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Livrei-me da TIM, amém

Por Chico Viana (médico e vereador de São Luís)

Depois de muitas idas e vindas, felizmente livrei-me da TIM. Não foi um ato de bravura, não deve representar nada à operadora, mas fiquei feliz por haver cumprido o meu dever de usuário, e cidadão. Infelizmente foi só isso, mas a dica ficou para a coluna de hoje: o cidadão tem de tomar uma iniciativa própria quando a autoridade, regiamente por ela paga se omite. Que a TIM é uma empresa que presta serviços precaríssimos à população, seja lá onde se instale, isso quem tem um celular está careca de saber. Agora, no dia 16/11/2011, foi multada em R$ 16.017.768,00 decorrente de 26 processos por má prestação de serviço, multa que pode chegar a R$ 100 milhões, até o final do ano, já que alguns querelantes não aceitaram o acordo proposto pela empresa e vão continuar demandando, segundo nos informa o jornal Tribuna do Norte, do dia 16 do mesmo mês. Pena que foi no Rio Grande do Norte.

Em maio de 2009, por desrespeitar o decreto que regulamenta o Serviço de Atendimento ao Comprador, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, já a havia sido condenada em R$ 650 mil.

O que não falta neste Brasil são exemplos de autoridades fazendo jus ao salário, agindo em defesa da população. Aqui, não; aqui, se há barata no refrigerante, não se pune; faz-se um termo de ajustamento, onde, via de regra, os ajustes não são cumpridos, e o cidadão tem que se virar sozinho. Eu mesmo já tive que ir distribuir na porta do Shopping São Luis as leis que impedem a empresa que não tem alvará exclusivo para exploração do ramo de estacionamento privados fazê-lo. Isso, depois de um termo de ajustamento em que ela se comprometeu em não cobrar usuários que efetuassem compras e aumentar o prazo inicial do usufruto gratuito para duas horas, nada cumpriram, etc… Como último recurso, fui à rua. Não adiantou nada.

Observe que, mesmo que o cidadão tome a iniciativa de fazer prevalecer seus direitos, pouco serve, e para muitos é, com justa razão, constrangedor.

Ora meus leitores, que sentido tem as repartições públicas federais que atendem ao público intimidá-los com uma advertência visível em quase todos os locais, detalhando o que é DESACATO, e as penas que são cominadas por quem sequer alterar a voz? Por que não colocar ao lado uma que também esclareça o que é ABUSO DE AUTORIDADE ou OS DOS DEVERES DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS? Ah, não botam mesmo. E se o cidadão se insurgir é louco, assim como um D. Quixote hodierno enfrentando moinhos de vento. Só que os nossos moinhos são verdadeiros e, na ausência de quem nos tome a causa como sua, a gente vai bancando ‘louco’ por aí, e às vezes, pode até dar certo.

Na TIM mesmo, ou em qualquer outra repartição, comércio, a primeira coisa que perguntei e pergunto é onde era o atendimento preferencial ao idoso. Se não tem, vou ao gerente, e se o gerente não resolve, entro na primeira fila e a tranco: – Só saio daqui quando for atendido.

Existem, pelo menos, duas leis municipais e uma estadual que determinam a disponibilidade, nos estabelecimentos comerciais, de sanitários públicos. Notícias publicadas na semana passada na imprensa dão conta de que, ou não permitem seu uso pelo cliente – as Casas Marisa é uma delas – ou estão em reforma. Pois lhes afirmo: se algum dia estiver em uma dessas lojas, e me vier uma premência urinária, eu urino ali mesmo, e só não deixo de molhar as calças para não ser preso por atentado violento ao pudor. Aliás, neste caso, não sei quem fere mais a decência: o marginal que não cumpre a lei, ou o prostático, a grávida e tantos outros que têm urgência miccional? Mas no ambiente onde se procura exercitar a cidadania, o constrangimento é geral, e muitos ficam murmurando, e se perguntando: quem é esse maluco?

Uma vez, eu havia saído de um duro plantão na UTI do Dutra, particularmente laborioso, e fui direto ao INSS atender a uma convocação para fazer um cadastro. Meio zonzo de sono, fui estacionar o carro, e me apareceu um segurança: – Aqui não pode estacionar. – Como não? Não tem placa, nem o meio-fio está pintado de amarelo. Pode e vou estacionar’, retruquei, sem hesitar, mesmo de olho no revólver ostentado na cintura do homem. – Não pode, é ordem do chefe! Estou esperando um carro que vai trazer material para a repartição. – Meu amigo, pois diga ao seu chefe que eu vou estacionar, e estamos conversados.

O segurança saiu apressado, e eu estava ordenando a documentação antes de sair do carro, quando ouvi vozes alteradas: – Pode secar o pneu e chamar o reboque. Vou mostrar para este… Que aqui não estaciona! A voz me era comum e, quando deixei o carro, quem eu vejo: meu irmão, o Emanoel Viana. Quando me reconheceu, baixou o tom e disse para o guarda: – Este pode, é meu irmão, mas rapidinho, não vai demorar’, claro, para retocar uma determinação francamente arbitrária. Subi, resolvi meus problemas, entrei no carro e ouvi o segurança falar para outro colega que havia acorrido ao incidente: – É, irmão, dizem que na família só tem doido, e reforçou com dedo em parafuso apontado na têmpora.

Pode ser, mas é melhor ser considerado maluco do que aceitar passivamente o tripúdio e a falta de respeito. Isso nem os loucos, com os quais trabalhei na Colônia Nina Rodrigues, aceitavam sem reclamar.

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2 respostas para “Livrei-me da TIM, amém”

  1. Marcos Vasconcelos disse:

    Quase tenho uma incontinência urinária de tanto rir… E o pior, todo me vendo como doido rindo só kkkk. Brilhante texto. Parabéns. Escrevam sobre a merda que apagou um grande incêndio aqui em Bacabal. Seu Pai tá se superando Manelzim. Abçs.

  2. Silva disse:

    Vc se livrou da Tim, eu gostaria de me livrar de políticos que não fazem nada para melhorar a vida da população, de me livrar da sujeira, do caos do trânsito aqui de São Luis, dos buracos que ainda existem aos montes, dos políticos corruptos, enfim tem muita coisa que deveria ser extinta!

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