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Embrapa e Itaipu assinam acordo para desenvolvimento de modelos de produção sustentável de peixes

Divulgação JIE Itaipu - Tanque de 80 mil litros do programa da Itaipu, com capacidade de comportar a produção de até 60 mil alevinos

Tanque de 80 mil litros do programa da Itaipu, com capacidade de comportar a produção de até 60 mil alevinos

Parceria técnica visa a criação de protocolos tecnológicos de produção de pescado, com base no bioflocos para uso eficiente da água

A Embrapa Meio Ambiente e a Itaipu Binacional celebraram acordo de cooperação técnico-científica para o uso da tecnologia de cultivo de peixes com bioflocos – BFT (Biofloc Tecnology).  A opção pelo emprego deste sistema vai de encontro ao principal desafio da Itaipu, em fomentar contribuição à aquicultura regional com ações que vão desde ao apoio à cadeia produtiva, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e assistência técnica aos produtores da área de abrangência do reservatório, mantendo no escopo a preocupação com a manutenção da qualidade da água e com a biodiversidade aquática.

A tecnologia BFT não é nenhuma novidade para as empresas parceiras. A Itaipu atua na produção tecnológica com o sistema desde 2015. Já a Embrapa desenvolve atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) com o sistema BFT para produção de peixes juvenis de tilápias desde 2013, com ações direcionadas ao atendimento de demanda do setor produtivo e alguns dos objetivos da Agenda de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Com o acordo, as instituições pretendem unir esforços para o desenvolvimento e validação de tecnologias mais eficientes e sustentáveis, baseadas nos resultados de trabalhos prévios das duas empresas, no sentido de contribuírem para o crescimento sustentável da aquicultura brasileira, possibilitando a geração de empregos e renda para piscicultores, principalmente para os estados do Paraná e São Paulo, principais produtores de tilápias do país, respectivamente.

Conforme explica o superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer da Silva, a qualidade da água é o principal insumo de um sistema hidrelétrico e o cultivo de peixes no sistema, por mais tecnificado que seja, merece atenção para que a atividade não interfira de alguma maneira na qualidade final da água e, nesse sentido, o uso de tecnologia e boas práticas produtivas é o caminho a ser seguido.

“Para evitar esses problemas, realizamos alguns estudos com as melhores tecnologias para cuidar da água e, com isso, consideramos o uso do bioflocos, por meio da cooperação técnica com a Embrapa, por se tratar de uma tecnologia eficiente no uso da água. A intenção é qualificar todo o sistema produtivo de pescado na abrangência do reservatório, para que a atividade seja a mais sustentável possível e que ambas as atividades, a geração de energia e a piscicultura, convirjam para um objetivo comum, que é a sustentabilidade dos processos, uma vez que precisamos planejar, com extremo cuidado, os multiusos da água, ” disse.

Já o engenheiro agrônomo André Luiz Watanabe, da Divisão de Reservatório da Itaipu explica que dentro do Programa de Gestão Ambiental existe um projeto que busca fomentar o desenvolvimento da piscicultura regional. Com isso, se pretende construir protocolos de boas práticas produtivas para promover o desenvolvimento econômico e social da região de influência, atrelado a conceitos que levem à conservação dos recursos naturais, mais notadamente a preservação do patrimônio da biodiversidade de espécies nativas e da manutenção da qualidade da água. “Já existe cooperativa empregando o sistema bioflocos para a produção de alevinos e peixes juvenis e a nossa ideia é seguir somando forças ao que é racional e ambientalmente mais correto. Nesse sentido, a parceria técnico-científica com a Embrapa vai nos permitir projetar a criação de um inédito pacote tecnológico e a formação de mão de obra especializada no manejo mais tecnificado. Essas ações contribuirão significativamente para a disseminação de práticas e sistemas de produção de peixes ambientalmente mais sustentáveis, ” disse Watanabe.

Para a chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Meio Ambiente, Paula Packer, a parceria com a Itaipu é uma oportunidade ímpar para apresentação de ativos de inovação que visam a melhoria estratégica da cadeia produtiva do peixe. “A especialização e a intensificação das produções animal estão crescentes em todas as regiões, requerendo uma inter-relação com ações inovadoras dos processos e resultados nas cadeias produtivas, visando melhorias estratégicas.  Alinhada a missão da Embrapa, as pesquisas têm por objetivo fim, a geração de tecnologias mais eficientes e sustentáveis, imprescindíveis para o atendimento das necessidades básicas de alimentos para a sociedade brasileira, ” explica.

O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Hamilton Hisano, ressalta que o principal desafio para o aperfeiçoamento dos sistemas intensivos de produção de peixes está fundamentado na diminuição do uso da água, manutenção de sua qualidade e redução da emissão de efluentes que, consequentemente, asseguram menor impacto ao ambiente.

Segundo ele, a tecnologia de bioflocos atende perfeitamente a esses requisitos e, portanto, mais adequada para o desenvolvimento sustentável da aquicultura. A característica fundamental do BFT é tornar possível a reciclagem de nutrientes, por meio da manutenção de uma relação carbono/nitrogênio (C/N) na água, que estimula o crescimento de bactérias heterotróficas, que convertem amônia em biomassa microbiana.

Bioflocos são partículas orgânicas em suspensão compostas por material orgânico particulado, sobre o qual se desenvolvem diversos microrganismos como zooplâncton, fitoplâncton e diversas bactérias, que proporcionam níveis de proteína bruta (PB) de até 40%. A tilápia possui habilidade para aproveitar o biofloco como alimento complementar, permitindo a redução do nível de proteína na ração desta espécie e diminuindo o custo de produção, o qual foi objeto de um dos estudos coordenados pelo pesquisador

“Essa dinâmica viabiliza a manutenção da qualidade da água. Com o bioflocos, o sistema produtivo fica mais equilibrado, com menor uso de insumos e maior produtividade, o que agrega competitividade, ” completa.

 

Marcos Vicente (MTb 19.027/MG)
Embrapa Meio Ambiente

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