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Os segredos de Sarney e Collor

Mary Zaidan

Então está tudo certo. Não passou de mais um mal entendido da série de incompreensões que insiste em perturbar os primeiros meses do governo Dilma Rousseff. A presidente, que antes não queria, depois queria, e agora não quer de novo, enterrou de vez essa história de sigilo eterno para documentos ultrassecretos.

Livrou-se da indução hipnótica dos ex-presidentes José Sarney e Collor de Mello, que queriam porque queriam trancafiar segredos para todo o sempre.

Quem estalou os dedos e quebrou o encanto foi o Itamaraty. Assegurou que o Paraguai não reivindicará territórios de volta, que não há conflitos passados que perturbem o Acre nem qualquer outra fronteira geográfica ou de amizade entre os países com os quais o Brasil se relaciona ou se relacionou desde o descobrimento.

Só resta saber por quais sigilos Sarney e Collor tanto se bateram. Queriam esconder o que?

Como vão guardar em segredo absoluto suas motivações, permite-se liberdade plena para qualquer tipo de conclusão. E, a julgar pela folha corrida de ambos, nada indica ser boa coisa.

Não vamos descobrir nunca. Talvez as próximas gerações até consigam, caso o Senado não modifique a proposta da Câmara de abrir os documentos ao público em, no máximo, 50 anos.

Mas a realidade não se pode esconder.

Donos e herdeiros de clãs que dominam seus estados e dão cartas em outros tantos, Sarney e Collor fizeram glória e fortuna exatamente nos maiores paraísos de miséria do país.

Em todos os indicadores sociais, o Maranhão de José Sarney só ganha das Alagoas de Collor de Mello. Os dois estados têm os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) – Maranhão, 0,683, e Alagoas, 0,677 – ; lideram os rankings de analfabetismo e de mortalidade infantil – Alagoas com 66 mortes por mil de crianças até um ano de vida e o Maranhão com 39 em mil -, e o de menor expectativa de vida. Somam-se aí taxas pornográficas de saneamento: o Maranhão tem apenas 1,4% de esgoto tratado, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico.

Ao querer manter debaixo do tapete atos de quando ocupavam o Palácio do Planalto – único motivo plausível para tanto empenho no sigilo eterno de documentos – Sarney e Collor, que, como se vê, não têm qualquer apreço pela população de seus estados, condenando-as à pobreza eterna, perpetuam-se como símbolos do que há de mais nocivo ao país.

E isso não é segredo.

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2 respostas para “Os segredos de Sarney e Collor”

  1. RICARDO disse:

    É INADMISSÍVEL E INACEITAVEL QUE EM PLENO SÉCULO XXI, ÍNICIO DE UMA NOVA DÉCADA DOIS DOS MAIORES LADRÕES DA HISTÓRIA POLITICA BRAILEIRA QUE O PAÍS JÁ TEVE QUE É SARNEY E COLLOR CONTINUAM A MANDAR NO BRASIL,MAIS ESPERAR O QUE DA DILMA SE ELA MOSTRA QUE É MUITO PIOR DO QUE ELES DOIS JUNTOS. PORQUE SÓ DE DAR PODER E ACEITAR TUDO QUE ELES QUEREM, ISSO SIM MOSTRA QUE ELA REALMENTE É MUITO PIOR DO QUE OS DOIS JUNTOS.

  2. Dom Cosme ... disse:

    Para quem interessar possa:
    Eu começo esta postagem com uma canção, sobe uma tragédia acontecida no estado do Pará e que vitimou um artista popular que não me vem na memória cujo titulo era:É triste seu moço é triste ,é triste mais eu vou contar:alamentável tragédia da baia de Guajará… Essa é a realidade em que vivemos. Uma nação em que ao há alternância de poder, muita sujeira se esconde por baixo desse tapete irremovivel.Quem pratica crimes sempre prefere anonimato, quem comete atos de perversão administrativo, não quer que seu nome se associe a esses atos. Guardar segredos de estado por mais de 20 anos é manter a história sob suspeita de sua veracidade… É por isso que as oligarquias querem que seu atos secretos sejam mantidos em pleno segredo.

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