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Centrão e Sarney instituíram ‘é dando que se recebe’

Do Estadão – Nas poucas vezes em que havia sido publicada no jornal, nos anos 80, a palavra ‘centrão’ era uma gíria paulistana para designar o centro da cidade. “Perambulei, um dia desses, pelo centrão, à cata de um bar que me disseram maravilhas… Perambular pelo centrão é alfinetar a mais definitiva frustração de todos nós, como exceção dos poetas: a poesia“, escreveu Nirlando Beirão no texto “Poesia das ruas” em 5 de julho de 1986.

No ano seguinte, a palavra voltaria a parecer no jornal. Não mais esporadicamente. Sem poesia nenhuma, e agora com o ‘C’  maiúsculo, Centrão entraria no noticiário político a partir daquele 1987 para nunca mais sair.

Página de 28/1/1988 sobre o bloco Centrão e o governo Sarney.

Ainda sem o nome que ficaria consagrado no título, a existência do grupo foi  informada na edição de 3 de novembro de 1987 na coluna ‘Força dos centristas será testada amanhã’ sobre a organização interna da assembleia constituinte que começava a escrever a nova Constituição do País.  “Quanto à iniciativa do chamado “centrão” de apresentar um projeto alternativo ao de Bernardo Cabral, se vier a ser rejeitada por Ulysses Guimarães, determinará a obstrução do trabalho pelos integrantes do grupo. Se eles forem mesmo 300, e se estiverem mobilizados amanhã, terão condições de embargar o início das reuniões plenárias”, dizia o texto na página 3.

Duas páginas depois, no noticiário, o grupo era chamado ainda por outro nome: ‘Moderados são maioria no plenário, acha Fiuza’“Liderado pelo deputado Ricardo Fiuza (PFL-PE) um grupo interpartidário de parlamentares vai apresentar amanhã, na sessão de abertura do planário da Constituinte, um proposta de alteração do regimento interno permitindo a apresentação de emendas substitutivas ao projeto da Comissão de Sistematização. Segundo Fiuza, esse grupo é majoritário na Constituinte e pretende fazer uma Constituição que reflita o pensamento do povo, que é de centro.” “Se o presidente Ulysses Guimarães não colocar a proposta em votação, nós nos retiramos e não haverá quórum para votar mais nada”, ameaça o deputado, acrescentando que esse grupo de parlamentares não tem nenhuma vinculação com o Palácio do Planalto.”

A alegada independência inicial do grupo em relação ao governo José Sarney, que tentava emplacar o aumento da duração de seu mandato presidencial de 4 para 5 anos, não se sustentou por muitos dias. Ganhando mais adesão e vencendo votações importantes já no início dos trabalhos, o Centrão, como passou a ser formalmente chamado, percebeu que seu poder no plenário poderia trazer vantagens em nomeações para cargos públicos no Poder Executivo.

Página de 26/11/1987 sobre o bloco Centrão.

E o governo Sarney não se acanhava em escancarar como funcionaria a relação com o Centrão: “É fisiologismo mesmo”, disse uma fonte da Presidência da República, justisficando que o presidente Sarney terá que se valer de todos os instrumentos a seu alcance para impedir a redução de seu mandato em mais um ano”, informava o texto ‘Quem prefere 4 anos é meu inimigo”. “Nós não podemos manter a permanência dessa situação que eu diria intolerável”, afirmou ainda o porta-voz, concluindo que aqueles que participam do governo direta ou indiretamente não podem continuar assim se não têm identidade política com o governo”.

“Vou governar com os amigos, prestigiando os que me prestigiam”, disse o presidente Sarney a líderes do Centrão que o visitaram no Alvorada, informava a reportagem de Flamarion Mossri na edição de 7 de janeiro de 1988. “No encontro com Sarney, integrantes do Centrão fizeram muitas críticas a ministros e ocupantes de segundo e terceiro escalões, que continuam, disseram eles, favorecendo parlamentares que não ajudam o presidente, muito menos o governo”

Era a instituição da política do “é dando que se recebe”. No fim daquele mês de janeiro, a manchete do dia 27 informava que o governo aceitou como definitivo o lema adotado por um dos líderes do Centrão, o deputado Roberto Cardoso Alves (PMDB-SP). “É natural que o presidente Sarney prestigie mais a sua base de sustentação política”, comentou o ministro Ronaldo Costa Couto para justificar as recompensas em cargos de segundo e terceiro escalões para deputados do Centrão que votarem pelos cinco anos. E assim foi.

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5 respostas para “Centrão e Sarney instituíram ‘é dando que se recebe’”

  1. WILIAM disse:

    Os políticos estão acostumados com É DANDO QUE SE RECEBE…..TOMA LÁ DÁ CÁ…..sem propina de milhões NÃO VOTAM nada de interesse do Brasil e do povo…..SEM malas de dinheiro….. não tem votação….e os ETERNOS 🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁 nunca preocuparam com o MELHOR para o Brasil e o povo. 🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁🐁 querem o QUEIJO/ da corrupção de milhões…. milhões… milhões…..o povo que vá para o inferno.

  2. joaquim disse:

    OS eternos políticos da CÂMARA e do SENADO —- os ratões que estão lá mamando nas tetas da eterna e impune CORRUPÇÃO estão em desespero —CORTARAM OS MILHÕES DE PROPINAS para eles votarem em defesa do BRASIL e do povo brasileiro. ATACAM DIA E NOITE O GOVERNO JAIR MESSIAS BOLSONARO —o primeiro presidente do Brasil–atenção o primeiro –HONESTO—PATRIOTA–VERDE AMARELO–FICHA LIMPA E SEM SEM SEM SEM SEM SEM RABO PRESO —-os ratões em pânico , sem o eterno queijo de milhões da eterna e impune corrupção. Brasil acima de tudo ==DEUS ===acima de todos.

  3. presidência da República, o Presidente José Sarney encontrou, garantido, o mandato de seis anos para o Presidente da República. Esse teria sido o mandato do falecido Tancredo Neves, então, eleito Presidente. Com a convocação que o Presidente Sarney fez, da Constituinte, surgiu a proposta de reduzir o seu mandato para quatro anos. O Presidente José Sarney, com seu altivo espírito público, admitiu a redução de seu mandato para cinco anos. Isso acabou prevalecendo no texto constitucional de 1988. Ele jamais lutou para ampliar seu mandato como, muitas vezes, por desconhecimento ou maldade, muitos repetem essa inverdade.

  4. Quando assumiu a presidência da República, o Presidente José Sarney encontrou, garantido, o mandato de seis anos para o Presidente. Esse teria sido o mandato do falecido Tancredo Neves, então, eleito Presidente. Com a convocação que o Presidente Sarney fez, da Constituinte, surgiu a proposta de reduzir o seu mandato para quatro anos. O Presidente José Sarney, com seu altivo espírito público, admitiu a redução de seu mandato para cinco anos. Isso acabou prevalecendo até o texto constitucional de 1988. Ele jamais lutou para ampliar seu mandato como, muitas vezes, por desconhecimento ou maldade, muitos repetem essa inverdade.

  5. DAVI LUIS disse:

    CRUZ CREDO —espírito público ?????- espírito da ladroagem pública— DE onde vieram os BILHÕES DA FAMIGLIA ???????????? além do SANTO –SANTO LULA LADRÃO temos ao que tudo indica outro SANTO COM ESPÍRITO PÚBLICO— cruz credo–xô satanás–para o inferno com seu espírito imundo . ONDE TODOS–TODOS–os honoráveis bandidos–políticos—ladrões de bilhões irão acertar as contas com a justiça divina, onde nada fica impune. COM DEUS PLANTOU TERÁ QUE COLHER— como enganar a DEUS????? COMO ???? COMO SE FAZER DE …SANTO….PERANTE A JUSTIÇA DE DEUS ??????? o inferno a espera de todos–todos—os honoráveis bandidos —ladrões do povo .

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