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Texto do Bispo Mario Porto, publicado na PG do dia 02/05/2021

A ESPERANÇA É O CORAÇÃO DA VIDA

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”. (Lamentações 3.21).

Depois de alcançar no início do mês de abril a plenitude da vacinação, Israel e o mundo testemunharam uma dolorida tragédia devido um tumulto em um festival religioso, deixou 45 mortos e mais de 100 feridos nesta última sexta-feira (infelizmente com crianças entre as vítimas). Cerca de 100 mil pessoas – a maioria judeus ortodoxos – participavam da celebração “Lag B’ Omer”, o maior evento desde o controle da pandemia do coronavírus no país. Relatos apontam que pessoas caíram de uma arquibancada, o que causou um princípio de tumulto. Uma multidão então tentou sair por uma passagem estreita e pessoas foram pisoteadas.

Daqui do Brasil enviamos nossos sentimentos e orações. Já estive em Israel por dez vezes, liderando as Caravanas dos Indesistiveis com perene parceria com a Operadora Rafas Tour. Aprendemos amar a nação de Israel, cada vez que vamos, amamos mais e mais.

No dia 9 do mês Abe do ano 587 A.C, a cidade de Jerusalém caía diante dos exércitos da Babilônia. Foi um desastre terrível. O sofrimento atingiu foi imenso.
Lamentações é a cerimônia fúnebre do enterro da cidade santa. Os episódios históricos que dão origem às lamentações estão em 2 Reis 25, e são perfeitamente identificáveis no lamento fúnebre: o cerco, a fome, a penúria, a fuga do rei, o saque do Templo, o incêndio da cidade, o fogo no templo, no palácio real, o fogo nos monumentos históricos, a demolição dos muros, a matança dos líderes, o exílio dos remanescentes, a caminhada de 900 quilômetros em direção ao cativeiro babilônico.

Essas lamentações foram escritas na forma de poema, e o poema, na forma de acróstico, usando o abecedário hebraico. Os cincos lamentos que compõem o livro são, ao lado do Salmo 119, os acrósticos mais bem elaborados de toda Bíblia. Cada um dos cinco lamentos percorre todo abecedário hebraico de Alef a Tau, de Alfa a Ômega, de A a Z. Provavelmente foi escrito assim para facilitar a memorização.
Em lamentações, os sentimentos são intensos e profundos. Não há em toda a Bíblia um texto mais cheio de sentimentos do que Lamentações. Jeremias é a encarnação desses sentimentos. Mas quando está no limite da sua dor, parece cair em si mesmo. Sacode de sobre si todo esse entulho emocional. Recompõe-se e diz: “Não…não permitirei que a minha vida seja apenas um baú de más e tristes recordações. Não permitirei que o meu coração se transforme em poço de armaduras. Não…chega…basta… a minha memória não será para sempre à memória da dor. Não ! Eu quero trazer à memória o que me pode dar esperança. Como Jeremias, nós vivemos na ambiguidade da existência. Há dias que somos um rio de alegrias; há outros em que somos um mar de tristeza.

Precisamos trazer à memória aquilo que pode devolver a esperança.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor…(1 Coríntios 13.13).

A esperança é uma das três virtudes da teologia; ao lado da fé e do amor. Rima com confiança, termo que deriva da fé: quem acredita, espera; e quem espera, acredita. Esperar é confiar.

Para Jesus, a esperança se colocava lá na frente, no Reino de Deus, que marca o fim e a plenitude da história. Paulo apóstolo de Cristo, declarou: Cristo em vós, a esperança da glória.
Hoje em dia, a esperança tem conotação secular – a utopia. É curioso observar que, antes do Renascimento, quase não se falava em utopia.
Para o cristão, a utopia do Reino de Deus supera as utopias seculares, sejam elas políticas, técnicas ou científicas. Espera-se, neste mundo, a realização plena das promessas de Deus, o que plenifica e transfigura o mundo. Assim, à luz dessas promessas elencadas na Bíblia, o cristão mantém sempre uma postura crítica diante de toda realização histórica, bem como modelos utópicos. Em outras palavras, quem espera em Cristo tem sua fé fortificada.

A esperança se baseia na memória. Quem espera, rememora e comemora. Nosso Deus não é um qualquer do Olimpo politeísta. É um Deus que tem história e faz memória: Javé, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. É essa memória que alimenta a consciência crítica, ciência da diferença. Pois a “utopia cristã”, sustenta-se na promessa de Deus. Por isso, a esperança cristã não teme o negativo, as vicissitudes históricas, o fracasso. É uma esperança crucificada, que se abre à perspectiva da ressurreição.

Na esperança, nós já fomos salvos. Ver o que se espera já não é esperar: como se pode esperar o que já se vê? Mas, se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos (Romanos 8.24-25). Como diz na Carta aos Hebreus, a fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se veem. (11.1). “Se a fé vê o que existe, a esperança vê o que existirá”.

A esperança é o caminhar na fé para o seu objetivo. A fé nos dá a certeza de que Jesus venceu a morte; a esperança, o alento de que venceremos os sinais de morte: a injustiça, a opressão, o preconceito e por aí vai. Por isso, o caminhar é entrecortado de dúvidas e dores, conquistas e alegrias, mas sabemos que, ao trilhar as sendas do amor, temos Deus como guia.

Indesistivelmente,

Vosso conservo em Cristo,

Mário Porto.

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