão, China e países europeus, o mercado olha essa geração como com força econômica e social.

Economias inteiras estão se adaptando ao que é conhecido como “Silver economy” (economia da longevidade), reconhecendo a importância desses cidadãos em gastos, trabalho e cultura.

Portanto, não se trata apenas de viver mais; trata-se de viver melhor, com protagonismo, autonomia e significado. Isso é ser NOLT.

A velhice deixou de ser uma etapa de declínio e se tornou uma fase de reinvenção contínua.

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