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Sarney, a sombra da eleição em Macapá e a ‘aliança frankenstein’

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recebeu nesta terça-feira alta médica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo

Uma aliança frankenstein em busca da reeleição. É assim que aliados e desafetos definem em Macapá a parceria da Rede Sustentabilidade, partido criado pela ex-senadora Marina Silva sob o discurso de “nova política”, com legendas como DEM, PSC e PSDB. Clécio Luís, candidato à reeleição na cidade, já havia colocado o refratário Psol, partido a que era filiado, no mesmo balaio dos democratas nas eleições que o levaram pela primeira vez à chefia do Executivo municipal, em 2012. “Clécio fez a opção por uma aliança conservadora para ter sustentação na Câmara”, justifica o ex-aliado João Capiberibe (PSB-AP), senador e ex-governador do estado.

Novamente de braços dados com o DEM, Clécio tenta nas eleições de outubro manter distante da principal cidade do estado a sombra do oligarca mais longevo da história brasileira, o ex-presidente e ex-senador José Sarney, há não muito tempo alvo de um pedido do Ministério Público para que usasse tornozeleira eletrônica por suspeitas de atuar para atrapalhar a Operação Lava-Jato. Sarney, que desgastado no Maranhão teve de recorrer ao Amapá para tentar perpetuar sua influência política, não aparece mais na região que lhe deu três mandatos como senador. Mas mesmo com a onipotência em xeque, continua dando as cartas no caciquismo local.

Ausente de palanques públicos, o coronel está longe de amargar o ocaso político a que aparentemente estava submetido desde 2014, quando anunciou que deixaria a vida parlamentar. Depois de retornar ao noticiário político em uma gravação do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, na disputa pela prefeitura de Macapá José Sarney operou à distância para a consolidação da candidatura do eterno aliado Gilvam Borges (PMDB). Dono de um poderoso conglomerado de rádios e televisões no estado, Borges é o candidato orgânico da oligarquia Sarney, aliado do também sarneysista Waldez Góes, governador do estado, e potencialmente o único capaz de fazer frente ao favoritismo de Clécio, ainda que também disputem a prefeitura a ex-vice governadora Dora Nascimento (PT), a vereadora Aline Gurgel (PRB), Promotor Moisés (PEN), o ex-deputado estadual Ruy Smith (PSB) e o sindicalista Genival Cruz (PSTU).

O arranjo político costurado à distância por Sarney para a disputa de outubro colocou lado a lado Gilvam Borges e o empresário Adiomar Veronese, como candidato a vice. Veronese é o mesmo que anos antes havia sido acusado pelo governador Waldez Góes de “tramar” para que ele, Waldez, e a primeira-dama Marília Góes fossem presos na Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal. Gilvam e Waldez são a personificação de Sarney no Amapá. Veronese hoje compõe o mesmo grupo. As alianças frankenstein não são exclusivas de Clécio. (Veja)

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Uma resposta para “Sarney, a sombra da eleição em Macapá e a ‘aliança frankenstein’”

  1. Luis Ribeiro disse:

    Graças a delação de Machado, o “intocável” Sarney voltou a mídia como investigado. Agora tenta fazer suas manobras políticas para continuar no cenário. Dá vontade de rir diante do desespero de alguns políticos.

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