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Pesquisa de más intenções

E se fosse feita uma pesquisa das más intenções de voto? A corrupção eleitoral se assenta em dois extremos: de um lado, o candidato disposto a comprar voto; do outro, o eleitor disposto a vendê-lo. Basta que se anuncie o processo eleitoral para que presidentes de associações de moradores, de clubes de mães, de pais, de jovens, diretores de times de futebol, presidentes de agremiações carnavalescas e grupos folclóricos, pais e mães de santos, pastores etc. se animem.

Munidos de folhas de papel almaço, começam a rondar as candidaturas, exibindo o número de associados de cada clube, os torneios conquistados nos bairros, o número de brincantes nos grupos folclóricos e carnavalescos, o poder das entidades espirituais em cada terreiro, o número de membros das igrejas. Assim esperam se credenciar a receber qualquer forma de pagamento pelo voto alheio. Os mais humildes encaram o candidato e avisam logo: ‘Doutor, só na minha família são dezoito votos’.

E os prefeitos? Ah, os prefeitos… Engolem convênios fantasmas, transferências inesperadas de recursos, engavetamento de processos, perdão de dívidas ou, então, como muitos vereadores, recebem na boca do caixa o financiamento da próxima campanha.

Mas há os que votam solitariamente, em troca do pagamento de uma conta de luz atrasada, de um churrasco na beira do rio, de um contrato temporário de trabalho, de uma passagem interestadual, um telhado novo, uma receita médica atendida, de uma operação cesariana ou de catarata e até de um aperto de mão e alguns vidros de remédio.

E estes são os pilares da democracia brasileira, nos quais se ergue a República, nos quais quase sempre importa mais o favor imediato que o programa de governo, que o trabalho já realizado por quem concorre a um novo mandato.

E se fizessem uma pesquisa de más intenções de votos? Qual seria o resultado em São Luís?

(JM Cunha Santos)

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