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Páscoa : A Festa da Ressurreição

Dieter Steiger

Os israelitas estavam com todas as suas atenções voltadas para o cordeiro de um ano de idade na memorável noite da Páscoa (veja Êxodo 12). Ele representava sua salvação diante do anjo destruidor. Da mesma forma, nós estamos ligados ao Cordeiro de Deus, Jesus, que nos livra da ira de Deus. A Bíblia nos ordena: “Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé…” (Hebreus 12.2). Nossa atenção deve estar totalmente concentrada em Cristo e nas coisas do alto: “Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus” (Colossenses 3.1).A Páscoa fala diretamente da nossa nova posição em Cristo: “… vocês ressuscitaram com Cristo”. Antes de nos convertermos a Jesus, vivíamos “sem Cristo… e sem Deus no mundo” (Efésios 2.12).Por essa razão não basta, de forma alguma, que sejamos religiosos, seguindo certos costumes ou celebrando festas cristãs. Cada uma das famílias israelenses tinha de levar para sua casa o cordeiro que escolhera, e por três dias esse animal era o centro da vida dessa família. Cada membro sabia: esse cordeiro morrerá em meu lugar, para que eu não precise morrer!

Jesus Cristo entregou sua vida desta forma, morrendo na cruz para que nós recebêssemos vida eterna ao aceitá-lo em nosso coração. Essa decisão é vital e precisa ser tomada pessoalmente, pois ninguém pode tomá-la em lugar de outro. Nós, que já́ fizemos isso, somos exortados: “procurem as coisas que são do alto… Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (Colossenses 3.1-2). O que ocupa os seus e os meus pensamentos? O que absorve toda a minha atenção e energia? Somos bombardeados com informações, apelos e ofertas tentadoras e receitas para a felicidade, mas em nossa rotina diária e na vida real somos deixados sozinhos em nossas batalhas. Nessas horas, o Espírito Santo acende a Palavra de Deus em nós, fazendo-nos reconhecer como são passageiras e vãs as coisas deste mundo e como são vazias as fórmulas que a mente humana oferece para a nossa felicidade. “O mundo e a sua cobiça passam…” (1João 2.17).Pensando nessa passagem bíblica, somos imediatamente remetidos à parábola do rico insensato, contada por Jesus, onde o rico diz: “E direi a mim mesmo: ‘Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se’. Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?'” (Lucas 12.19-20).

Cada membro sabia: esse cordeiro morrerá em meu lugar, para que eu não precise morrer!

A Páscoa é uma celebração em memória do que Jesus fez por nós. Por isso, sua mensagem apela ao nosso coração e apela à nossa posição em Cristo: “Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3.3).Com o Senhor Jesus morremos para a nossa velha vida – com suas paixões e desejos – e agora vivemos com ele e para ele (ver 2Coríntios 5.14-15). Colossenses 3.5 diz: “Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês…”. Esse fazer morrer significa dar cabo, separar-nos das práticas da velha natureza. Somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou! Mas a expressão que me tocou profundamente foi “a sua vida está escondida”.A nossa verdadeira vida está oculta. Muitas vezes gostaríamos de viver sem pecado, como cristãos perfeitos, sem qualquer defeito. Mas, para isso teríamos de ter morrido por ocasião de nossa conversão. Só́ assim estaríamos livres da nossa natureza pecaminosa e completamente separados de qualquer pecado. A Deus, porém, agradou nos fornecer apenas um penhor da nova vida. E essa garantia basta. Temos os tesouros divinos em vasos de barro: a unção do Espírito Santo, sua força e seu poder em mim e em você̂ para exercermos o ministério de testemunho neste mundo! Testemunhamos de nosso Mestre e falamos do que ele fez por nós.

Aqui, agora, temos o penhor, mas um dia teremos o cumprimento.

A morte de Cristo é um fato histórico. Ele morreu e nós morremos com ele. Hoje vivemos pela fé́ nesse Senhor. Mas ele não ficou morto. Ressuscitou! E sua ressurreição aponta para o futuro: “Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória” (Colossenses 3.4). Essa é a nossa esperança viva. Aqui, agora, temos o penhor, mas um dia teremos o cumprimento, como o apóstolo escreveu: “… sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é”; (1João 3.2).Que perspectiva maravilhosa! Receberemos um novo corpo, semelhante ao de Cristo no monte da Transfiguração e aquele após sua ressurreição. Um corpo glorioso, sem pecado, sem doenças, sem dor e sem sofrimento! Mas hoje já podemos agradecer por tudo o que ele nos tem dado: “Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça” (2Pedro 1.3-4).

Dieter Steiger nasceu na Alemanha e se formou em teologia pelo Seminário Bíblico de Beatenberg, Suíça. Em 1965, ele e sua esposa, Helga, deixaram a Europa como missionários em direção ao Brasil. Foi diretor e professor da Escola Bíblica da Chamada da Meia-Noite em Montevidéu, Uruguai, e também serviu por muitos anos como presidente da Chamada da Meia-Noite no Brasil, a qual fundou. Em 2016, porém, voltou para a sua terra natal, onde aguarda ansiosamente a volta do Senhor Jesus Cristo.
Fonte/ chamada.com

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